Mostrando postagens com marcador Ramayana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ramayana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de março de 2010

UM CONVITE AO HEROISMO ESPIRITUAL




A Call to Spiritual Heroism

por Caitanya Carana Dasa

O Ramayana é uma antiga saga Védica de ação, romance, sabedoria e aventura, uma saga que inspirou grande parte da população mundial por milênios; uma saga que descreve um passado em que seres com poderes celestiais - tanto divinos quanto demoníacos - interagiam em nosso reino terrestre; uma saga com a batalha entre o bem e o mal, uma saga na qual Deus advém e ensina virtude, retidão e espiritualidade por meio de Seu sólido exemplo pessoal.

A despeito da antiguidade histórica do Ramayana, seu enredo é similar ao de um filme típico: ele traz um herói, uma heroína e um vilão que deseja a heroína, e narra um empolgante confronto entre o herói e o vilão, confronto este que culmina na morte do vilão e na reunião do herói com a heroína. Mas há uma diferença vital entre o Ramayana e um filme moderno: em um filme, o herói, a heroína e o vilão são todos, na verdade, vilões.

Por quê? Muitos pensam em um vilão como alguém que desfruta através da exploração e da injúria de outros. Embora não incorreta, tal concepção de mal é incompleta e ingênua visto que ignora uma realidade fundamental: nosso pai amável e supremamente responsável, Deus. Muitos de nós jamais tivemos a educação espiritual necessária para entender que é Deus quem abnegadamente nos provê nossa alimentação diária. É verdade que temos que trabalhar para sobrevivermos, mas nosso esforço é secundário. É como o árduo trabalho dos pássaros buscando por grãos: Sem Deus provendo os grãos através da natureza, a busca deles, independente de o quanto minuciosa, seria infrutífera. Similarmente, sem a criação de Deus do milagroso mecanismo da fotossíntese, que transforma "lama em mangas" (uma proeza muito superior ao que fazem os melhores cientistas e computadores de última geração) e nos permite ter acesso a algum alimento, não haveria qualquer relevância para o quanto nos esforçássemos. Todas as nossas necessidades – calor, luz, ar, água, saúde – são similarmente satisfeitas primeiramente por arranjo divino e secundariamente por empenho humano.

Infelizmente, nossas mídia, cultura e educação nos ocupam com tantos atrativos materialistas que ficamos cegos ao fato de nossa dependência de Deus e de nossos deveres para com Ele. Temor a Deus é o começo da sabedoria, assim como o medo saudável de um pai amável é necessário para que uma criança inquieta e levada se torne disciplinada e responsável. E amor a Deus é a culminação da sabedoria, assim como gratidão e amor por um pai benevolente demonstra a maturidade de um filho crescido.

Lamentavelmente, os formadores de opinião de nossa sociedade nem amam a Deus nem O temem, senão que exaltam o materialismo egoísta e ímpio. Consequentemente, nos dias atuais, muitas pessoas são extremamente egoístas em sua relação com Deus. Elas não dedicam sequer alguns instantes à pessoa que lhes deu a própria vida. Em uma família, se um filho não cuida de seu pai, que é sua conexão com seus irmãos, ele logo deixará de se importar com eles também. De fato, ele talvez até mesmo se torne mal disposto com eles porque eles serão seus competidores na obtenção da herança. De maneira similar, egoísmo para com Deus é a origem de todo o mal. Todos nós plantamos essa semente maligna em nossos próprios corações e agora estamos forçosamente tendo de nos alimentar de seus frutos amargos – terrorismo, corrupção, crime, exploração – tudo isso produto de nossa luta entre nós mesmos pelo domínio sob os recursos do mundo, a herança de Deus para nós.

Heróis Divinos

O Ramayana nos brinda com um vislumbre de heroísmo e vilania, de amor desmotivado e de luxúria egoísta. O Senhor Rama e Sua consorte, Sita, são os eternos herói e heroína. Hanuman, o herói religioso, personifica a tendência de desinteressadamente assistir ao Senhor em Seu amor divino; ao passo que Ravana, o irreligioso vilão, personifica a tendência egoísta de nos assenhorearmos da propriedade do Senhor para a nossa própria satisfação luxuriosa. O piedoso herói aspira desfrutar com Deus, enquanto que o impiedoso vilão deseja desfrutar como Deus.

Entretanto, em um filme típico, todos os personagens principais – o herói, a heroína e o vilão – têm a mesma mentalidade nociva de querer desfrutar sem se importar com Deus. No herói e na heroína, as vestes de romance mascaram essa disposição mental, enquanto que o vilão a expressa sem reservas. Mas todos eles são Ravanas, a diferença estando apenas nas tonalidades de cinza.

Nosso empenho egoísta em imitar heróis e heroínas, quer em filmes quer na vida real, é intrinsecamente maléfico, e serve de combustível para todos os males maiores que tememos. Em última instância, nosso mal retorna para nós tal qual um bumerangue, pois ele perpetua a ilusão de nossa identificação corpórea equivocada, e nosso corpo nos sujeita às torturas da velhice, da doença, da morte e do renascimento – mais uma vez, mais uma vez e mais uma vez.

