domingo, 26 de abril de 2009

GERMINAÇÃO

Na alimentação crua e viva tudo tem início pela germinação das sementes e grãos, agentes biogênicos (que geram vida), por sua elevada concentração energética e nutricional.Ao colocarmos uma sê-mente para germinar (água = umidade + escurinho = à noite), ela entende que chegou a hora de brotar e expandir para se transformar em uma nova planta.Neste exato momento, antinutricionais como o glúten, ácido fítico, inibidores de tripsina, etc; são transformadas em substâncias pró-ativas (enzimas, vitaminas, sais minerais) da germinação, para provocar um rápido brotar, enraizar e crescer. Quem já colocou uma semente germinada para brotar, não cansa de se extasiar diante das mudanças a olhos vistos, a cada hora que passa diante do canteiro.Sê-mentes oleaginosas (girassol, gergelim, linhaça, castanha do Pará, nozes, etc.), e grãos de cereais (trigo, cevada, aveia, etc.) são alimentos especiais, porque neles predominam macronutrientes como as proteínas e gorduras vegetais, e micronutrientes como o selênio e o cobre, matérias-primas excelentes para o cérebro.E, o interessante é que os leites preparados a partir de seus germinados, apresentam uma digestão leve e alcalinizante (ao contrário da digestão das proteínas de origem animal, que é lenta e acidificante), além da propriedade de facilitar a liberação da serotonina, um neurotransmissor benéfico para várias funções cerebrais, entre elas a de facilitar o bom-humor e a qualidade do sono.Portanto, estes leites e vitaminas são ideais para serem tomados à noite, antes de deitar. Logicamente, sem exagero. Mas, para preparar estes leites e vitaminas, precisamos antes germinar a semente escolhida, ou seja, é preciso planejar.Então: mãos à obra! GERMINANDO SEMENTES E GRÃOS - preparo em geral1. Coloque de uma a três colheres (sopa) da semente ou grão escolhido num vidro e cubra com água filtrada.2. Deixe de molho por 8 a 12 horas - varia para cada semente. Ver abaixo.3. Cubra a boca do vidro com um pedaço de filó e prenda com um elástico.4. Despeje a água em que ficaram de molho e enxágue bem as sementes sob a torneira.5. Coloque o vidro inclinado (45 graus) e emborcado num escorredor, num lugar sombreado e fresco.6. Enxágue pela manhã e à noite. Em dias quentes, é preciso lavar 3 ou mais vezes.7. O tempo de germinação varia de acordo com a semente, temperatura local, etc. Em geral, estão com sua potência máxima logo que sinalizam, assim que põem a "cabecinha branca" para fora. Então, estão prontos para serem consumidos. O ponto limite para consumo é até que o gérmen atinja o tamanho da semente. Depois disso ela deverá ser brotada, plantada ou jogada fora.Trigo, grão-de-bico, amendoim, lentilha e girassol: coloque as sementes de molho em água filtrada por 6-9 horas. Na sequência elas deverão ficar aerando como na operação 6. Em 3 dias estarão germinadas e prontas para consumo.Broto de Alfafa: coloque as sementes de molho em água filtrada por 4 horas. Na sequência elas deverão ficar aerando como na operação 6. Em 5 a 8 dias estarão brotadas e prontas para consumo em saladas.Gergelim e linhaça: coloque as sementes de molho em água filtrada por 4 horas (ideal durante a noite). Ideal 1 parte de semente para 4 partes de água. Estas sementes não precisam aerar. É opcional das uma lavada rapidíssima numa peneira sob a torneira. A mucilagem (uma gosminha) formada pela semente da linhaça deverá ser preservada (não jogar fora, ela é terapêutica). Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.Castanha do Pará e Nozes brasileiras (pecã, macadâmia): coloque as sementes de molho em água filtrada por 24 horas e estarão prontas para consumo. Estas sementes não necessitam aeração. Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.Amêndoa e Avelã: coloque as sementes de molho em água filtrada por 12 horas. Estas sementes não necessitam aeração. Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.LEITES E IOGURTES DE GERMINADOSLeite de trigo: pode ser preparado a partir de um trigo germinado de 3 dias (conforme acima) batido no liquidificador com água na proporção de 1 parte de germinado para 1 de água. Coe numa panela furada e está pronto para o consumo puro ou no preparo de vitaminas com frutas frescas.Leite de amêndoas: prepare o germinado de amêndoa conforme indicado acima. Bata no liquidificador colocando água aos poucos até que fique um leite cremoso. Adicione raspas de gengibre e adoce com 1 colher (sobremesa) de uma fruta seca de sua preferência/litro de leite.Leite de gergelim: ½ xícara (chá) de semente de gergelim germinada conforme indicado acima + 1 xícara (chá) de água mineral. Bata tudo no liquidificador e coe. Opcional bater com uma fruta fresca ou seca, mas precisa ser tomado na hora, pois esta semente tende a desenvolver um fundo de sabor amargo.Vitamina de maçã e gergelim: 1 xícara (chá) de leite de gergelim + 1 maçã descascada e picada + canela em pó a gosto + folhas secas de estévia (opcional).Leite de coco: nada mais simples do que bater no liquidificador a água do coco com sua própria polpa. Não acrescente mais nada e delicie-se! Você pode ainda acrescentar fermento BioRich e preparar um delicioso iogurte natural de coco.Imitação de chocolate: ¼ xícara (chá) de leite de amêndoas + ½ xícara (chá) de tâmaras + 1 coco verde (polpa + água) + 2 colheres (sopa) de alfarroba em pó. Passe no liquidificador. Sirva gelado.Vitamina cremosa: 1 xícara (chá) da sua fruta favorita + 1 xícara (chá) de leite de trigo + 1 beterraba (crua) pequena + 2 colheres (sopa) de girassol germinado. Bata tudo no liquidificador e coe. Sirva imediatamente.Mingau de Aveia: 1 colher (sopa) de aveia demolhada na véspera + 1 maçã ralada + 1 colher (sopa) de suco fresco de limão + 1 colher (sopa) de uva passa + 1 colher (chá) de casca ralada de limão + 1 castanha do Pará germinada e ralada. Misture tudo e sirva como desjejum ou lanche. A maçã pode ser substituída pela fruta da estação de sua preferência.Iogurte de nozes: coloque 1 xícara de nozes (ou da semente desejada) de molho em água para germinar conforme indicações acima. Passe no liquidificador colocando água aos poucos até que fique um creme grosso. Passe na peneira para coar a parte líquida e ponha a massa numa tigela coberta com um pano fino para que o ar possa penetrar. Coloque a tigela num lugar morno e deixe descansar por 6 a 12 horas ou até ficar como um gosto ácido. Este iogurte pode ser feito com gergelim, girassol, com qualquer tipo de nozes ou combinações. Pode-se variar o gosto acrescentando mel, suco de limão, sal marinho, essência natural de baunilha ou outros sabores naturais. Atenção: quanto mais tempo o iogurte demorar num lugar morno, mais ácido irá ficar.Sugestões de combinações para deliciosos iogurtes: Castanha e gergelim/ Castanha, amêndoa e gergelim/ Castanha e girassol/ Gergelim e amêndoa/ Girassol e amêndoa/ Pecã e amêndoa/ Gergelim e avelã.
Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida. Do site http://www.somostodosum.ig.com.br/
Foto da internet

