segunda-feira, 6 de julho de 2009


Coruja de Jener/1958, coleção particular de Fred e Dila Matos



Aracajú, SE, 11/11/1924)
Sergipano de nascimento, Jenner Augusto foi, no entanto, um dos integrantes do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, durante a década de 50, junto com Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho, Carlos Bastos e Carybé, entre outros. Antes disso, em seu estado, foi o precursor da Arte Moderna, já que em 1949 realiza os murais decorativos do Bar Cacique, com claras referências à obra de Portinari.
Filho de uma professora, Jenner passou grande parte de sua infância mudando pelas cidades do interior de Sergipe. Humilde, trabalhou como engraxate, sapateiro, ajudante de alfaiate, pintor de paredes, até começar a fazer cartazes para filmes. Começa a se interessar pela obra de Horácio Hora (1853 - 1890) na década de 40, o que incentiva a sua pesquisa no campo da pintura. Seus primeiros trabalhos são acadêmicos, já que o contato com o Modernismo já amadurecido no Rio de Janeiro e em São Paulo era quase impossível. Por volta de 45, data de sua primeira exposição, começa a integrar-se no ambiente artístico de Aracajú, e em 49 realiza a decoração do Bar Cacique, marco da Arte Moderna no Sergipe, onde aparece clara influência de Portinari, prova que as informações dos centros culturais do país começavam a chegar às capitais.
Neste mesmo ano muda-se para Salvador, onde conhece Mário Cravo e Rubem Valentim, com eles expondo no ano seguinte na mostra Novos Artistas Baianos, junto com Lygia Sampaio. Nos anos seguintes, além de participar da I Bienal de São Paulo (51), realiza importante mostra na Galeria Oxumarê, de Salvador (52), participa do Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio, em 53 voltando a expor até 62, além de receber o prêmio de viagem da UFBa no V Salão Baiano de Belas Artes (54). Expondo no Rio de Janeiro, em 55, conhece Portinari e Pancetti, que divulgam o artista no meio artístico. É neste mesmo ano que conhece o maior divulgador de sua arte e um de seus maiores fãs, Jorge Amado.
Sua obra, esta altura, era marcada pela influência de Portinari, e a temática começava a tornar-se baiana, sempre retratando trabalhadores e cenas cotidianas. Em 53 realiza o afresco Evolução do Homem, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, que além de Portinari, carrega forte influência do muralismo mexicano, como de resto acontecia com outros artistas da época. A partir do final da década, no entanto, Jenner se aproxima da abstração lírica, e seu trabalho demonstra uma maior preocupação cromática, em detrimento da linha.
Retoma a figuração logo depois, com a série Alagados, denunciando a pobreza ao mesmo tempo que pintando com um colorido que dá à estas obras um extremo lirismo. Surgem outras séries, como a dos Coroinhas, mas de maneira geral, a partir do final dos anos 60, sua obra é paisagística, oscilando sempre entre o figurativo e o abstrato, com predomínio constante dos grandes planos cromáticos, sem grandes inovações até os dias atuais.
Cassandra de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]

YOGA E LIBERDADE - Tales Nunes




Yoga e Liberdade foi o tema do curso administrado por Tales Nunes no espaço Lumen em Maceió.
Foto do grupo por Weliton


Liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é. Qual, afinal, é o objetivo do Yoga? Para que fazermos tantas ações e criarmos uma disciplina de prática de Yoga? Parto do princípio de que o objetivo de praticarmos Yoga é alcançarmos a liberdade. Mas, se buscamos alcançar a liberdade, é porque não somos livres. Então, o que nos aprisiona?

O mundo, a realidade, é como é. Nós imprimimos sobre ele valores, desejos e expectativas, a tal ponto de podermos dizer que existe um mundo em cada mente humana. Há uma maneira de ver e de interpretar o mundo em cada pessoa.

A nossa mente deve ser uma ferramenta de aprendizado e amadurecimento que possuímos, mas, na verdade, a nossa mente nos possui. Ela nos leva para passear junto com ela em seus altos e baixos. Poderia ser diferente? Bom, vamos pensar que podemos ter três tipos de posturas em relação à nossa mente: reativa, reflexiva e contemplativa.

Como, porém, podemos ser algo em relação à nossa mente, se nós somos a mente? Primeiro devemos entender que não somos a mente, que a mente é parte de nós. Quando realizamos isso, começa o caminho para a liberdade.


Uma mente reativa


Os valores que cada um de nós possui são construídos a partir do tempo, do local e da circunstância em que estamos inseridos, assim diz a psicologia, a sociologia e a antropologia. Cada uma dessas disciplinas dá ênfase a um determinado aspecto da formação da identidade do ser humano, seja social ou individual.

O Yoga, por sua vez, inclui outro fator não comumente falado pelas ciências do homem: os efeitos produzidos por vidas passadas, que têm influência sobre o que vivemos hoje. A idéia é que nascemos nesse local, nessa família, nesse período, justamente por influência de ações anteriores ao nascimento1. O objetivo deste artigo não é discutir o que acontece antes do nosso nascimento, ou após a nossa morte, mas o que acontece no meio.

Nascemos numa família, com pais e irmãos que vão se relacionar conosco de determinada maneira, que vão nos influenciar de um jeito, de modo tal que vamos construindo nossa identidade a partir desse relacionamento e de outros que vão além da nossa família e incluem as relações com nossos vizinhos, com outras pessoas que vivem na cidade e no país em que residimos.

Depois de começamos a falar, seja qual for a língua, nasce dentro de nós uma vozinha que irá nos acompanhar pelo resto da vida. Uma vozinha que olha para o mundo exterior e se identifica, qualifica, julga o mundo bom ou ruim de acordo com os gostos e aversões que se desenvolverão e se arraigarão dentro de nós ao longo do tempo.

Nós somos estimulados a construir a nossa identidade a partir da ilusória idéia de autonomia, pois a sociedade em que vivemos idolatra esse valor. É inculcado em nós o desejo intenso de sermos diferentes dos outros, de querermos uma roupa que seja diferente, um carro, um celular que seja a nossa cara. A idéia de sermos diferentes dos outros está tão fortemente arraigada que, quando encontramos alguém vestido igual a nós, sentimo-nos constrangidos. Por quê? Porque desejamos ser diferentes. Desejamos possuir uma história de vida que seja única e contar essa história de vida com todo o orgulho e apego.

Assim, então, criamos as nossas identificações com certas coisas e as nossas desidentificações com outras, formamos a nossa personalidade, os nossos apegos e aversões. E quanto mais o tempo passa, parece que mais nos apegamos a essa construção. Quanto mais realidade damos à nossa idéia de identidade, mais grudados nos tornamos aos condicionamentos, padrões mentais, emocionais. E a vozinha interna, a própria voz do ego que torna todas as experiências auto-referentes, ganha mais força de realidade, a ponto de acharmos que somos apenas a nossa personalidade.

Apegados a essa vozinha interna, reagimos constantemente perante os outros, perante a vida, ao invés de agirmos de acordo com as circunstâncias. Queremos que o mundo e as pessoas sejam como nós desejamos. Sentimo-nos presos pelo mundo porque a nossa felicidade depende dele e tentamos controlá-lo à nossa maneira. Ou seja, sentimo-nos presos pelo mundo e pelas pessoas e ao mesmo tempo tentamos aprisioná-los.


Uma mente reflexiva


Uma mente reflexiva é uma mente capaz de olhar para si mesmo, para esse constante movimento, com o mesmo olhar imparcial com que olhamos para os fenômenos externos a nós. Tal mente permite vermos que é ilógico ter como referência de nós mesmos aquela mente oscilante.

A nossa mente trabalha fazendo conexões, encadeamentos, tendo como matéria um conteúdo que acumulamos ao longo do tempo: memórias do que vimos, ouvimos e vivemos: a nossa própria história de vida. A nossa história de vida pode ser resumida na nossa reação de aproximação do que desejamos, o que achamos que nos faz bem, e da reação de afastamento do que não gostamos, do que achamos que não nos faz bem.

Mas se pararmos e olharmos para o nosso eu relacional, a nossa personalidade, vemos que é completamente mutável. Aquilo de que gostamos hoje, desgostamos amanhã, o que nos faz feliz hoje, amanhã se torna um problema. Estou alegre, estou triste. Estou calmo, estou com raiva. Estou bem, estou mal. A mente sempre vai variar entre esses estados, “bons” e “ruins”. E se estamos identificados com o conteúdo da nossa mente, quando a mente estiver bem, eu estarei bem e o mundo todo parecerá estar perfeitamente bem. Porém, quando a mente estiver mal, eu estarei mal e o mundo inteiro parecerá estar errado.

As qualidades das coisas não estão nas coisas, estão em nós mesmos. Nós imprimimos sobre o mundo os nossos valores. As coisas e as pessoas em si não têm qualidade de nos aprisionar, de nos tornar felizes, tristes ou raivosos. Vendo isso, abstemo-nos de culpar os outros pela nossa infelicidade, pela nossa falta de liberdade, ou o que quer que seja.

Ninguém e nada tem esse poder, pois somos nós mesmos investimos as pessoas e as coisas desse poder. Esse reconhecimento é a grande qualidade de uma mente reflexiva, pois traz para si mesmo a responsabilidade pela própria felicidade, sem julgamentos, pois não é justo conosco nos julgarmos com base num estado momentâneo da mente. Esse estado, amanhã, pode ser completamente diferente. E nós não temos controle nem poder sobre como nós podemos ser ou como podemos estar amanhã ou daqui a duas horas.

A compreensão de que é ilógico julgarmos os outros e nós mesmos confere-nos liberdade, aceitação e relaxamento para sermos o que devemos ser no momento e as outras pessoas a serem do jeito que são.


Uma mente contemplativa, uma mente livre


Se somos capazes de olhar para o que pensamos ser o nosso verdadeiro eu como objeto, é porque existe algo mais que é sujeito. Ou seja, é porque existe algo mais dentro de nós que não é apenas uma personalidade formada de gostos e de aversões e que constantemente reage diante das situações impostas pelo mundo.