É claro que não temos que sufocar nosso impulso natural de querermos ser especiais. Como Hanuman, todos nós também podemos ser heróis – a serviço do herói supremo. Infelizmente, nossa sociedade apresenta a tendência Ravânica como heróica e a propensão Hanumânica como ultrapassada.

Uma Lição de Esperança

O Ramayana revela que Ravana, apesar de sua extraordinária propensão, nunca estava satisfeito, mas antes sempre ávido por mais. Não é essa a condição de nossa civilização moderna? Todo o poderio e riqueza de Ravana não puderam nem lhe dar felicidade nem salvá-lo da destruição final. A derrota final de Ravana nos lembra do destino que aguarda a nossa sociedade se ela continuar com seu egoísmo ateu.

Contudo, a queda de Ravana não é apenas um aviso apocalíptico; é também um arauto de esperança e felicidade, porque nos ensina que o Senhor é competente na destruição do mal tanto interior como exterior. O mesmo Senhor Rama que destruiu Ravana há milênios apareceu agora como Seu santo nome para destruir o Ravana no íntimo do coração das pessoas. O santo nome nos oferece felicidade verdadeira, não por meio da imitação de Deus, mas por meio do amor a Deus; não nos tornando heróis de imitação, mas nos tornando heróis-servos.


Originalmente publicado em Back to Godhead [Volta ao Supremo], revista fundada por Sua Divina Graça Srila Prabhupada no ano de 1944

FESTIVAL DE RAM NAVAMI

Por juliana

O festival de Ram Navami é a celebração do aniversário de Lord Ram.
Lord Ram é a sétima encarnação do Deus Vishnu. A celebração se dá no nono dia do mês hindu Chiatra (esse ano a data é 24 de março).
Ram Navami marca o final do festival de nove dias chamado Vasant Navratri.
A celebração desse dia começa com uma prece para Surya (Deus Sol) logo no inicio da manhã. Ao meio dia, hora que supostamente Lord Ram nasceu uma prece especial é realizada.
Ram Navami é realizado no inicio do verão, quando o sol começa a sua aproximação no hemisfério norte. O sol é considerado o protetor da dinastia de Ram. A hora do nascimento de Lord Ram é justamente quando o sol está no seu ápice.
A cidade de Ayodhya no estado de Uttar Pradesh é o principal ponto de peregrinação por ser a cidade natal de Ram. Procissões com carruagem carregando imagens de Lord Ram, sua esposa Sita, seu irmão Lakshaman e de Hanuman percorrem as cidades.

Read more: http://jueboskie.blogspot.com/#ixzz0j5sIVsrz

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ESPECIAL RAMAYANA - CENTRO DE ESTUDOS VIDYA MANDIR


Março – Especial Ramayana


É dito que de tempos em tempos, quando o Dharma declina, Visnhu, o mantenedor do Universo, assume uma forma terrestre com o objetivo de restaurar a ordem e harmonia. Uma das formas mais famosas é Rama, que até hoje é celebrado como símbolo do próprio Dharma. De fato, de todos os personagens que compõem a mitologia hindu, Rama é aquele que vem à mente ao se pensar em Dharma.

Nos dias 23 de Março e 06 de Abril, serão comemorados no Vidya Mandir dois festivais, relacionados a Rama e seu fiel companheiro Hanuman, cuja história é contada no épico Ramayana.

O festival de Ramanavami ocorre no nono dia à partir da Lua Nova do mês hindu de Chaitra, que geralmente cai em Março ou Abril. O Ramayana conta que, nesta data, Rama teve seu nascimento, e os hindus comemoram de diferentes maneiras, evocando o Dharma em suas vidas.

A história conta que Rama atravessou toda a Índia, saindo de Ayodhya, ao norte, e chegando em Lanka, ilha ao sul do sub-continente. Seu objetivo era resgatar sua esposa, Sita, raptada pelo asura Ravana. No caminho, Rama derrotou diversos asuras e rakshasas, restaurando assim o Dharma.

Nesta jornada, Rama foi sempre acompanhado por Lakshmana, um de seus irmãos, e Hanuman, seu fiel companheiro. Este último, sendo filho do Vento e tendo a força do Prana, liderou o poderoso exército de macacos, que foi crucial para o êxito da jornada. Hanuman sempre age em nome de Rama, representando, assim, o devoto que sempre age com a visão de Isvara, o Todo, em mente. É dito que não há maneira mais efetiva de se alcançar Rama senão mediante Hanuman; desta forma, ele também representa a capacidade de disciplina em nome do Dharma.

O festival de Hanuman Jayanti comemora seu nascimento, e ocorre na Lua Cheia do mês de Chaitra, alguns dias depois do Ramanavami.

Este ano, dedicaremos o mês de Março a Rama e Hanuman, com encontros semanais e disciplinas até o dia 6 de Abril. Este período é especialmente dedicado ao questionamento sobre o Dharma, e por isto a história do Ramayana será contada nos encontros, uma vez que é repleto de situações que ensinam sobre este tema. Além disto, em cada encontro, cantaremos bhajans e executaremos uma Puja.