quarta-feira, 22 de abril de 2009

OS SUTRAS DO YOGA DE PATANJALI por Swami SATCHIDANANDA


LIVRO UM

SAMADHI PADA
Texto da Contemplação

Aqui tem início nosso estudo de Raja Yoga, ou Ashtanga (oito pares) Yoga, como algumas vezes é chamado.Os Sutras do Yoga, como exposto pelo sábio Patanjali Maharishi, constituem o primeiro e o mais importante escrito do Yoga.

Foi Patanjali quem, cuidadosamente, coordenou o pensamento yogi e explicou-o a seus alunos. Na medida em que expunha estes pensamentos, seus alunos faziam anotações resumidas utilizando apenas poucas palavras que vieram a ser conhecidas como Sutras.

O sentido literal da palavra “sutras”é “linha”; estes Sutras são apenas combinações de palavras alinhavadas- algumas vezes nem mesmo sentenças bem formadas com sujeito , predicado e assim por diante. Dentro do espaço desses 200 breves Sutras, toda a ciência do Yoga está claramente delineada: seu objetivo, as práticas necessárias, os obstáculos que você pode vir a encontrar em seu caminho,a remoção deles e descrições precisas dos resultados que serão obtidos de tais práticas.

1. ATHA YOGANUSASANAM.

Atha = agora; Yoga = de yoga; anusasanam = exposição ou instrução

Agora a exposição de Yoga está sendo feita.

Anusasanam significa exposição ou instrução, porque não é mera filosofia o que Patanjali pretende explicar, mas instruções diretas sobre como praticar Yoga. Mera filosofia não irá satisfazer-no. Não podemos atingir o objetivo apenas por meras palavras.Sem prática, nada pode ser alcançado.


2. YOGASCITTA VRTTI NIRODHAH.

Yogas = Yoga; citta = da substância mental; Vritti = alterações; nirodhah = contentação

O Arquiamento das ondas mentais é Yoga.

Neste Sutra, Patanjali apresenta-nos o objetivo do Yoga. Para um aluno perspicaz, este Sutra seria suficiente, porque todos os restantes apenas explicam. Se a contenção das alterações mentais for do Yoga é baseada nisto. Patanjali apresentou a definição do Yoga e, ao mesmo tempo, a prática.”Se você puder controlar as ondulações da mente, você vivenciará o Yoga.”

Discutiremos agora o significado de cada palavra do Sutra. Em geral, a palavra Yoga é traduzida como “união”, mas como união necessária de duas coisas a serem unidas.Neste caso, o que se unirá a quê? Assim, consideramos Yoga significando, aqui, a experiência Yogi. A extraordinária experiência alcançada através do controle das ondas mentais chama-se Yoga.

Chittam é a soma total da mente.Para ter uma imagem completa do que Patanjali quer dizer com a palavra “mente”, você deve saber que dentro do chittamhá diferentes níveis. A mente básica é chamada ahamkara, ou o ego, o sentimento do “Eu”. Isto faz surgir o intelecto ou faculdade de discernimento que é chamada buddhi. Outro nível é chamado, manas, a parte da mente que deseja,que sente atração pelas coisas exteriores através dos sentidos.

Por exemplo, você está tranqüilamente sentado apreciando a paz da solidão, quando um cheiro agradável vem da cozinha. No momento em que manas percebe, “Estou sentido um cheiro agradável vindo de algum lugar,” buddhi raciocina,”Que cheiro é esse ? Acho que é queijo.Que bom! De que tipo!Suíço? Sim, é queijo suíço.” Assim uma vez que buddhi decida, “Sim é um delicioso pedaço de queijo suíço, como aquele saboreado na Suíça no ano passado”, ahamkara diz,”Oh, então é isto?Então devo comer um pedaço agora”.Estas três coisas acontecem uma de cada vez, mas tão rápido que raramente as distinguimos.