Uma mente contemplativa é capaz de perceber uma presença silenciosa além de seus próprios ruídos, além da vozinha interna constantemente a conversar. É uma mente que tem a capacidade de permanecer tranqüila diante da agitação, serena diante da tristeza, pois reconhece em si toda a paz e plenitude que antes buscava fora, nos objetos externos.

Ao criar esse distanciamento em relação aos seus próprios movimentos mentais, reconhece a desidentificação com a própria história de vida e todos os dramas que a mente cria para nos aprisionar. Quando viajamos de avião, vemos todos lá embaixo, bem pequenos, e todos os dramas (trânsito, chateações, apegos, anseios) parecem também ficar bem pequenos, exatamente porque neste momento temos a visão do todo e não a visão centrada em nós mesmos e nos nossos pequenos conflitos diários.

Uma mente contemplativa é uma mente livre, livre de si mesmo, pois apenas nós mesmos temos a capacidade de nos aprisionar. Ao se ver livre das identificações com o conteúdo mental, com os dramas pessoais, há a possibilidade de rir de si mesmo, de não se levar tão a sério. Quando estamos dentro de um cinema, assistindo a um filme, emocionamo-nos e identificamo-nos com os personagens e até mesmo choramos. Mas a todo o momento não perdemos a consciência de que aquilo não é real, é uma ficção, uma encenação. Assim também é a vida, mas, quando estamos apegados a ela, não conseguimos reconhecer que a vida é um grande espetáculo, muito bem orquestrado e pensado, como o filme.

Uma mente contemplativa, livre, reconhece e, assim, aprecia. Aprecia tanto a vida, todos os aspectos da criação - a natureza, os animais em sua imensa e bela variedade e formas -, como aprecia a si mesmo, os seus próprios estados mentais, sejam eles considerados bons ou ruins, como parte do mesmo Todo; como manifestações da Consciência que aprecia brincar com as formas e com o movimento.

A vida é feita de luz e de movimento constante. O que nasce hoje já tem a sua morte anunciada e dela o surgimento de algo novo. Cabe a nós apenas apreciarmos esse belo espetáculo que é a vida. Para isso, é necessário discriminação, desapego e aceitação.

Discriminação para saber que todos os objetos que os nossos sentidos possam apreender são perecíveis, porém a nossa essência é eterna. Desapego para que possamos contemplar as mudanças, internas e externas. E aceitação para acolher a si mesmo e ao mundo como eles se apresentam.

Termino reafirmando: liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é.


Tales Nunes pratica e estuda Yoga desde 1997. Atualmente ministra cursos de formação pelo Brasil, em Brasília, Goiânia, Aracaju e Salvador. É autor do livro: "O Yoga e o Ser". Tales é mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina, com dissertação defendida sobre a representação do corpo no Yoga. É editor dos Cadernos de Yoga.
Seu email é tales@cadernosdeyoga.com.br.

www.yoga.pro.br

YOGAÑJALISARAM - KRISHNAMACHARYA


SLOKA 9

Aquele que não cantam os Vedas
Nem oferecem devoção ao Sol
Põem em risco essa Terra sagrada
Porque desrespeitam o darma.


Extrído do livro O Coração do Yoga de T.K.V.Desikachar
foto da net

quarta-feira, 27 de maio de 2009

ARTE ESCRITA - FESTA NO PIAU - FRED MATOS

Foto: Marisa Vianna

UM POUQUINHO DE FRED MATOS

FRED MATOS nasceu em Salvador Ba. É poeta, contista e romancista, tem três livros publicados: EU MEU OUTRO, ANOMALIAS e MELHOR QUE A ENCOMENDA, e varias publicações em antologias, com o conto “Transe” ele foi premiado em 14° lugar do Concurso Nacional de Contos Luiz Vilela.
http://eumeuoutro.blogspot.com/ onde ele expõe sua arte.



FESTA NO PIAU


Dona Alzira, moça velha já beirando os 70 anos, ciosa na função de governanta da casa grande da fazenda do Dr. Paulo Albuquerque, mas já alquebrada pelos anos na dura labuta abraçada com fervor religioso para sofrear as jamais consumadas, mas ainda recorrentes paixões carnais, foi quem recrutou as mulheres para arrumar e enfeitar a casa para a fuzarca. Cristina, a mais bonita delas, chegou com o sol ainda nascendo. Pés no chão trajava gola e mangas puídas, um velho vestido de chita muito apertado, sobretudo nas ancas generosas, pois, como lamenta dona Josefa, “as roupas não crescem com as crianças”.
Paulo, solteirão por opção, aparenta dez anos menos que os 47 que tem. Cirurgião conceituado na Bahia aplica todo o tempo ocioso na fazenda comprada há quase 20 anos, quando, no inicio da carreira, medicava em Valença, sua cidade natal. É um homem que ama a natureza e prefere a convivência com as pessoas simples do lugar que entre os citadinos. Aos colegas se justifica dizendo que prefere ser o maior peixe em um lago pequeno do que um peixe pequeno em uma grande lagoa. No Piau, onde é a grande personagem, ninguém faz reparo nas mulheres que traz de Salvador para o gozo nas longas e frias madrugadas.
João comprou cuecas novas e, pela primeira vez, tirou da gaveta a calça Lee presenteada no Natal pelo padrinho. A camisa domingueira, de linho branco, foi herança do pai, o velho Honorato. O coitado, João marejou os olhos ao lembrar, morreu abraçado com a mulher, Cremilda, sua mãe, no capotamento, ano passado, de um pau-de-arara em romaria a Bom Jesus da Lapa. Filho único, ficou órfão aos 18 anos e toca sozinho o pequeno sítio. O sustento é garantido pela pouca farinha que consegue produzir e vender na feira. Dinheiro a mais, para os lavradores do lugar, só na safra do cravo, de dois em dois anos. Nessas ocasiões, pai e mãe ainda vivos, o apurado era depositado em uma caderneta de poupança na Caixa Econômica, em Valença, maior cidade da região. Sua primeira safra após a orfandade ainda é promessa nos frágeis arbustos. O intento do moço é, vendida a safra, sacar toda a Poupança e, junto com o apurado do ano, reformar o velho casebre e a casa de farinha, comprar uma bicicleta e casar com Cristina. Uma parte está reservada para a lua de mel: uma semana em Morro de São Paulo, paraíso tão próximo, mas onde foi apenas uma vez, levado pelos pais como presente de aniversário, em ano de boa safra.
Ah! Morro de São Paulo, de inesquecíveis lembranças. João, menino taludo, pedra nos peitos e primeiros fios de pentelho aflorando, completava 13 anos. Na praia mais próxima à antiga vila os pais fizeram pouso e ele, usufruindo a liberdade que só é dada às crianças criadas no interior, apressou-se em conhecer o que fosse possível até a hora marcada para voltar. Atraído para uma mangueira carregada de frutos maduros, transpôs a porteira de uma fazenda à beira-mar e lá foi premiado com a sorte de encontrar uma mulher estrangeira, dona da propriedade, que aliando experiência e paciência transmitiu-lhe as primeiras lições da difícil arte da satisfação da libido.
Dona Josefa passou goma no melhor vestido da filha. Na festa do Doutor Paulo todos usam suas melhores roupas mesmo sabendo que não são tão bonitas quanto as dos convidados que chegam de Valença e de Salvador. O doutor, ela matutava, “é um amor de pessoa. Tem o defeito de ser solteiro e mulherengo, trazendo diferentes amigas a cada final de semana, mas sempre respeitando as moças do Piau, além do mais, trata pobres e ricos da mesma forma: dançam todos no mesmo salão e comem dos mesmos petiscos. Muitas crianças da região lhe são dadas para batizar e aos afilhados presenteia no Natal e na data do aniversário. Até escola construiu na fazenda e conseguiu professora do Estado para dar as aulas”. Cristina pediu ao pai para comprar vestido novo, mas está tudo tão caro e os cravos ainda estão verdes no talo. O cacau, que nos bons tempos garantia o sustento, às vezes até algum luxo, já não tem bom preço e as árvores, atacadas de pragas, produzem muito pouco. Dona Josefa nunca tinha visto a filha tão excitada. Cristina, que completou 17 anos em junho, ainda não fala em casar e desdenha quando ela fala no assunto. A mãe só lhe notou algum interesse por homem, em um sábado de feira em Itabaina, quando cruzaram com o filho do finado Honorato. Não tardou em avisar que o pai não consentiria em namoro com o moço, apesar de afilhado do Doutor Paulo. Recebeu como resposta um “tá doida mãe?” E desocupou-se do caso.
Cristina é, no aspecto físico, um belo exemplo da miscigenação que produziu a raça brasileira. Dos indígenas herdou os cabelos pretos e lisos que escorrem, quando os tem soltos, até o meio das costas. São da raça branca as feições delicadas do rosto e os olhos castanhos claros, quase verdes. Dos negros tem, sobretudo, a bunda suculenta que requebra voluptuosa fazendo com que, à sua passagem, os homens paralisem a labuta para sonhar prazeres improváveis. A cor da pele, acobreada, resulta da mistura dessas três raças.
O cabelo preso em coque, ela estava de quatro, areando o piso do banheiro, a bunda balançando no ritmo do vaivém do braço, quando Paulo entrou e trancou a porta. Ficou pálida, mas não disse palavra. Ele tirou a roupa, exibindo o pau, já duro. Ela tentou sair, mas foi abraçada pelo médico que, desinibido, desabotoou os seus trapos enquanto passava a língua pelo seu ouvido. Cristina, transida de desejo, voz sussurrante, pretextou sua condição de virgem e disse de João e dos planos que tinham. Paulo tranqüilizou-a garantindo o casamento com o afilhado: “Se você não contar, ele nunca vai saber”, ele prometeu.
Naquele exato momento, na roça de mandioca, João extraia as raízes da terra sonhando com a consumação do ato sexual que unirá o seu destino ao de Cristina. Pensava, com boa razão, que, em conseqüência, seu Ramalho, pai de amada, nada poderia objetar para impedir o casamento. Mesmo a velha rixa do pai da noiva com o finado Honorato, resultado de disputa por mulher quando eram moços, seria finalmente esquecida. Imaginou seu pênis penetrando Cristina, que até então só lhe havia permitido botar nas coxas e que, uma única vez, havia concordado em chupar seu pau, o que fez com lamentável imperícia. João lembrou-se da italiana do Morro de São Paulo lambendo-lhe cada milímetro de sua glande e bebendo ávida o suco branco e quente que ejaculara abundante. Não podendo conter-se se masturbou idealizando estar sodomizando a namorada.
Usando da delicadeza possível em circunstância como aquela Paulo havia rompido o hímen de Cristina sem que ela chegasse ao gozo. O médico explicou-lhe que era assim na primeira vez, mas que ela não ficaria decepcionada, esperasse um pouco até que ele estivesse refeito do esforço. Estavam deitados em uma enorme banheira - esse útil aparelho sanitário aposentado pela moderna arquitetura -, imersos em água morna, quando o médico foi chamado pela rapariga que ele tinha trazido de Salvador. Ele deixou entrar, para constrangimento da matuta, uma escultura loura com não mais que 20 anos. A intrusa deixou cair o roupão revelando atributos de beleza que Cristina nem sonhava ser possível existir. Sem que nenhuma palavra tenha sido dita, a loura deitou-se ao lado da roceira tocando-a com uma ciência que poucos homens conquistam. Paulo juntou-se a elas e foi então que Cristina experimentou o seu primeiro orgasmo, com a loura lambendo-lhe o clitóris.
João, o sol ainda a pino, voltou cedo da roça, descarregou a mandioca na casa de farinha, desarreou o burro e desceu a ribanceira até o riacho, divisa da sua pequena propriedade com a fazenda do padrinho. Há muito o rapaz não se empenhava tanto no asseio: festa na casa do Doutor é o melhor programa da região banhada pelo rio Piau e, principalmente, porque Cristina fora enfim convencida a se fazer mulher e que, com todos entretidos na festa, oportunidade melhor não poderia haver para a consumação do ato.
Refeitos do gozo, Paulo inteirou-se com Cristina dos detalhes do plano de João. O afilhado tinha combinado com a namorada esperá-la, às 22 horas, auge da festa, quando ninguém daria pelas suas ausências, no pequeno quarto onde o médico guardava selas e arreios dos animais. O médico instruiu a moça a proceder conforme queria João e mais uma vez garantiu que tudo iria dar certo. Cristina voltou para casa após o almoço vivenciando humores ciclotímicos. Em alguns momentos tomava-se de pavor imaginando estar estampado no seu rosto o acontecido pela manhã. Em poucos minutos estava sorrindo, convencida pelas promessas de Paulo e ansiosa para que se repetisse o prazer nunca antes gozado.
Logo no inicio do baile, o médico convidou o afilhado a acompanhá-lo em umas doses de uísque. O rapaz, que não podia acercar-se da namorada na presença dos pais e irmãos da moça, aceitou com prazer e orgulho a especial deferência. A João preocupava apenas o ficar de olho no relógio enquanto Paulo entretinha-o falando das novidades tecnológicas das grandes cidades do mundo. Na hora aprazada para o encontro o rapaz estava completamente bêbado e foi aconselhado pelo padrinho a tirar uma soneca: “use o quarto dos arreios, se precisar pode ficar até amanhã”. O médico saiu para o salão e João, trôpego e ofegante foi esperar Cristina.
No salão o baile corria solto, Paulo com licença de seu Ramalho, tirou Cristina para dançar e sussurrando instruiu-a a ir ter com o namorado. Avisou-a que provavelmente o encontraria dormindo e que, se assim fosse, que o despisse completamente e que nua o tomasse nos braços. Finda a dança, Paulo acercou-se do pai da rapariga com quem puxou conversa sobre coisas da lavoura, sobretudo quanto à necessidade da erradicação dos cacauais infectados pela “vassoura-de-bruxa”. Conversa vai, conversa vem, convidou Ramalho para ver a sela nova que havia comprado em recente viagem aos Estados Unidos: “coisa do outro mundo seu Ramalho, o senhor vai ficar de queixo caído com o que vai ver”.
No quarto, como havia previsto o médico, Cristina encontrou o namorado dormindo sobre um leito improvisado com as peles e panos que são usados para que os animais não sejam feridos pelas selas e procedeu como instruída pelo médico. Quando acabou de tirar a roupa de João, ela também nua em pêlo, João despertou e sonolento tomou-a nos braços. Vencendo o torpor causado pelo álcool, graças à sua juventude e ao enorme desejo acumulado desde quando a conhecera, João penetrava Cristina, sem se dar conta de não encontrar a resistência esperada de um hímen intacto, no exato momento em que, aberta a porta e acesa a luz, entravam Paulo e o pai da moça.
A reação violenta do velho Ramalho foi contida pelo médico com grande esforço físico. Estivesse o velho armado e a festa de aniversário de Paulo teria se transformado em palco de uma tragédia. Dominado, porém, o inicial impulso homicida, Ramalho foi acometido de grande lassidão, logo aproveitada por Paulo para acomodar a situação conforme sua própria conveniência. Pretextando sentir-se culpado pelo acontecido se ter dado em sua casa e por obra de afilhado seu, prometeu que tudo faria, inclusive financeiramente, para a felicidade do jovem casal. Pensando em seu deleite comunicou que já era tempo de aposentar a velha governanta e que seu lugar poderia ser ocupado por Cristina, moça prendada e trabalhadora, se a isso não houvesse objeção do pai ou do futuro marido. Que eles ficassem tranqüilos, pois sabiam que, apesar de homem solteiro, “sempre respeitei e sempre respeitarei todas as moças do meu querido Piau”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