No dia 30, será falado sobre o Hanuman Calisa, poema escrito por Tulsidas no séc. XVI e cantado até hoje por milhares de devotos dedicados a Hanuman.

Dias:

23/02/10, 19h - Bhajans; Ramayana I; Puja
02/03/10, 19h - Bhajans; Ramayana II; Puja
09/03/10, 19h - Bhajans; Ramayana III; Puja
16/03/10, 19h - Bhajans; Ramayana IV; Puja
23/03/10, 19h - Comemoração do Ramanavami (que ocorre dia 24/03)
30/03/10, 19h - Bhajans; Hanuman Calisa; Puja
06/04/10, 19h - Comemoração do Hanuman Jayanti (que ocorre dia 29/03)

Durante este período, diversas disciplinas são sugeridas, como as que se seguem abaixo:

* Satya Vrata: Falar apenas o que for verdade, que seja útil, e de forma agradável;
* Atenção ao Dharma: trazer à mente a reflexão sobre o Dharma e a atitude de Karma Yoga;
* Caderno de Rama: preencher um caderno novo, pequeno, com o nome de Rama, de preferência em Devanagari. A cada dia, deverão ser preenchidas algumas páginas, de modo a oferecê-lo completo na Puja do dia 23/03. Simbolicamente, oferecemos todas as nossas ações à Ordem, que é o próprio Dharma;
* Japa: fazer uma volta de Mala por dia com o mantra de Rama, até o dia 24/03, dia de Rama.
* Japa: fazer uma volta de Mala por dia com o mantra de Hanuman, do dia 24/03, dia de Rama, até o dia 06/04, comemoração do dia de Hanuman.

Pode-se fazer todas as disciplinas, bem como apenas algumas delas.

O primeiro encontro será dia 23/02, terça-feira, e iniciaremos as disciplinas dia 24/02, quarta-feira.

"O Dharma protege aquele que protege o Dharma"

Jaya Sri Rama!

CENTRO DE ESTUDOS VIDYA MANDIR
Rua Miguel Lemos 44/ 902 - Copacabana - RJ
www.vidyamandir.org.br / tel: (21) 2287-2774



O QUE É O DHARMA?
Swami Dayananda Saraswati
(Palestra de Swami Dayananda proferida na Califórnia, USA, para a revista Mananam.)

A palavra dharma é derivada da raiz sânscrita dhr, que tem certo número de significados, sendo os principais "existir, viver, continuar" e "segurar, suportar, sustentar". A própria palavra dharma acabou sendo usada numa larga variedade de sentidos, a maioria relacionados com as traduções mais comuns: retidão, virtude, dever.

Num sentido mais amplo, dharma refere-se à natureza ou caráter do que quer que seja. Nessa ordem de idéias, é possível falar do dharma de um objeto inanimado, ou de plantas e animais. O dharma, ou natureza, do fogo é proporcionar calor e luz. O dharma de uma vaca inclui dar leite e pastar. O dharma da vaca não inclui ficar à espreita e matar presas.

A natureza do ser humano, como ensina o Vedanta, é a plenitude absoluta. E é em relação ao indivíduo que não reconheceu sua própria plenitude que dharma pode ter diversas mudanças de significado.

Todos os objetivos que alguém procura na vida cabem em quatro categorias: segurança, prazer, dharma e liberação. Os desejos de riqueza e segurança e de prazeres sensoriais são compartilhados por todos os seres vivos. Quando se trata de animais, a busca desses bens é governada pelo instinto. A vaca masca a grama por instinto, não por escolha. Toda ação envolve escolha de finalidades e meios para atingir um dado objetivo. Cada um pode agir em harmonia com sua natureza, em contato com outros indivíduos ou dentro da sociedade, ou pode não fazê-lo. Assim, para o ser humano, são valores que governam as ações ou a busca de segurança e prazer. Uma vez que valores são sujeitos a variações e mudanças, cada um deve ter um conjunto de linhas de conduta que governe seus valores.

Esse conjunto - ética - é chamado dharma. Dharma inclui tanto uma ética do bom senso, escolher minhas ações de maneira a não agredir os outros, como uma ética religiosa, que diz não me ser possível escapar dos resultados das minhas ações. Ações corretas ou incorretas levam a resultados conseqüentes, seja nesta vida ou depois dela.

O quarto objetivo desejado - o que dá fim a todos os demais desejos e objetivos - é moksha, a liberação. Liberação e reconhecimento da própria natureza como plenitude e totalidade. A pessoa liberada, como um ser pleno, não tem mais desejos e sua vida só pode estar em harmonia com tudo que a cerca. É um exemplo vivo de dharma a ser seguido por todos. Até que se alcance essa plenitude, as leis do dharma se mantêm como linhas de ação que norteiam a vida. Vivendo uma vida reta e virtuosa, a pessoa prepara a mente para receber o ensinamento que lhe trará moksha.