Estas alterações dão origem ao desejo de comer o queijo. Criou-se o desejo, e a não ser que o satisfaça indo até a cozinha e comendo o queijo, sua mente não retornará à condição original de paz.Está criando o desejo, conseqüentemente a vontade de satisfaze-lo e,uma vez que o satisfaça, você estará de volta a sua original situação de “paz”. Esta é a condição natural da mente. Mas estes chitta vrittis, ou as alterações da substância mental perturbam esta paz.

Todas as alterações mentais têm origem nas diferenças recebidas do mundo exterior. Por exemplo, imagine-se não tendo visto seu pai deda que você nasceu e que ele retorne quando você tem dez anos. Ele bate à porta. Abrindo-a, você vê um estranho. Corre para dentro sua mãe, dizendo; “Mamãe, há um estranho lá fora”.Sua mãe vai á porta e vê o marido que esteve longo tempo ausente. Com toda alegria ela recebe e apresenta-o como seu pai.Você diz;”Oh, meu pai!” Poucos minutos antes, era um estranho; agora, tornou-se seu pai. Transformou-se em seu pai? Não; é a mesma pessoa.Você criou a idéia do “estranho” depois a transformou em “papai”, só isto.

O mundo exterior é todo baseado em seus pensamentos e atitudes mentais. O mundo inteiro é apenas sua própria projeção. Seus valores podem mudar na fração de um segundo.

Hoje você pode não querer mais ver alguém que foi seu querido amor de ontem. Se nos lembrarmos disto, não sofremos tanto com as coisas que nos rodeiam.

É por isto que o Yoga não se incomoda muito em mudar o mundo exterior. Há um ditado sânscrito que diz: “Mana Eva manushyanam Karanam bandha mokhayoho.” “O homem é aquilo que pensa; servidão ou libertação estão na mente.” Sentir –se aprisionado é estar aprisionado. Sentir-se liberto é estar liberto.As coisas lá fora nem o aprisionam nem o libertam; somente sua atitude perante elas faz isto.

É por isto que sempre que falo a prisioneiros,digo: “Todos vocês sentem-se prisioneiros e esperam ansiosamente transpor estes muros.Mas olhem para os guardas. Não são parecidos com vocês? Eles também estão entre os meros. Mesmos que possam sair todas á noite, todas as manhas vocês os vêem de volta. Eles adoram entrar aqui; vocês adorariam sair. A clausura é a mesma. Para eles não é uma prisão;para vocês é. Por que? Há alguma mudança nestes muros? Não, vocês sentem que é uma prisão; eles que é um lugar para trabalhar e ganhar seu salário. É a atitude mental. Se, ao invés de aprisionamento, pensaremos neste lugar como um reformatório que lhes dá uma oportunidade de mudarem sua atitude diante da vida, de reformarem e purificarem a si mesmos,adorarão estar aqui até que se sintam purificados. Mesmo que lhes digam: ‘Seu tempo acabou; podem ir’, poderão dizer: ‘Ainda não estou purificado, senhor. Quero ficar aqui por mais algum tempo.’’’

De fato, muitos destes prisioneiros continuaram a levar uma vida yogi mesmo após deixar a prisão, e até mesmo foram gratos por sua vida na prisão. Isto significa que eles compreenderam bem o que lhes foi dito.

Assim, se puder ter controle sobre suas formas de pensamento e conseguir modifica-las como quiser, você não será escravizado pelo mundo exterior. Não há nada de errado como mundo. Você pode transformá-lo num céu ou num inferno de acordo com sua vontade. É por isto que o Yoga é todo baseado no chitta vritti nirodhah. Se você tem controle de sua mente, você tem controle de tudo. Assim, nada neste mundo poderá aprisiona-lo.
Para comprar o livro va no site: www.jaivida.com

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pizza de Wandinha, minha mãe linda

Fotos: Fred Luna Matos
Essa receita de pizza não é minha, é de minha mãe, digo dela porque ela faz desde que eu era bebe, e já virou tradição, que conhece nossa família sabe da gostosura que é, mas não é dela, pra ela conseguir a “tal” receita, ela teve que subir em um banco ficar espionando o compadre dela fazendo a receita, ele não queria abrir o jogo então ela roubou. Valeu a pena! É uma delicia, diferente de todas as pizzas que tem por aí, a massa é a mesma de todas, só que é bem fina e crocante, o que faz a diferença é o que vai em cima, como eu não sou de esconder o jogo vou abrir para quem quiser.


Em uma vasilha coloque 2 xícaras de água morna, 1 envelope de fermento biológico, um pouco de farinha de trigo, 1c/sopa de açucar, mistura bem, deixa descansar até fermentar, põe um pouco de sal, 1c/de sobremesa de manteiga ou óleo, eu ponho azeite de oliva, vai pondo mais farinha de trigo ate soltar das mãos, deixa fermentando ate dobrar de tamanho, abre a massa bem fina, põe a cobertura e leva para assar no forno quente. Para abrir a massa polvilhe farinha de trigo na mesa, depois de aberta, passe um pouquinho de farinha para não grudar na assadeira.
Não unte com gordura a assadeira!

Cobertura
No lugar de molho, bota tomate cortadinho em tirinhas finas, para cada assadeira vão 4 tomates grandes.
Orégano
Sal à gosto
1 colher de sobremesa de pimenta do reino e cominho
É só misturar, cobri a pizza crua já na assadeira, leva para assar, depois de assada tira do forno e cubra com queijo mussarela, leve de volta ao forno para derreter.
Sobre o queijo ponha o que quiser, eu acho melhor só com queijo.

terça-feira, 31 de março de 2009


ARTE E ANATOMIA HINDU
ABNINDRA NATH TAGORE
1921
Ilustrações de Vicente Pascual Rodrigues.
Tradução do Espanhol para o português de Dila Luna Matos
Fotos Carlos Frederico Matos
2 fotos da net





Prefacio

O pequeno volume de M. Abanindra Nat Tagore pertence a uma categoria de obras sobre a arte hindu cujo conhecimento é pouco difundido entre os artistas e aficionados. Até o momento, se há ignorado em excesso a existência da Índia nos tratados dedicados as teorias estéticas das linhas, das formas e dos movimentos. Todavia se considera a arte Indiana como o resultado de uma imaginação exagerada e desordenada, não se compreende que esta arte, na realidade, esta submetida a leis bem definidas, e nada em sua evolução, ou melhor dito, em seu crescimento orgânico, se deve ao azar.