PASHUPATI











PASHUPATI é uma das primeiras representações de SHIVA e surgiu no neolítico, por volta de 4.000 a.C.. O nome significa "O senhor dos Animais" (pashu = animais, feras, bestas; pati = senhor, mestre). Ele é representado com três faces, olhando o passar do tempo ( passado, presente e futuro). A coroa em forma de cornos de búfalo evidencia a proximidade de SHIVA com esse animal que representa as forças da terra e da virilidade. PASHUPATI está sentado em posição de meditação, o que nos faz pensar que as técnicas meditativas já existiam naquele período. Os quatros animais ao seu redor são o tigre, o elefante, o rinoceronte e o búfalo. Por ser o senhor das feras, PASHUPATI podia meditar entre eles sem ser atacado.

Mas, há um outro simbolismo. Esses animais podem representar nossas emoções e instintos mais básicos como o orgulho, a força bruta, o ódio e a sexualidade desenfreada. PASHUPATI, então, é também aquele que Domou suas feras inferiores, suas emoções e convive sabiamente com elas.

O shiva Purana, conta que os deuses estavam em luta com os demonios e, como não estavam conseguindo vence-los, foram pedir auxilio a SHIVA. SHIVA lhes disse: "Eu sou o Senhor dos Animais (PASHUPATI). Os corajosos titãs só poderão ser vencidos se todos os deuses e outros seres assumirem sua natureza de animal". Os deuses hesitaram pois achavam que seria uma humilhação. E SHIVA falou novamente: "Não é uma perda reconhecer seu animal (a espécie que corresponde no mundo animal ao princípio que cada deus encarna no plano universal). A penas aqueles que praticam os ritos dos irmãos dos animais (PASHUPATAS) podem ultrapassar sua animal idade". Assim, todos so deuses e titãs reconheceram que eram o rebanho do Senhor e que ele é conhecido pelo nome de PASHUPATI, o Senhor dos Animais. Esse texto nos mostra a ligação do Yoga primitivo com o Xamanismo.




sexta-feira, 22 de maio de 2009

SARASWATI



Poetas, escritores, músicos e intelectuais e etc. são abençoados com a proteção e inspiração da Deusa hindu SARASWATI, linda maravilhosa com seus quatro braços ela abraça as 64 artes: dois braços ela toca uma vina, que representa a musica e as artes, o terceiro segura um livro feito de folha de palmeira, representando os Vedas (o ensinamento e o alfabeto sânscrito), o quarto ela carrega um Mala, rosário de cristal que representa a meditação e espiritualidade.

Literalmente, SARASWATI significa “aquela que flui”. O Rig Veda cita um rio sagrado chamado SARASWATI, afluente do Ganges. Ela é associada também a à fertilidade, purificação, todos os conhecimentos: Artes, ciências e letras. Usa um sari branco (a pureza do conhecimento) esta sentada em um lótus branco (o conhecimento).
Um cisne branco está sempre com ela, representando a discriminação entre os bons e o maus ou o eterno e o evanescente; um pavão está também com ela disputando sua atenção, ele representa o orgulho, arrogância, o silencio necessário para escutar, refletir e meditar. O OM (o som primordial) e o símbolo Svastica (auspiciosidade) também estão com ela.
SARASWATI é a Mãe Divina, tem o poder da Shakti, da ordem e perfeição, é uma mãezona pronta para nos ajudar quando precisamos, irradiando alegria, mandando a tristeza embora.É seguida pelos Deuses em busca da bênção da imortalidade, o Gayatri Mantra dedicado a ela é o mantra mais sagrado e poderoso dos Vedas.
Uma das manifestação de SARASWATI é como SAVITRI, tem olhos, mãos e lingua de ouro. Aparece sobre um carro puxado por cintilantes cavalos de patas brancas. Seus dourados braços se estendem por todo o céu em gesto de benção. Esta Deusa é o principio do movimento que determina a irradiação da Luz solar, a circulação das aguas e dos ventos.

GAYATRI MANTRA

Om Bhur bhuva Svaha
Tat Savitur Varenyan
Bhargo Devasya Dhimahi
Dhyo Yo Naha Prachodayat.

“A energia primordial inunda a Terra e os Céus e tudo que se encontra no meio. Meditemos sobre sua irradiação; possa essa Luz inspirar nossas mentes. Meditemos sobre a gloria de Ishwari, a deusa a quem é justo adorar, que criou o universo, que é doadora de luz, de conhecimento e que destrói toda ignorância. Que ela ilumine nossas mentes.”

Mantra e pesquisa do livro Mitologia Hindu de Aghorananda Saraswati, da Editora Madras e do livro do curso de formação em Hatha Yoga Integral Do Jai Vida! de Renata Sumar
Imagem crua de Saraswati e foto feita por Dila

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O AUTO-CONHECIMENTO É UMA COISA FACIL, A COISA MAIS FACIL QUE EXISTE



1

O Ser é algo inteiramente real
Mesmo para o homem mais comum.
Podia-se dizer que a transparente groselha (1)
É comparativamente uma ilusão.

2

O Ser, que brilha como um sol dentro do coração,
É real e todo-penetrante. Revela-se-á
Tão logo todo pensamento seja destruído
e nenhuma jaça permaneça. Pois esse pensamento é
a causa do aparecimento de formas falsas,
O corpo e o mundo que parecem ser
Coisas reais em detrimento de ser, que permanece imutável.
Sempre inalterado, firme como a própria Verdade.
Quando o Ser brilha a escuridão desaparece.

3

O pensamento, “Eu sou o corpo”, é o fio
no qual estão enfiados os pensamentos, tal como contas.
Portanto ao mergulhar fundo na pergunta
“Quem sou Eu e donde venho?” os pensamentos desparecem
E o estado de consciência então surge
Como o “Eu-Eu” dentro da cavidade
Do coração de cada um que busca. E isto é o Céu

4

Isto é aquele Silêncio, a morada da Felicidade!
O que adianta tudo conhecer
Excepto o Ser? O que existe mais para conhecer?
Para qualquer um, quando o próprio Ser é conhecido?
Ao compreender em Si mesmo o Ser,
Que é o único Auto-Efulgente UM
Em miríades de seres, a luz do Ser
Claro brilhará internamente. Em verdade isto é
A verdadeira aparição da Graça, a morte do ego
E a revelação da Suprema Bem-aventurança!

5

A fim de que os laços do destino
E todas suas conseqüências finalmente terminem,
e para que, também, possamos ser libertos
Do temível ciclo de nascimento e morte.
Esta senda é mais fácil de que outras.
Portanto fique imóvel e conserve silenciosa atitude
Com a língua, mente e corpo. Aquilo que é
O auto-efulgente surgirá de dentro.
Esta é a Experiência Suprema. O medo cessará,
Isto é o oceano sem limite da perfeita Felicidade!

6

Annamalai (2), a Transcendental,
Que é o Olho atrás do olho da mente,
A quem o olho e outros sentidos percebem,
Os quais, por sua vez ilumina o Céu,
Assim como todos os outros elementos,
Isto novamente é o Céu-Espirito no qual
A Mente-Ceu aparece; Aquilo que brilha dentro
Do coração, que é livre de qualquer pensamento
E com contemplação fixa internamente e permanece como Aquilo.
Annamalaia, a Autro-Efulgente, brilha,
Mas a graça (3) é cada vez mais necessária. Assim
Seja fiel ao Set, e a Felicidade então surgirá!


(1) A fruta mencionada no texto Tamil é o “nelli”, uma fruta comum da Índia.O provérbio. “Nelli na palma da mão” significa um objeto visto claramente
(2) Este nome Tamil é uma palavra que significa “Montanha Intransponível”. É usada aqui para indicar e significar o Ser interno que está alem do alcance do pensamento e da palavra.
(3) A graça que vem de um sábio-adepto e que é necessário como um pré-requisito a fim de ser obtida tal experiência iluminadora.


Extraído do livro AUTO INVESTIGAÇÂO de RAMANA MAHARSHI

A técnica de MAHA-YOGA-VICHARA

QUEM SOU EU?

domingo, 10 de maio de 2009

BOLO PARA SHANTI Minha professora de yoga em BH


Bolo do aniversario de Shanti.

1x de farinha de trigo integral
1e1/2 de farinha de trigo branca
1x de açucar orgânico ou mascavo
1x de granola
3 colheres de sopa de manteiga ou oleo de canola
1 colher de sobremesa de fermento
1x de leite de coco de verdade ou de 1 garrafa pequena

Bate a manteiga com o açucar até formar um creme, vai colocando o resto e batendo, despeja na assadeira ou forma untada c/ manteiga e polvilhada com f.de trigo, leva ao forno, quando estiver pronto , passa a cobertura, polvilha com granola por cima.


Receita da cobertura

1 lata de creme de leite.
2 colheres de cacau em pó ou 4 c/sopa de achocolatado
1colher de açucar
Esquenta o creme de leite (aberto) na própria lata em banho maria, não deixa ferver, só esquenta, mistura o cacau, o açucar e pronto.pode ser outro chocolate ou achocolatado, no caso não ponha açucar.
Bom apetite!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A CERÂMICA NA ATUALIDADE

Foto: internet
A cerâmica, que é praticamente tão antiga quanto a descoberta do fogo, mesmo utilizando os antigos métodos artesanais, pode produzir artigos de excelente qualidade. Nos últimos anos, acompanhando a evolução industrial, a indústria cerâmica adotou a produção em massa, garantida pela indústria de equipamentos, e a introdução de técnicas de gestão, incluindo o controle de matérias-primas, dos processos e dos produtos fabricados. A Indústria Cerâmica na atualidade pode ser subdivida em setores que possuem características bastante individualizadas e com níveis de avanço tecnológico distintos. Cerâmica Vermelha Compreende aqueles materiais com coloração avermelhada empregados na construção civil (tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, tubos cerâmicos e argilas expandidas) e também utensílios de uso doméstico e de adorno. As lajotas muitas vezes são enquadradas neste grupo, porém o mais correto é em Materiais de Revestimento. Cerâmica Branca Este grupo é bastante diversificado, compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa, necessária por razões estéticas e/ou técnicas. Com o advento dos vidrados opacificados, muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados, sem prejuízo das características para uma dada aplicação, com matérias-primas com certo grau de impurezas, responsáveis pela coloração. Dessa forma é mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária • louça de mesa • isoladores elétricos para alta e baixa tensão • cerâmica artística (decorativa e utilitária). • cerâmica técnica para fins diversos, tais como: químico, elétrico, térmico e mecânico. Materiais Refratários Este grupo compreende uma diversidade de produtos, que têm como finalidade suportar temperaturas elevadas nas condições específicas de processo e de operação dos equipamentos industriais, que em geral envolvem esforços mecânicos, ataques químicos, variações bruscas de temperatura e outras solicitações. Para suportar estas solicitações e em função da natureza das mesmas, foram desenvolvidos inúmeros tipos de produtos, a partir de diferentes matérias-primas ou mistura destas. Dessa forma, podemos classificar os produtos refratários quanto à matéria-prima ou componente químico principal em: sílica, sílico-aluminoso, aluminoso, mulita, magnesianocromítico, cromítico-magnesiano, carbeto de silício, grafita, carbono, zircônia, zirconita, espinélio e outros. Isolantes Térmicos Os produtos deste segmento podem ser classificados em: a) refratários isolantes que se enquadram no segmento de refratários, b) isolantes térmicos não refratários, compreendendo produtos como vermiculita expandida, sílica diatomácea, diatomito, silicato de cálcio, lã de vidro e lã de rocha, que são obtidos por processos distintos ao do item a) e que podem ser utilizados, dependendo do tipo de produto até 1100ºC. c) fibras ou lãs cerâmicas que apresentam características físicas semelhantes às citadas no item b), porém apresentam composições tais como sílica, sílica-alumina, alumina e zircônia, que dependendo do tipo, podem chegar a temperaturas de utilização de 2000º C ou mais. Fritas e Corantes Estes dois produtos são importantes matérias-primas para diversos segmentos cerâmicos que requerem determinados acabamentos. Frita (ou vidrado fritado) é um vidro moído, fabricado por indústrias especializadas a partir da fusão da mistura de diferentes matérias-primas. É aplicado na superfície do corpo cerâmico que, após a queima, adquire aspecto vítreo. Este acabamento tem por finalidade aprimorar a estética, tornar a peça impermeável, aumentar a resistência mecânica e melhorar ou proporcionar outras características. Corantes constituem-se de óxidos puros ou pigmentos inorgânicos sintéticos obtidos a partir da mistura de óxidos ou de seus compostos. Os pigmentos são fabricados por empresas especializadas, inclusive por muitas das que produzem fritas, cuja obtenção envolve a mistura das matérias-primas, calcinação e moagem. Os corantes são adicionados aos esmaltes (vidrados) ou aos corpos cerâmicos para conferir-lhes colorações das mais diversas tonalidades e efeitos especiais. Abrasivos Parte da indústria de abrasivos, por utilizarem matérias-primas e processos semelhantes aos da cerâmica, constituem-se num segmento cerâmico. Entre os produtos mais conhecidos podemos citar o óxido de alumínio eletrofundido e o carbeto de silício. Vidro, Cimento e Cal São três importantes segmentos cerâmicos e que, por suas particularidades, são muitas vezes considerados à parte da cerâmica. Cerâmica de Alta Tecnologia/Cerâmica Avançada O aprofundamento dos conhecimentos da ciência dos materiais proporcionou ao homem o desenvolvimento de novas tecnologias e aprimoramento das existentes nas mais diferentes áreas, como aeroespacial, eletrônica, nuclear e muitas outras e que passaram a exigir materiais com qualidade excepcionalmente elevada. Tais materiais passaram a ser desenvolvidos a partir de matérias-primas sintéticas de altíssima pureza e por meio de processos rigorosamente controlados. Estes produtos, que podem apresentar os mais diferentes formatos, são fabricados pelo chamado segmento cerâmico de alta tecnologia ou cerâmica avançada. Eles são classificados, de acordo com suas funções, em: eletroeletrônicos, magnéticos, ópticos, químicos, térmicos, mecânicos, biológicos e nucleares. Os produtos deste segmento são de uso intenso e a cada dia tende a se ampliar. Como alguns exemplos, podemos citar: naves espaciais, satélites, usinas nucleares, materiais para implantes em seres humanos, aparelhos de som e de vídeo, suporte de catalisadores para automóveis, sensores (umidade, gases e outros), ferramentas de corte, brinquedos, acendedor de fogão, etc. Revestimentos Cerâmicos As placas cerâmicas são constituídas, em geral, de três camadas: a) o suporte ou biscoito, b) o engobe, que tem função impermeabilizante e garante a aderência da terceira camada, e c) o esmalte, camada vítrea que também impermeabiliza, além de decorar uma das faces da placa. O corpo cerâmico compõe-se de matérias-primas naturais, argilosas e não argilosas. Os materiais argilosos são formados de uma mistura de diversos tipos e características de argilas para dar a composição desejada e são a base do biscoito. Os materiais não argilosos, quartzo, feldspato e caulim, servem para sustentar o corpo cerâmico ou promover a fusão da massa e os materiais sintéticos são utilizados para a produção de engobes e esmaltes e, servem para fazer a decoração dos revestimentos. Estes revestimentos são usados na construção civil para revestimento de paredes, pisos, bancadas e piscinas de ambientes internos e externos. Recebem designações tais como: azulejo, pastilha, porcelanato, grês, lajota, piso, etc. A tecnologia do porcelanato trouxe produtos de qualidade técnica e estética refinada, que em muitos casos se assemelham às pedras naturais.
O MOMENTO ATUAL DA INDÚSTRIA DE REVESTIMENTOS CERÂMICOS A concentração geográfica de empresas é característica da indústria de placas cerâmicas de revestimento. Dois dos países líderes, Itália e Espanha, têm produção concentrada nas regiões de Sassuollo e Castellón, respectivamente. A estratégia competitiva dessas regiões baseia-se em design, qualidade e marca. Da mesma forma, no Brasil, a produção é concentrada em algumas regiões. A região de Criciúma, em Santa Catarina, que tem reconhecimento como pólo internacional, concentra as maiores empresas brasileiras. Nessa região as empresas produzem com tecnologia via úmida e competem por design e marca, em faixas de preços mais altas. Em São Paulo, a produção está distribuída em dois pólos: Mogi Guaçú e Santa Gertrudes. A região metropolitana de São Paulo conta com algumas empresas, mas não se configura um pólo. As empresas da capital e Mogi Guaçú produzem com tecnologia via úmida, enquanto em Santa Gertrudes a tecnologia utilizada pela maioria das empresas é via seca. O nordeste brasileiro pode se tornar um pólo em futuro próximo, devido às condições favoráveis de existência de matéria prima, energia viável e um mercado consumidor em desenvolvimento, além de boa localização geográfica para exportação. O equipamento determinante da escala de produção é o forno de cozimento das peças. Para se ter uma idéia o comprimento, estes fornos podem atingir mais de 150 metros. Na década de 90 houve evolução na escala desses equipamentos, tendo sua capacidade ampliada de, aproximadamente, 80 mil m2/mês para 500 mil m2/mês ou mais, o que resultou em grandes aumentos na produtividade e no crescimento observado nesta indústria. O Brasil é hoje, um dos grandes “players” mundiais do revestimento cerâmico. O país é o segundo maior consumidor mundial de revestimentos cerâmicos, quarto maior produtor e exportador e segundo maior exportador para o mercado norte-americano, que é o maior importador do mundo. A cada dia a qualidade e variedade desse material aumentam. Na mesma medida cresce a utilização da cerâmica no Brasil para revestir pisos e paredes de todos os espaços internos da casa assim como espaços externos. Exemplo disso são as fachadas dos edifícios que não se intimidam em apresentar-se revestidas por cerâmicas de tipos e formatos variados. Os revestimentos cerâmicos, além das vantagens e da durabilidade provada através dos séculos, possuem as qualidades que uma avançada tecnologia lhes confere. Eles se mostram apropriados para pequenos detalhes, ambientes interiores ou para grandes escalas ao ar livre. São oferecidos de maneira a satisfazer os mais variados gostos, como padronagens e texturas diversas.www.anfacer.org.br