Desde muitos séculos, o artista hindu obedece à sua tradição. Esta tradição imutável esta baseada e regida nos Shilpas Shastra (*), cuja prescrição não se atreve a transgredir, como tão pouco se atreveria a violar as regras da sua casta. Menos intransigente que os Shastras, são as sentenças de inspirações religiosas, as Dhyana-Mantra, muito de seus ramos estão reunidos em livros, rituais, mas que podem ser transmitidos de viva voz, de mestre a discípulo (parámpará). Constituem um inesgotável repertório de procedimentos iconográficos. Mais é muito grande a influencia exercida sobre o imaginário hindu pelos preceitos dos Shastras e dos Dhyana-mantra, seu estudo terminaria em resultado bastante medíocre se não houver ao mesmo tempo outra fonte de inspiração e de ensino plásticos. Esta fonte é a literatura da Índia, imagem esplendida e sedutora do Universo sonhado pelos homens. A poesia hindu é particularmente rica em metáforas, epítetos e comparações sutis. Algumas passagens das obras do poeta Kalidasa poderia estabelecer uma teoria das curvas harmoniosas baseadas em textos sânscritos e tamil.

O livreto cuja tradução apresentamos, esta consagrado ao estudo do vínculo que ume a imagem escrita com idéia esculpida e pintada. Nos ensinando a captar a forma através da linguagem descritiva do poeta e nos ajudando a compreender o contorno de um braço ou de um perfil divino, melhor do que o engenhoso cálculo matemático-estetico...


(*) Shilpa Shastras (sânscrito: Śhilpa Śāstras) são tradicionais textos hindus que descrevem os padrões de iconografia religiosa hindu, por exemplo: prescrever as proporções de uma figura esculpida, bem como as regras de arquitetura hindu.


Victor Goloubew
Paris, 6 de novembro de 1920

Algumas notas por Abanindra Nath Tagore



Algumas notas que seguem foram compiladas pelo pintor Abanindra Nath Tagore e ilustradas por seus alunos, cujas obras puderam ver na exposição da “A Escola de Calcutar”, (em Os Orientalista, Paris 1914) é sobre o que a Arte Decorativa havia publicado em um importante artigo (fevereiro 1914)*.

Esta destinado (nos disse M. Gangoly, um discípulo de Tagore) a responder algumas criticas contra as reformas convencionais adotadas pelos artistas da Índia em escultura e pintura, e o que forma atualmente a base da anatomia artística hindu.

Esta nota não é só um tratado de técnica artística (Shilpa Sastra), poderiam confirmar se as interpretações desses textos antigo em sânscrito foram uma tarefa menos difícil.


(*) Foram publicadas por a Índian Society of Oriental Art (Calcuta) e traduzida do inglês com a amigável autorização de Tagore.

“Por diversas razões, a escultura hindu requer uma técnica mais distante da natureza que a escultura da Grécia antiga. A consciente e constante arte hindu deve sugerir uma forma palpável do Divino e do Transcendental. Em suas manifestações mais importantes, a arte hindu é o eco do mundo sobrenatural, cheio de mistério e exaltação”.

Um corpo humano perfeitamente normal pouco pode simbolizar os personagens de um mundo semelhante. Só um tipo ideal, cujas formas não respondem as conhecidas leis fisiológicas. O artista hindu foi levado a crê em certas convenções artísticas e um sistema especial de anatomia que sugere um tipo étnico superior, algo que esta “mais alem das formas humanas”.

Esperamos que as notas seguintes ajudem a uma apreciação melhor das obras mestras das artes hindu cujas formas irreais continuam, todavia confundindo as concepções européias.

Rogo aos leitores e, sobre tudo, a meus amigos e alunos peregrinos, como eu, em busca desta realização que é a execução de toda arte, e não tomem ao pé da letra as regras e os analises de forma contidas nos tratados de arte, com todo rigor de suas leis e demonstrações. Estas leis não são absolutas e nem invioláveis e não deve privar os “buscadores” da inspiração vivificante da Liberdade, restringindo-se as suas obras a um limite severo.

Até que tenhamos a força para voar, nos agarramos ao nosso ninho e nos afastamos daquilo que nos rodeia.

Retido por uns vínculos, devemos lutar para adquirir a força para romper, e lançarmos longe, para alem de todo limite, realizando em pleno significado de nossas lutas.

Não duvidemos jamais que o artista com sua criação é que vá diante “do fazedor de leis” e de seus códigos sobre arte.

A arte não esta destinada a justificar as Shilpa Shastras sendo que os Shastras estão aí para elucidar a arte. Em primeiro lugar nasce a forma concreta e logo vem os analises, os comentários, as leis e os cânones codificados nos Shastras.

As restrições impostas ao menino impedem a ele de se perder e lhe obriga a andar com receio, por está destinado a confiar para sempre em certo limite.

O noviço em arte se coloca sobre as restrições dos “tratados técnicos” em quanto o mestre se emancipa das tiranias das leis, das proporções e das medidas, da luz, da sombra, das perspectivas e da anatomia.

A igual obediência aos dogmas não faz o crente, do mesmo modo, nenhum homem chega a ser um artista seguindo servilmente ao código de sua arte.

Que loucura seria imaginar uma estatua modelada estritamente seguindo as leis dos Shastras, nos permitiria atravessar o limiar do distante reino em que a arte se alia com a alegria eterna!

Quando o peregrino inexperiente vai a um templo de Djaggernath, deve deixasse seguir passo a passo por seu guia que, em cada curva, dirige rumo a direita, rumo a esquerda, rumo para cima e para baixo, até que o caminho lhe chegue a ser familiar e a presença do guia seja inútil. Quando, por fim a Divindade seja revelada, tudo deixa de existir para o peregrino: templos e santuários, pórticos e limiares, símbolos e ornamentos, assistências sacerdotais, exatidões matemáticas dos passos medidos...

Semelhante ao rio que rompe seus diques, o artista derruba os limites das leis dos Shastras.
Por isso abordamos os nossos textos sagrados que tratam sobre arte com o espírito crítico, o encontraremos cheios de restrições e seremos também propensos a esquecer das abundantes lições que nossos sábios nos legou para salvaguardar a continuidade de nossa arte.
As obras de arte destinadas a ser contempladas de uma maneira religiosa devem conformar-se a um tipo prescrito. Isso quer dizer que o artista deve aderir as formulas dos Shastras só quando criarem imagens destinadas aos cultos, e que os demais casos são livres para seguir seus próprios instintos.
A imagem seguinte é um exemplo de figura de três curvaturas (Figura Tri-bangha).

Escolhida entre os numerosos exemplos desse tipo de criação pelos artistas hindus, na pagina 55 pode ver uma figura do mesmo tipo literalmente executada seguindo as formas dos tratados.
Enquanto o sábio Sancharcharya (*) tentava elucidar os mistérios da beleza com pesos e medidas, a personificação da beleza só é apreciada como uma forma que viola todas as leis e técnicas, estranha criação de algum artista rebelde: apareceu e lhe chamou atenção. Ao vê-las, o filosofo teve uma revelação e exclamou: “Essas leis odiosas, não são reveladas para ti; esses cânones escreveram esses analises minucioso para as imagens destinadas para os cultos. Inúmeras são as formas que vistes, oh beleza, e nenhum Shastra pode definir”.

Acrescentando: “Uma só figura entre milhões, por casualidade terá uma chance de ter uma forma impecável e uma beleza perfeita? Os sábios dirão: Só a imagem que se conforma às leis da beleza dos Shastras é uma forma perfeita. Nada que não obtenha as sanções dos Shastras é perfeito. Outros, ao contrario dirão: Todos os que amam apaixonadamente chegam a ser perfeitos, chegam a ser esplendidos”.

(*) Sancharcharya, celebre doutor do século VIII, autor de um comentário sobre os Vedas-Sutras, traduzido por G. Thibaut em os Secred Books of the East

Medidas e proporções





Nessas tradições artísticas reconhecem cinco classes de diferentes figuras:

Nara = humana.
Krura = terrível.
Asura = demoníaca.
Bala = infanti.
Kumara = juvenil.


Cinco escalas e proporções distintas entre si prescritas para essas figuras:

Nara murti = 10 talas.
Krura murti = 12 talas.
Asura murti = 16 talas.
Bala murti = 5 talas.
Kumara murti = 6 talas

O tala se define assim: uma quarta parte da largura do punho do artista se denomina um anguli, ou o comprimento de um dedo. Doze angulis, equivale a uma tala.

A Nara murti (forma humana, 10 talas) é recomendada para figura de heróis como:

Nara- Narayama (dois deuses que provem da divisão da essência de Vishnu).
Rama (herói de Ramayana).
Nrisinha (homem-leão, encarnação de Vishnu)
Vana (demônio adversário de Vishnu).
Vali (demônio vencido por Vishnu em seu avatar enano).
Indra (Deus da tormenta).
Bhargava (sobre nome de Siva).
Arjuna ( umdos heróis do Mahabarata).

A krura murti (forma terrível) a medida de 12 talas é conveniente para as criações destrutivas como:

Chandi (“a violenta”, sobrenome de Durga, esposa de Siva).
Bhairavia (forma terrível de siva).
Narasinha.
Hayagriba (pescoço de cavalo).
Varaha “javali”.

A medida de 16 talas deve ser utilizado para figura demoníaca como:

Hirayakasipu (demônio que matou Vishnu quando era avatar de homem-leão).
Vrita (demônio-serpente que retém cativas as águas celestes).
Hvianyakasha (demônio dos olhos de ouro que Vishnu matou).
Ravana (demônio-rei de Lanka e raptor de sita, heroína do Ramayana).
Kunbhahana (“asa de pote” um dos demônios de Lanka, Ceilão). ?????
Manuchi (demônio que Indra matou).
Kumbha (demônio humano)
Niskumbha (demônio humano)
Mahisha (demônio-búfalo que Durga matou).
Raktabija, etc.

O Bala murti é a forma infantil e conveniente para todos as representações da infância como:

Gopal (é Deus Krishna como bovero).
0 Balakrishna (Krishna menino), etc.

As demais medidas citadas são outras medidas da iconografia hindu conhecida com o nome de Uttama Navatala.

Toda figura se divide em nove partes iguais que se chama Tala. Um quarto de tala se denomina amsa.
Ao todo tem quatro amsas cada tala, a figura inteira tem nove talas e trinta e seis amsas.