EVOLUÇÃO DA CERÂMICA PARA REVESTIMENTO


Fotos e azulejos: Dila

A origem do nome azulejo provém dos árabes, sendo derivado do termo "azuleicha”, que significa "pedra polida". A arte do azulejo foi largamente difundida pelos islâmicos. Os árabes levaram a arte do azulejo para a Espanha e de lá se difundiu por toda a Europa. A influência dos árabes na cerâmica peninsular e depois na européia foi enorme, pois eles trouxeram novas técnicas e novos estilos de decoração, como a introdução dos famosos arabescos e das formas geométricas, que os islâmicos desenvolveram a fundo. Foi tão forte a influência árabe na península Ibérica, que mesmo depois da reconquista do território pelos cristãos, ela permaneceu. Disso resultou o chamado estilo hispano-mourisco. Com a reconquista do território pelos católicos, muitos artífices árabes preferiram ficar e passaram a combinar os elementos de arte cristã, românica e gótica com os árabes, criando um novo estilo chamado mudéjar. A cerâmica de corda seca, técnica que permite combinar várias cores num azulejo foi desenvolvida na Pérsia durante o século XIV como substituto menos dispendioso que o mosaico, continuando, ainda hoje, a ser utilizada. A decoração deste azulejo, em forma de estrela, consiste numa estrutura complexa baseada numa flor de lótus estilizada e composta por dez pétalas. O centro é decorado com uma estrela de seis pontas com vestígios de dourado. Esta forma combinava-se com azulejos de outras tipologias – pentágonos, hexágonos, e outros polígonos –, formando assim um padrão geométrico elaborado, sendo geralmente a estrela com doze pontas o elemento central da composição. A paleta cromática inclui o branco, o turquesa e o manganês sobre um fundo de azul cobalto e ouro. Estes painéis de azulejos revestiam, entre outros edifícios, mesquitas e madrasas, acentuando a sua simetria e transmitindo uma imagem de opulência. Na Pérsia, a arte insuperável dos Sumérios e Babilônios, não se extinguira e continuava a produzir, além de ânforas, bacias, taças esculpidas e pintadas, maravilhosos azulejos, para revestir fachadas e vestíbulos. Devido à dominação árabe do Mediterrâneo, entre o sexto e o décimo quarto século antes de Cristo, a cerâmica da Pérsia foi difundida, juntamente com sua técnica para a Sicília, Espanha e Ásia Menor. Por causa disso, ainda hoje, por onde se estendeu o Império dos Califas, é possível admirar esses produtos, encontrados em palácios fantasticamente ornamentados, com molduras de cerâmica brilhantes, pátios de decoração rebuscada, compostos de milhares de azulejos esmaltados. As primeiras utilizações conhecidas do azulejo em Portugal, como revestimento monumental das paredes, foram realizadas com azulejos importados de Sevilha em 1503, tornando-se uma das mais expressivas artes ornamentais, assumindo grande relevo na arquitetura. Portugal, apesar de não ser grande produtor de revestimentos cerâmicos, foi o país europeu que, a partir do século XVI, mais utilizou o revestimento cerâmico em seus prédios. Esse gosto pela cerâmica inicia-se a partir de suas navegações iniciadas no século XV quando entra em contato com outras civilizações, fundindo as suas manifestações artísticas com vários desses países, como as de origem mulçumana, herdeira das tradições orientais, assírias, persas, egípcias e chinesas. A admiração pela cerâmica de revestimentos ganha dimensões de arte verdadeiramente nacional, capaz de identificar a sensibilidade e peculiaridade de sua gente e país. Já no século XV são encontrados Palácios Reais revestidos, em seu interior, com azulejos. Mas é a partir do século XVI, com uma produção regular de revestimento cerâmico no país, que seu uso se torna freqüente em igrejas, conventos e em Palácios Nobres da alta burguesia. O uso, em sua maioria, se restringia aos interiores, em forma de tapetes, ou apenas como material ornamental. Quando utilizado exteriormente, limitava-se ao revestimento de pináculos e cúpulas das igrejas, devido o seu alto custo. No século XVIII, o Marques de Pombal, enquanto Primeiro Ministro de D. João VI, em Portugal, implanta um projeto de industrialização manufatureira no país. Cria-se, então, a Fábrica de Loiça do Rato, que simplificava os padrões dos azulejos existentes (de rococós com predominância de concheados nos emolduramentos, policrômicos, passam a perder a volumetria, suas cores tornam-se mais flamejantes e começam a ser permeados de motivos neoclássicos) com o intuito de aumentar a produção. Com isso, o custo do produto diminui significativamente, sendo acessível a um público maior. Já podia se ver, então, o revestimento cerâmico estendendo-se a espaços intermediários entre interior e exterior, como no revestimento de alpendres, pátios, claustros; também enfeitando os jardins com seus bancos ou chafarizes revestidos. No Brasil, já independente, o uso do azulejo tornou-se, no século passado, bem mais freqüente, revelando-se um excelente revestimento para nosso clima. Casas e sobrados de muitas cidades brasileiras apresentam o colorido alegre e inalterável que, há mais de cem anos, o azulejo lhes dá. Há controvérsias com relação à nacionalidade dos primeiros revestimentos cerâmicos chegados ao Brasil. Sabe-se que no século XVII, azulejos em estilo barroco, começaram a ser encomendados de Lisboa. Estes eram trazidos em forma de painéis e serviam, apenas, como material decorativo. Retratavam cenas da paisagem, do cotidiano da metrópole, divulgando o modo de vida dos portugueses - ou cenas bíblicas ajudando nas aulas de catequese. http://www.anfacer.org.br/