As diferentes medidas verticais de uma figura construída segue estas talas:

Do centro da frente ao queixo... 1 tala
Da clavícula ao peito................. 1 tala
Do peito ao umbigo................... 1 tala
Do umbigo ao quadril................ 1 tala
Do quadril aos joelhos............... 2 talas
Dos joelhos as costas ................ 2 talas
Da frente do cocorute................. 1 amsa
Da rotula..................................... 1 amsa
Dos pés....................................... 1 amsa

As medidas horizontais são as seguintes:

Da cabeça................................... 1 tala
Do pescoço................................. 2 ½ amsas
De um ombro ao outro............... 3 talas
O peito........................................ 6 amsas
Da cintura................................... 5 amsas
Do quadril................................... 2 talas
Dos joelhos................................. 2 amsa
Dos tornozelos............................ 1 amsa
Dos pés....................................... 5 amsas


Comprimento

Do ombro ao cotovelo.................. 2 talas
Do cotovelo ao punho.................. 2 amsas
A palma....................................... 1 tala

Larguras.

As axilas......................................... 2 amsas
Cotovelos....................................... 1 ½ amsa
Punhos............................................ 1 amsa

O rosto divide-se em três partes iguais:

Do centro da testa ao centro das pupilas.
Das pupilas a ponta do nariz.
Da ponta do nariz ao queixo.

Segundo Shukracharyya, as proporções de uma figura Navatala são as seguintes:

Larguras:
Do cocuruto ao contorno do couro cabeludo: 3 angulis.
Testa: 4 angulis.
Da ponta do nariz ao queixo: 4 angulis.
O pescoço: 4 angulis de altura
Sobrancelhas: 4 angulis de comprimento e ½ de angulis de largura.
Dos olhos: 3 angulis de comprimento e 2 de largura.
Das pupilas: 1/3 das dimensões dos olhos.
Das orelhas: 4 agulis de comprimento e 3 angulis de largura.
A altura das orelhas é igual ao comprimento das sobrancelhas.
As palmas das mãos tem 7 angulis de comprimento.
O dedo medio, 6 angulis
O polegar 3 angulis e1/2, etc.
Os pés devem ter 14 angulis de comprimento.
O dedão, 2 angulis, etc.

As figuras femininas tem geralmente 1 amsa a menos que as masculinas.
As proporções de uma figura de criança devem ser a seguinte:

O tronco deve conter quatro cabeças e meia, assim a parte do corpo compreendida entre o pescoço e as coxas é igual a das cabeças e o resto das cabeças e meia, etc.
O pescoço é curto e sua cabeça relativamente grande, por ser mais lento o crescimento da cabeça do que do corpo.

Forma e caréter



Uma figura perfeitamente construída, sem erros nos seus mais pequenos detalhes, é a coisa mais rara do mundo.
A pesar das semelhanças em geral de formas e recursos entre os homens, é impossível eleger uma figura como tipo ideal.

A principio, as mãos, os pés, os olhos e as orelhas, parecem ter a mesma estrutura em todos os homens: pelo nosso conhecimento íntimo de todas as raças humanas e o costume que temos de olhar atentamente os detalhes de uma fisionomia, nos fazem ser assim prevenido em seus mínimos detalhes, em quanto que a eleição de uma figura esteticamente ideal apresenta serias dificuldades para o artista. Quando se trata de animais inferiores e plantas, as semelhanças são aparentemente, maiores entre uns e outros. Assim como, caso não haja diferença entre as aves da mesma espécie e das folhas e das flores da mesma família.

O rosto

O ovo de uma galinha tem a mesma redondeza e a mesma regularidade de contornos das outras galinhas; e uma folha de arvore Pipal (*) tem a mesma forma triangular e a mesma ponta que a outra folha da mesma arvore. Provavelmente, é por essa razão que nossos mestres descobriram que as formas dos membros e órgãos humanos não são comparadas com os outros homens, e sim, buscando sempre suas semelhanças com flores, aves, plantas e nos membros de um animal. Assim como, dizem que o rosto é arredondado com o ovo de galinha.
Nas figuras seguintes, podem ver-se dois rostos: um tem a forma de ovo, o outro lembra uma folha de bétele.
Um tipo de rosto que a expressão popular compara com a folha de bétele, se vê geralmente em Nepal e nas imagens dos deuses e deusas mais comum em Bengala.
Quando dizemos que um rosto é redondo, queremos dizer simplesmente que seu caráter dominante é redondo e não tem nenhum lado anguloso. Mas apesar desta tendência a redondeza, há algo em sua forma que pode exprimir uma comparação com um globo. Se há um dito, mas porem, que “é parecido com um ovo” e ele que tem o mesmo alongamento e estreitamento da base - o queixo - que é típico em um ovo de galinha. O rosto deve com tudo assemelha-se a forma ovóide, e ser fino, larga ou quadrada.


Introduzimos estas formas para modificar a simplicidade do seu contorno, é como o artista pode oferecer diferentes faces de acordo com as idades, e os caracteres variados.

É igual a um vaso de cobre que, apesar de ser adorno, conserva sua redondeza, o rosto conserva como base, através de toda ampla variedade de tipos, em sua forma ovóide.

A forma redonda é a natureza permanente do vaso de cobre e a forma ovóide é a natureza fundamental do rosto do herói humano.

O rosto em forma de folha de bétele é um rosto parecido com a lua cheia ou um rosto de coruja não são mais que variações dos rostos em formas de ovo.

(*) Fícus religiosa, figueira religiosa, árvores dos templos, árvore do Bodhi (intelecto).

A testa




Tem o contorno de um arco, mostrando o espaço entre as sobrancelhas e o cabelo em forma de meia lua de um arco ligeiramente tenso.

As sobrancelhas

São também parecidas com um arco e com as folhas da árvore Nim (Azadirachta indiana).

Estas comparações gozam da estima de nossos artistas; o primeiro para os rostos femininos, e o segundo para os masculinos.