terça-feira, 28 de abril de 2009

A EVOLUÇÂO DA CERÂMICA


A picareta dos arqueólogos, ao remexer entre os sedimentos que os séculos acumularam no solo do Velho Mundo, encontra com muita freqüência, entre os resíduos das palafitas e das casas, fragmentos de terracota e cacos de vasos ou de ânforas, cozidos num fogo que se apagou há milhares de anos. A história da cerâmica confundiu-se em certo sentido, com a própria história da civilização: os vasos, as taças ou as ânforas são, em muitos casos, os únicos elementos sobre os quais podemos reconstruir o grau de evolução, os hábitos, a religião e até as mudanças de povos já desaparecidos. A arte da cerâmica prosperou entre quase todos os povos ao mesmo tempo, refletindo nas formas e nas cores, o ambiente e a cultura dos diversos povos. Nas primeiras peças decoradas, os motivos artísticos eram sempre o dia a dia do povo: a caça, os animais, a luta, etc. Do calor do sol, para os fornos atuais utilizados para tornar as peças mais firmes, a história da cerâmica percorreu e auxiliou no cotidiano de todos os povos. Da Era Neolítica aos dias de hoje, os artistas continuam com seus dedos ágeis transformando blocos de argila e criando novas utilidades para a população. A cerâmica, tanto de uso comum como artístico, é produzida hoje por toda parte, seja em grandes estabelecimentos, ou por pequenos artesãos. Os sistemas são fundamentalmente os mesmos, mas é inegável que a experiência técnica adquiriu tamanha perfeição, que permite resultados extraordinários. Com exceção da fabricação de tijolos e telhas, comumente utilizadas na construção desde a antiguidade na Mesopotâmia, desde muito cedo, a produção cerâmica dava importância fundamental à estética, já que seu produto, na maioria das vezes, se destinava ao comércio. No Mediterrâneo, algum trabalhador desconhecido inventou o aparelho, que permitia fazer vasos perfeitos, de superfície lisa e espessura uniforme, num tempo relativamente breve. Esta roda de madeira movida por um pedal foi criada aproximadamente em 2000 a.C.. Os gregos continuaram por muitos séculos, produzindo as melhores peças de cerâmica do Mundo Mediterrâneo, mesmo quando as margens deste mar haviam se tornadas colônias romanas. Ainda em nossos dias, perdura a fama dos vaseiros de Atenas e Samos, de onde seus inúmeros pratos e taças de delicado acabamento, se caracterizavam por ter o fundo negro ou azul e desenhos escarlates. De outro lado, os gregos foram durante o domínio romano, os artífices mais apreciados, não só na cerâmica, mas também na ourivesaria, na pintura e em qualquer outro ramo de arte. Seu bom gosto, sua filosofia, sua literatura, havia se imposto aos rudes conquistadores latinos, que acabaram assimilando, instintivamente, a milenar cultura da Hélade na antiga Grécia. Com a prosperidade da cerâmica, cada povo descobriu seu estilo próprio, e com isso, surgiram novas técnicas. Foi assim, que os artífices chineses, desde a metade do terceiro milênio antes de Cristo, criaram objetos de design, pintados e esmaltados. Foram justamente eles os primeiros a usar, a partir do segundo século antes da nossa era, um finíssimo pó branco, o caulim, que permite fabricar vasos translúcidos e leves. Nasce, então, a porcelana. A difusão da porcelana não foi notável antes do século XVIII. Com a utilização da Porcelana a cerâmica alcançou níveis elevados de sofisticação. Na China, a porcelana se desenvolveu dando origem a produtos de decoração e de utilização à mesa. Também, na Itália, existia um florescente artesanato: os etruscos, em meados do segundo milênio antes de Cristo, já fabricavam vasos esmaltados de grande qualidade. Cerâmicas etruscas ornamentavam, além das gregas e persas, as mansões dos patrícios romanos: as formas bizarras, os esmaltes vivos e brilhantes, os vagos desenhos ornamentais. Na Itália, os ceramistas continuaram a trabalhar com velhos sistemas etruscos e gregos, ainda durante os séculos obscuros da Idade Média. No início do Renascimento, havia produtos manufaturados em Gubbio, Volterra, Faenza, Deruto e Montelupo. Em todas estas cidades, desenvolveram-se indústrias bem distintas, cada qual com estilo e técnica própria: os sistemas de cozimento, de esmaltar, a composição dos vernizes, tudo era mantido em rigoroso segredo. Basta lembrar, entre os ceramistas italianos, Luca e Andrea Della Robbia, que souberam criar baixo-relevos de terracota vidrada e pintada, que se vêem em quase toda parte, nas paredes das vilas e dos castelos da Itália Central. A escola de Faenza ganhou tanta celebridade que deu seu nome a todos os objetos de cerâmica que, da Itália, se difundiam pela Europa: daí o nome faiança em português, e o faience, lembrando o nome da cidade Romana. As cerâmicas de Faenza e a Maiólica são muito parecidas, sendo muito difícil distinguir uma da outra. Esse tipo de cerâmica branca denominada de Maiólica tem a superfície lisa e vidrada. Seu nome deriva de uma ilha do arquipélago das Baleares (hoje Majorca), onde os árabes haviam implantado uma indústria bastante florescente. Em Sévres e em Capodimonte, são fabricadas graciosas e delicadas estatuetas que, às vezes, assumem excepcional valor artístico pela perfeição do acabamento ou pela raridade do desenho. A cerâmica, hoje, extrapola o dia a dia para auxiliar na área científica: na medicina, vem sendo utilizada na prótese de ossos e dentária; na pecuária australiana, reveste os chips que injetados dentro do animal, possibilitam uma contagem mais precisa e segura; os dentistas, nas obturações; algumas empresas fabricam facas com lâminas de porcelana; é ainda o material utilizado quando existe a necessidade de um produto resistente a altas temperaturas, como é o caso do trem bala no Japão, onde a cerâmica é colocada nos trilhos. Da mesma forma, com o progressivo desenvolvimento industrial, os revestimentos cerâmicos para utilização em paredes e pisos deixaram de ser privilégio dos recintos religiosos e dos palácios, tornando-se acessíveis a todas as classes sociais. Eles trouxeram para as paredes externas das casas o colorido e o luxo das paredes internas. Deixaram de figurar apenas em obras monumentais e passaram também para as fachadas dos pequenos sobrados comerciais e residenciais e, até mesmo, de pequenas casas térreas. www.anfacer.org.br
Foto e carranca de Dila

HISTORIA DA CERÂMICA



1. INTRODUÇÃO A cerâmica é o material artificial mais antigo produzido pelo homem, existindo a cerca de dez a quinze mil anos. Do grego "kéramos”, "terra queimada" ou “argila queimada” é um material de imensa resistência, sendo freqüentemente encontrado em escavações arqueológicas. Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem necessitava não apenas de um abrigo, mas de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila, deixando pistas sobre civilizações e culturas que existiram milhares de anos antes da Era Cristã. A cerâmica é uma atividade de produção de artefatos a partir da argila, que se torna muito plástica e fácil de moldar quando umedecida. Depois de submetida a uma secagem para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas ao redor de 1.000oC, que lhe atribuem rigidez e resistência, mediante a fusão de certos componentes da massa, e em alguns casos fixando os esmaltes na superfície. Essas propriedades permitiram que a cerâmica fosse utilizada na construção de casas, vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como "papel" para escrita. A cerâmica pode ser uma atividade artística, em que são produzidos artefatos com valor estético, ou uma atividade industrial em que são produzidos artefatos para uso na construção civil e engenharia. Hoje em dia, além de sua utilização como matéria-prima constituinte de diversos instrumentos domésticos, da construção civil e como material plástico nas mãos dos artistas, a cerâmica é também utilizada na tecnologia de ponta, mais especificamente na fabricação de componentes de foguetes espaciais, justamente devido a sua durabilidade.


2. A ORIGEM DA CERÂMICA A cerâmica é muito antiga, sendo que peças de argila cozida foram encontradas em diversos sítios arqueológicos. No Japão as peças de cerâmica mais antigas conhecidas por arqueólogos foram encontradas na área ocupada pela cultura Jomon, há cerca de 8.000 anos, talvez mais. Antes do final do período Neolítico ou da PEDRA POLIDA, que compreendeu, aproximadamente, de 26.000 a.C. até por volta de 5.000 a.C. a habilidade na manufatura de peças de cerâmica deixou o Japão e, se espalhou pela Europa e Ásia, não existindo, entretanto, um consenso sobre como isto ocorreu. Na China e no Egito, por exemplo, a cerâmica já tem mais de 5.000 anos. Nas tumbas dos faraós do Antigo Egito, vários vasos de cerâmica continham vinho, óleos e perfumes para fins religiosos. Um dos grandes exemplos da antiga arte cerâmica chinesa está expressa pelos guerreiros de Xian. Trata-se de uma das maiores descobertas arqueológicas, que ocorreu naquela província chinesa em 1974. Lá foi encontrado o túmulo do imperador Chi-Huand-di, que nasceu por volta do ano 240 antes de Cristo. Para decorá-lo, foi feita a réplica, em terracota, de um exército de soldados em tamanho natural. Terracota é o termo empregado para a argila modelada e cozida em forno. A maioria das culturas, desde seus primórdios, acabou por desenvolver estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de poder situar o estado cultural de uma civilização através do estudo dos artefatos cerâmicos que produziam. Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias. Ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse processo de endurecimento, obtido casualmente, multiplicou-se e evoluiu até os dias de hoje. A cerâmica passou a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo as vasilhas (utensílios domésticos) feitas de frutos como o choco ou a casca de certas cucurbitáceas (porungas, cabaças e catutos). As primeiras cerâmicas que se tem notícia são da Pré-História: vasos de barro, sem asa, que tinham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro. A cerâmica para a construção e a cerâmica artística com características industriais só ocorreu na antiguidade em grandes centros comerciais. Mais recentemente iniciou uma vigorosa etapa de evolução, após a Revolução Industrial.


3. ORIGEM DA CERÂMICA NO BRASIL No Brasil, a cerâmica tem seus primórdios na Ilha de Marajó. A cerâmica marajoara tem sua origem na avançada cultura indígena que floresceu na Ilha. Estudos arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, ocorreu, ainda, na região amazônica por volta de 5.000 anos atrás. A cerâmica marajoara era altamente elaborada e de uma especialização artesanal que compreendia várias técnicas: raspagem, incisão, excisão e pintura. A modelagem era tipicamente antropomorfa, embora ocorressem exemplares de cobras e lagartos em relevo. De outros objetos de cerâmica, destacavam-se os bancos, estatuetas, rodelas-de-fuso, tangas, colheres, adornos auriculares e labiais, apitos e vasos miniatura. Mesmo desconhecendo o torno e operando com instrumentos rudimentares, o índio conseguiu criar uma cerâmica de valor, que dá a impressão de superação dos estágios primitivos da Idade da Pedra e do Bronze. A tradição ceramista não chegou, então, ao Brasil com os portugueses ou veio na bagagem cultural dos escravos. Os índios aborígines já tinham firmado a cultura do trabalho em barro quando Cabral aqui aportou. Por isso, os colonizadores portugueses, instalando as primeiras olarias nada de novo trouxeram, mas estruturam e concentraram a mão-de-obra. O rudimentar processo aborígine, no entanto, sofreu modificações com as instalações de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuítas, onde se produzia além de tijolos e telhas, também louça de barro para consumo diário. A introdução de uso do torno e das “rodadeiras”, parece ser a mais importante dessas influências, que se fixou especialmente na faixa litorânea dos engenhos, nos povoados, nas fazendas, permanecendo nas regiões interioranas as práticas manuais indígenas.Com essa técnica passaram a haver maior simetria na forma, acabamento mais perfeito e menor tempo de trabalho.
Do site:www.anfacer.org.br
Foto e mascara de Dila

segunda-feira, 27 de abril de 2009

JAYA GANESHA!


Mantras:
- Jaya Ganesha, Jaya Ganesha, Jaya Ganesha Pahimam Shri Ganesha, Shri Ganesha, Shri Ganesha Rakshamam
(Salve Ganesha, Salve Ganesha, Salve Ganesha Proteja-nos Senhor Ganesha, Senhor Ganesha, Senhor Ganesha Salve-nos)
GANESHA SHARANAM, SHARANAM GANESHA (4 x)VAGISHA SHARANAM, SHARANAM VAGISHA (4x)SARISHA SHARANAM, SHARANAM SARISHA (4x)- OM SHRI GANESHAYA NAMAHA(Eu saúdo o Senhor Ganesha)- OM SHRI MAHA GANAPATAYE NAMAHA(Eu saúdo o Grande Senhor Ganesha)
Foto e Ganesha: Dila

domingo, 26 de abril de 2009

GERMINAÇÃO

Na alimentação crua e viva tudo tem início pela germinação das sementes e grãos, agentes biogênicos (que geram vida), por sua elevada concentração energética e nutricional.Ao colocarmos uma sê-mente para germinar (água = umidade + escurinho = à noite), ela entende que chegou a hora de brotar e expandir para se transformar em uma nova planta.Neste exato momento, antinutricionais como o glúten, ácido fítico, inibidores de tripsina, etc; são transformadas em substâncias pró-ativas (enzimas, vitaminas, sais minerais) da germinação, para provocar um rápido brotar, enraizar e crescer. Quem já colocou uma semente germinada para brotar, não cansa de se extasiar diante das mudanças a olhos vistos, a cada hora que passa diante do canteiro.Sê-mentes oleaginosas (girassol, gergelim, linhaça, castanha do Pará, nozes, etc.), e grãos de cereais (trigo, cevada, aveia, etc.) são alimentos especiais, porque neles predominam macronutrientes como as proteínas e gorduras vegetais, e micronutrientes como o selênio e o cobre, matérias-primas excelentes para o cérebro.E, o interessante é que os leites preparados a partir de seus germinados, apresentam uma digestão leve e alcalinizante (ao contrário da digestão das proteínas de origem animal, que é lenta e acidificante), além da propriedade de facilitar a liberação da serotonina, um neurotransmissor benéfico para várias funções cerebrais, entre elas a de facilitar o bom-humor e a qualidade do sono.Portanto, estes leites e vitaminas são ideais para serem tomados à noite, antes de deitar. Logicamente, sem exagero. Mas, para preparar estes leites e vitaminas, precisamos antes germinar a semente escolhida, ou seja, é preciso planejar.Então: mãos à obra! GERMINANDO SEMENTES E GRÃOS - preparo em geral1. Coloque de uma a três colheres (sopa) da semente ou grão escolhido num vidro e cubra com água filtrada.2. Deixe de molho por 8 a 12 horas - varia para cada semente. Ver abaixo.3. Cubra a boca do vidro com um pedaço de filó e prenda com um elástico.4. Despeje a água em que ficaram de molho e enxágue bem as sementes sob a torneira.5. Coloque o vidro inclinado (45 graus) e emborcado num escorredor, num lugar sombreado e fresco.6. Enxágue pela manhã e à noite. Em dias quentes, é preciso lavar 3 ou mais vezes.7. O tempo de germinação varia de acordo com a semente, temperatura local, etc. Em geral, estão com sua potência máxima logo que sinalizam, assim que põem a "cabecinha branca" para fora. Então, estão prontos para serem consumidos. O ponto limite para consumo é até que o gérmen atinja o tamanho da semente. Depois disso ela deverá ser brotada, plantada ou jogada fora.Trigo, grão-de-bico, amendoim, lentilha e girassol: coloque as sementes de molho em água filtrada por 6-9 horas. Na sequência elas deverão ficar aerando como na operação 6. Em 3 dias estarão germinadas e prontas para consumo.Broto de Alfafa: coloque as sementes de molho em água filtrada por 4 horas. Na sequência elas deverão ficar aerando como na operação 6. Em 5 a 8 dias estarão brotadas e prontas para consumo em saladas.Gergelim e linhaça: coloque as sementes de molho em água filtrada por 4 horas (ideal durante a noite). Ideal 1 parte de semente para 4 partes de água. Estas sementes não precisam aerar. É opcional das uma lavada rapidíssima numa peneira sob a torneira. A mucilagem (uma gosminha) formada pela semente da linhaça deverá ser preservada (não jogar fora, ela é terapêutica). Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.Castanha do Pará e Nozes brasileiras (pecã, macadâmia): coloque as sementes de molho em água filtrada por 24 horas e estarão prontas para consumo. Estas sementes não necessitam aeração. Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.Amêndoa e Avelã: coloque as sementes de molho em água filtrada por 12 horas. Estas sementes não necessitam aeração. Estará pronta para fazer leite, pasta ou usar em receitas de sucos desintoxicantes.LEITES E IOGURTES DE GERMINADOSLeite de trigo: pode ser preparado a partir de um trigo germinado de 3 dias (conforme acima) batido no liquidificador com água na proporção de 1 parte de germinado para 1 de água. Coe numa panela furada e está pronto para o consumo puro ou no preparo de vitaminas com frutas frescas.Leite de amêndoas: prepare o germinado de amêndoa conforme indicado acima. Bata no liquidificador colocando água aos poucos até que fique um leite cremoso. Adicione raspas de gengibre e adoce com 1 colher (sobremesa) de uma fruta seca de sua preferência/litro de leite.Leite de gergelim: ½ xícara (chá) de semente de gergelim germinada conforme indicado acima + 1 xícara (chá) de água mineral. Bata tudo no liquidificador e coe. Opcional bater com uma fruta fresca ou seca, mas precisa ser tomado na hora, pois esta semente tende a desenvolver um fundo de sabor amargo.Vitamina de maçã e gergelim: 1 xícara (chá) de leite de gergelim + 1 maçã descascada e picada + canela em pó a gosto + folhas secas de estévia (opcional).Leite de coco: nada mais simples do que bater no liquidificador a água do coco com sua própria polpa. Não acrescente mais nada e delicie-se! Você pode ainda acrescentar fermento BioRich e preparar um delicioso iogurte natural de coco.Imitação de chocolate: ¼ xícara (chá) de leite de amêndoas + ½ xícara (chá) de tâmaras + 1 coco verde (polpa + água) + 2 colheres (sopa) de alfarroba em pó. Passe no liquidificador. Sirva gelado.Vitamina cremosa: 1 xícara (chá) da sua fruta favorita + 1 xícara (chá) de leite de trigo + 1 beterraba (crua) pequena + 2 colheres (sopa) de girassol germinado. Bata tudo no liquidificador e coe. Sirva imediatamente.Mingau de Aveia: 1 colher (sopa) de aveia demolhada na véspera + 1 maçã ralada + 1 colher (sopa) de suco fresco de limão + 1 colher (sopa) de uva passa + 1 colher (chá) de casca ralada de limão + 1 castanha do Pará germinada e ralada. Misture tudo e sirva como desjejum ou lanche. A maçã pode ser substituída pela fruta da estação de sua preferência.Iogurte de nozes: coloque 1 xícara de nozes (ou da semente desejada) de molho em água para germinar conforme indicações acima. Passe no liquidificador colocando água aos poucos até que fique um creme grosso. Passe na peneira para coar a parte líquida e ponha a massa numa tigela coberta com um pano fino para que o ar possa penetrar. Coloque a tigela num lugar morno e deixe descansar por 6 a 12 horas ou até ficar como um gosto ácido. Este iogurte pode ser feito com gergelim, girassol, com qualquer tipo de nozes ou combinações. Pode-se variar o gosto acrescentando mel, suco de limão, sal marinho, essência natural de baunilha ou outros sabores naturais. Atenção: quanto mais tempo o iogurte demorar num lugar morno, mais ácido irá ficar.Sugestões de combinações para deliciosos iogurtes: Castanha e gergelim/ Castanha, amêndoa e gergelim/ Castanha e girassol/ Gergelim e amêndoa/ Girassol e amêndoa/ Pecã e amêndoa/ Gergelim e avelã.
Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida. Do site http://www.somostodosum.ig.com.br/
Foto da internet

quarta-feira, 22 de abril de 2009

OS SUTRAS DO YOGA DE PATANJALI por Swami SATCHIDANANDA


LIVRO UM

SAMADHI PADA
Texto da Contemplação

Aqui tem início nosso estudo de Raja Yoga, ou Ashtanga (oito pares) Yoga, como algumas vezes é chamado.Os Sutras do Yoga, como exposto pelo sábio Patanjali Maharishi, constituem o primeiro e o mais importante escrito do Yoga.

Foi Patanjali quem, cuidadosamente, coordenou o pensamento yogi e explicou-o a seus alunos. Na medida em que expunha estes pensamentos, seus alunos faziam anotações resumidas utilizando apenas poucas palavras que vieram a ser conhecidas como Sutras.