As diversas emoções como o prazer, o medo, a ira, etc., se expressam por elevação do caimento e das contrações das sobrancelhas; se pensa em uma folha agitada pelo vento e um arco em seu diferente grau de tenção.

Os olhos

São infinitas as comparações que fazem com os olhares, relacionando com as emoções que expressam.
Se lhe comparo com os pássaros, e o olho vivo e estufado de um cervo, a um lótus e a um peixe carpa colorido.
As primeiras comparações são empregadas nas pinturas que representam as mulheres, enquanto que as outras se encontram nas estatuas de bronze e pedra, dos deuses deusas. Existe, todavia outro tipo de olho, conhecido em Bengala com o nome de “Raja Patol”(*), que não são mencionados em nossos textos sagrados nem em nossa antiga literatura, porque utilizaram com freqüência nos rostos das mulheres que enfeitam os afresco nos templos de Ajanta (**).


Os olhos das mulheres são muito moveis, mas não presumo que só acredite nessa natureza em que nossos mestres estão tentando expressar, ao escolher para compara-los com eles, três animais tão agitados como os cervos, os pássaros e a carpa. Esta comparação surgiu de um modo admirável, a forma e a expressão própria dos diferentes tipos de olhos.





Estes diversos tipos representam diferença muito marcante de caráter e cada um tem sua própria aplicação em sua expressão de emoções e de distintos temperamentos.
A característica dos “olhos dos pássaros” é uma certa alegria festiva; a dos “olhos de uma carpa” é uma mobilidade inquieta; a dos “olhos dos cervos” uma simplicidade inocente; a dos “olhos de pétalas de lótus”, uma calma serena; e, por ultimo, os “olhos de ninféia” são notáveis por sua calma sossegada de suas pálpebras caídas.

(*) Patol, legume próprio da Índia (Trichosanthes Dioeca).
(**) Ajanta, Pode ver fotografias feitas deste templo pela missão Gouloubew no Museu Guimet e no museu Cernuschi, em Paris.

As orelhas




Nossos mestres não parecem estar muito preocupados em indicar a estrutura das orelhas.
Sem duvida é porque está dissimulada por adornos e jóias nas faces das deusas e deuses.

Em Bengala se comparam as orelhas a pequenos abutres.

O nariz


O nariz tem a forma de uma flor de sésamo e as narinas se assemelham a uma fava.
O nariz em forma de flor de sésamo se vê em todas as imagens dos deuses e nos rostos das mulheres; o nariz dessa forma desce com uma simples linha partindo das sobrancelhas, enquanto que as narinas estão ligeiramente inchadas e côncavas como uma pétala de flor. O nariz em forma de bico de papagaio se encontra em todas as imagens dos deuses e homens;
Esse nariz se faz rapidamente proeminente e forma uma linha curva em quanto que as narinas sobem acima do rabinho do olho. Associa-se esta forma de nariz com a imagem dos heróis e grandes homens e com suas encarnações femininas.

Os lábios




Úmidos, doces e roxos, comparando-o com o fruto do Bimba (Monordica Monadelpha). A flor de dragão expressa admiravelmente a formação do lábio superior e o lábio inferior.

O queixo




Tem a forma de um caroço de manga. Esta analogia não foi sugerida só pela semelhança da forma. Compreende-se em seguida essa comparação com as sobrancelhas, com as narinas, os olhos e os lábios, o queixo permanece mais ou menos impassível, apenas afetada pelas emoções que reflete tanta vivacidade dos demais traços do rosto. Se comparar com um caroço inerte, enquanto que o resto do rosto exige comparações mais viva: flores, folhas, peixes...

O pescoço




Tem a forma de um búzio; as rugas do pescoço seriam as espirais que adornam a ponta.
Sendo a garganta o foco da voz, esta comparação expressa tanto sua função como sua forma.

O tronco

Desde o pescoço até o abdome, deve ter a forma de uma cabeça de vaca. Esta comparação sugere um modo admirável da força de um tronco, a esbelteza da cintura e as rugas da pele flácida do abdome.
Comparando-se também a cintura de uma mulher com uma ampulheta



E a do homem com o corpo de um leão e a força rígida como uma porta fechada de um busto de um herói, pois nenhuma dessas comparações equivale-se a primeira, que se expressa tão maravilhosamente completa, tanto na forma como no caráter do dorso.

Os ombros


Tem a forma de uma cabeça de elefante, e os braços corresponderiam a trompa.
O epíteto “ombro de elefante” converteu-se entre nos em uma expressão ridicularizante, é inegável que nossos ombro são parecidos com a cabeça de um elefante. Kalidasa (*) disse que seus heróis têm ombros de touro, mas, a cabeça de um elefante é uma comparação mais apropriada. Não só existe semelhança de forma entre nossas mãos e a ponta da trompa mas também semelhança de funções. As comparações com as serpentes e cipós empregados por nossos poetas, servem para expressar o caráter flexível, sarmentoso, capaz de agarra-se com as mãos como uma necessidade constante de se apoiar, como se caracterizam as plantas e as serpentes. A trompa do elefante não só sugere tudo isso, mas também a forma dos movimentos característicos das mãos.

(*) Kalidasa, Poeta épico, lírico e dramaturgo hindu que viveu no século V e VI de nossa era. Autor das seguintes obras:

a) Poemas épicos:
Kumarasambhava. Trad. em verso por Griffth, Londres, 1853, para o alemão por º Walter. Munich, 1913.
b) Poemas líricos:
Meghaduta. Trad. Inglesa de H. H Wilsaon. Calcutá, 1814; italiana de G. Flechia. Florença, 1897.
Ritusambara. Edição e tradução latina e alemã de P. V Bohlem. Leipzig, 1840.
C) Dramas:
Sakuntala. Trad. Bergaigne e Lehugeur. Paris, 1884. (edição Jouaust).
Malavikanimitra. Trad. Foucaux. Paris, 1877.
Vikramorvaci. Trad. Foucaux. Paris, 1861.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Antebraço


Desde o cotovelo a palma da mão é semelhante a uma bananeira jovem. Essa comparação sugere tanto da flexibilidade simétrica como a firmeza do braço

Os dedos



A comparação dos dedos com os feijões, vagens e ervilhas, podem desagradar aos poetas, mas sem obstáculo sobre a formação dos dedos, indicação mais útil que a proverbial comparação com “o botão de uma flor de Champaka (magnólia)”.

Músculo

Tanto os das mulheres como dos homens tem sido comparado pelos nossos artistas com o tronco de uma bananeira. A trompa de um jovem elefante foi para as imagens de deusas, uma das comparações mais preferidas. Mas a bananeira expressa mais força, mais firmeza de construção, a tromba do elefante sugere os balanços dos braços e os numerosos movimentos das mãos.
Os músculos, que sustentam o peso do corpo, em quanto o tronco firme, ereto e esbelto da bananeira sugere uma comparação mais apropriada.


Os joelhos


Compara-se com o corpo do caranguejo.

As panturrilhas


Compara-se com o peixe inchado pelas ovas.

As mãos e os pés


Compara-se sempre com os lótus, com os brotos jovens de plantas e em nenhum lugar foi encontrada uma comparação mais apropriada e de melhor demonstração que os afrescos em Ajanta.

Posturas e atitudes


Posturas e atitudes

As figuras hindus se distinguem por quatro posturas e flexões diferentes.

Samapada = direita
Abhanga = ligeira flexão
Tribhanga = três flexõesAtibhanga = extrema flexão
Atibhanga = extrema flexão


Posição direita
Ambos os lados de uma figura estão dispostos simetricamente e se mantém firme sobre suas pernas sem inclinar-se para a esquerda ou direita. As imagens de Buda, dos deuses Vishnu e Surya(*), estão retas, em geral, seguem o sistema de rígida simetria vertical. Só as posições dos dedos são diferentes.
(*) Vishnu: mitologia hindu, deus conservador da criação; Surya: Sol

Ligeira flexão



As imagens dos sábios e dos santos têm essa ligeira inclinação.

Três Flexões




As imagens das deusas que correspondem a esse tipo, tem a cabeça inclinada para a direita, e a dos deuses se inclina para a esquerda, de modo que quando um deus e uma deusa se colocam de lado, parecem inclinar-se em direção ao outro. Assim quando as imagens se dispõem em pares, a mulher fica a esquerda do homem, parecendo uma flor de lótus em pleno desenvolvimento, inclinado buscando um ao outro para se beijarem. É uma atitude tradicional de todas os pares divinos.Esta atitude inclinada do homem e da mulher buscando-se pode alternar-se, de modo que os corpos parecem afastados um do outro sugerindo uma desavença, uma disputa de
namorados.

domingo, 29 de março de 2009

Extrema



Esta postura é uma forma exagerada da anterior; a curva da linha é consideravelmente acentuada, o corpo oscila da direita para a esquerda como uma arvore agitada pelo vento. Esse tipo serve para representar o Deus Siva na dança da destruição, deuses guerreiros, demônios em geral e qualquer personagem que esteja executando uma ação violenta.
Shukranitiara (*), e Vrihat-samhita (**) e outros textos antigos que tratam em detalhe as questões das medidas, proporções, formas e caráter dos diferentes tipos.
Aqui de novo, alguns conselhos dados por nossos mestres: “Quando quiser que se acerque a imagem com o mesmo fervor que ia um adorador ao dirigir-se rumo a sua divindade, ou um servidor ao sair ao encontro do seu mestre, deve fazer escrupulosamente seguindo as formas e o caráter prescritos nos tratados”.
“Qualquer outra imagem que não esta destinada ao culto, pode ser feito seguindo as preferências do artista”.
“Não é pecado que a imagem desenhada e pintada, ou feita de barro ou de gesso não são como os tipos prescritos. Estas imagens destinadas só a um emprego temporário e logo após destruídas, são feitas em geral por mulheres para servir em culto, para entreter e divertir as crianças, seria pedir demais que obedecesse estritamente as leis dos tratados”.
De pé ou sentado comodamente em um assento apropriado, com os olhos muitos abertos, sem barba e jovem de dezesseis anos, esplendidamente vestido e adornado, com a tez resplandecente e as ações cheias de glorias, concedendo favores e benção, envolto em tecidos até os pés e coberto de gloriosos ornamentos: é assim que o artista deveria conceber sua divindade.
Um rosto demarcado atrai o homem e um rosto obeso atrai a enfermidade sobre o mundo, enquanto que uma figura bem proporcionada que não mostra os ossos, nem músculos, nem veia, atrai para sempre a prosperidade.
Quando uma figura tem varias cabeças, estas devem estar colocadas em fila tendo cada uma seu pescoço, seu crânio, seus olhos e suas próprias orelhas. Assim como, uma figura de cinco cabeças estar feita geralmente de quatro cabeças que formam um quadrado rematado por uma quinta.
Quando uma imagem tem varias mãos, o ombro deve desdobra-se; todos os braços de um mesmo lado devem sair do mesmo ombro e abri-se em leque como um rabo de pavão real.
O artista deve representar a divindade com traços juvenis, às vezes como um menino, jamais como um ancião ou um deficiente físico.


(*)Shukranitiara: A essência da política de Shukra
(**) Vrihat-Samhita: A grande coleção.
Fevereiro, 2009