O sentido literal da palavra “sutras”é “linha”; estes Sutras são apenas combinações de palavras alinhavadas- algumas vezes nem mesmo sentenças bem formadas com sujeito , predicado e assim por diante. Dentro do espaço desses 200 breves Sutras, toda a ciência do Yoga está claramente delineada: seu objetivo, as práticas necessárias, os obstáculos que você pode vir a encontrar em seu caminho,a remoção deles e descrições precisas dos resultados que serão obtidos de tais práticas.

1. ATHA YOGANUSASANAM.

Atha = agora; Yoga = de yoga; anusasanam = exposição ou instrução

Agora a exposição de Yoga está sendo feita.

Anusasanam significa exposição ou instrução, porque não é mera filosofia o que Patanjali pretende explicar, mas instruções diretas sobre como praticar Yoga. Mera filosofia não irá satisfazer-no. Não podemos atingir o objetivo apenas por meras palavras.Sem prática, nada pode ser alcançado.


2. YOGASCITTA VRTTI NIRODHAH.

Yogas = Yoga; citta = da substância mental; Vritti = alterações; nirodhah = contentação

O Arquiamento das ondas mentais é Yoga.

Neste Sutra, Patanjali apresenta-nos o objetivo do Yoga. Para um aluno perspicaz, este Sutra seria suficiente, porque todos os restantes apenas explicam. Se a contenção das alterações mentais for do Yoga é baseada nisto. Patanjali apresentou a definição do Yoga e, ao mesmo tempo, a prática.”Se você puder controlar as ondulações da mente, você vivenciará o Yoga.”

Discutiremos agora o significado de cada palavra do Sutra. Em geral, a palavra Yoga é traduzida como “união”, mas como união necessária de duas coisas a serem unidas.Neste caso, o que se unirá a quê? Assim, consideramos Yoga significando, aqui, a experiência Yogi. A extraordinária experiência alcançada através do controle das ondas mentais chama-se Yoga.

Chittam é a soma total da mente.Para ter uma imagem completa do que Patanjali quer dizer com a palavra “mente”, você deve saber que dentro do chittamhá diferentes níveis. A mente básica é chamada ahamkara, ou o ego, o sentimento do “Eu”. Isto faz surgir o intelecto ou faculdade de discernimento que é chamada buddhi. Outro nível é chamado, manas, a parte da mente que deseja,que sente atração pelas coisas exteriores através dos sentidos.

Por exemplo, você está tranqüilamente sentado apreciando a paz da solidão, quando um cheiro agradável vem da cozinha. No momento em que manas percebe, “Estou sentido um cheiro agradável vindo de algum lugar,” buddhi raciocina,”Que cheiro é esse ? Acho que é queijo.Que bom! De que tipo!Suíço? Sim, é queijo suíço.” Assim uma vez que buddhi decida, “Sim é um delicioso pedaço de queijo suíço, como aquele saboreado na Suíça no ano passado”, ahamkara diz,”Oh, então é isto?Então devo comer um pedaço agora”.Estas três coisas acontecem uma de cada vez, mas tão rápido que raramente as distinguimos.

Estas alterações dão origem ao desejo de comer o queijo. Criou-se o desejo, e a não ser que o satisfaça indo até a cozinha e comendo o queijo, sua mente não retornará à condição original de paz.Está criando o desejo, conseqüentemente a vontade de satisfaze-lo e,uma vez que o satisfaça, você estará de volta a sua original situação de “paz”. Esta é a condição natural da mente. Mas estes chitta vrittis, ou as alterações da substância mental perturbam esta paz.

Todas as alterações mentais têm origem nas diferenças recebidas do mundo exterior. Por exemplo, imagine-se não tendo visto seu pai deda que você nasceu e que ele retorne quando você tem dez anos. Ele bate à porta. Abrindo-a, você vê um estranho. Corre para dentro sua mãe, dizendo; “Mamãe, há um estranho lá fora”.Sua mãe vai á porta e vê o marido que esteve longo tempo ausente. Com toda alegria ela recebe e apresenta-o como seu pai.Você diz;”Oh, meu pai!” Poucos minutos antes, era um estranho; agora, tornou-se seu pai. Transformou-se em seu pai? Não; é a mesma pessoa.Você criou a idéia do “estranho” depois a transformou em “papai”, só isto.

O mundo exterior é todo baseado em seus pensamentos e atitudes mentais. O mundo inteiro é apenas sua própria projeção. Seus valores podem mudar na fração de um segundo.

Hoje você pode não querer mais ver alguém que foi seu querido amor de ontem. Se nos lembrarmos disto, não sofremos tanto com as coisas que nos rodeiam.

É por isto que o Yoga não se incomoda muito em mudar o mundo exterior. Há um ditado sânscrito que diz: “Mana Eva manushyanam Karanam bandha mokhayoho.” “O homem é aquilo que pensa; servidão ou libertação estão na mente.” Sentir –se aprisionado é estar aprisionado. Sentir-se liberto é estar liberto.As coisas lá fora nem o aprisionam nem o libertam; somente sua atitude perante elas faz isto.

É por isto que sempre que falo a prisioneiros,digo: “Todos vocês sentem-se prisioneiros e esperam ansiosamente transpor estes muros.Mas olhem para os guardas. Não são parecidos com vocês? Eles também estão entre os meros. Mesmos que possam sair todas á noite, todas as manhas vocês os vêem de volta. Eles adoram entrar aqui; vocês adorariam sair. A clausura é a mesma. Para eles não é uma prisão;para vocês é. Por que? Há alguma mudança nestes muros? Não, vocês sentem que é uma prisão; eles que é um lugar para trabalhar e ganhar seu salário. É a atitude mental. Se, ao invés de aprisionamento, pensaremos neste lugar como um reformatório que lhes dá uma oportunidade de mudarem sua atitude diante da vida, de reformarem e purificarem a si mesmos,adorarão estar aqui até que se sintam purificados. Mesmo que lhes digam: ‘Seu tempo acabou; podem ir’, poderão dizer: ‘Ainda não estou purificado, senhor. Quero ficar aqui por mais algum tempo.’’’

De fato, muitos destes prisioneiros continuaram a levar uma vida yogi mesmo após deixar a prisão, e até mesmo foram gratos por sua vida na prisão. Isto significa que eles compreenderam bem o que lhes foi dito.

Assim, se puder ter controle sobre suas formas de pensamento e conseguir modifica-las como quiser, você não será escravizado pelo mundo exterior. Não há nada de errado como mundo. Você pode transformá-lo num céu ou num inferno de acordo com sua vontade. É por isto que o Yoga é todo baseado no chitta vritti nirodhah. Se você tem controle de sua mente, você tem controle de tudo. Assim, nada neste mundo poderá aprisiona-lo.
Para comprar o livro va no site: www.jaivida.com

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pizza de Wandinha, minha mãe linda

Fotos: Fred Luna Matos
Essa receita de pizza não é minha, é de minha mãe, digo dela porque ela faz desde que eu era bebe, e já virou tradição, que conhece nossa família sabe da gostosura que é, mas não é dela, pra ela conseguir a “tal” receita, ela teve que subir em um banco ficar espionando o compadre dela fazendo a receita, ele não queria abrir o jogo então ela roubou. Valeu a pena! É uma delicia, diferente de todas as pizzas que tem por aí, a massa é a mesma de todas, só que é bem fina e crocante, o que faz a diferença é o que vai em cima, como eu não sou de esconder o jogo vou abrir para quem quiser.


Em uma vasilha coloque 2 xícaras de água morna, 1 envelope de fermento biológico, um pouco de farinha de trigo, 1c/sopa de açucar, mistura bem, deixa descansar até fermentar, põe um pouco de sal, 1c/de sobremesa de manteiga ou óleo, eu ponho azeite de oliva, vai pondo mais farinha de trigo ate soltar das mãos, deixa fermentando ate dobrar de tamanho, abre a massa bem fina, põe a cobertura e leva para assar no forno quente. Para abrir a massa polvilhe farinha de trigo na mesa, depois de aberta, passe um pouquinho de farinha para não grudar na assadeira.
Não unte com gordura a assadeira!

Cobertura
No lugar de molho, bota tomate cortadinho em tirinhas finas, para cada assadeira vão 4 tomates grandes.
Orégano
Sal à gosto
1 colher de sobremesa de pimenta do reino e cominho
É só misturar, cobri a pizza crua já na assadeira, leva para assar, depois de assada tira do forno e cubra com queijo mussarela, leve de volta ao forno para derreter.
Sobre o queijo ponha o que quiser, eu acho melhor só com queijo.

terça-feira, 31 de março de 2009


ARTE E ANATOMIA HINDU
ABNINDRA NATH TAGORE
1921
Ilustrações de Vicente Pascual Rodrigues.
Tradução do Espanhol para o português de Dila Luna Matos
Fotos Carlos Frederico Matos
2 fotos da net





Prefacio

O pequeno volume de M. Abanindra Nat Tagore pertence a uma categoria de obras sobre a arte hindu cujo conhecimento é pouco difundido entre os artistas e aficionados. Até o momento, se há ignorado em excesso a existência da Índia nos tratados dedicados as teorias estéticas das linhas, das formas e dos movimentos. Todavia se considera a arte Indiana como o resultado de uma imaginação exagerada e desordenada, não se compreende que esta arte, na realidade, esta submetida a leis bem definidas, e nada em sua evolução, ou melhor dito, em seu crescimento orgânico, se deve ao azar.

Desde muitos séculos, o artista hindu obedece à sua tradição. Esta tradição imutável esta baseada e regida nos Shilpas Shastra (*), cuja prescrição não se atreve a transgredir, como tão pouco se atreveria a violar as regras da sua casta. Menos intransigente que os Shastras, são as sentenças de inspirações religiosas, as Dhyana-Mantra, muito de seus ramos estão reunidos em livros, rituais, mas que podem ser transmitidos de viva voz, de mestre a discípulo (parámpará). Constituem um inesgotável repertório de procedimentos iconográficos. Mais é muito grande a influencia exercida sobre o imaginário hindu pelos preceitos dos Shastras e dos Dhyana-mantra, seu estudo terminaria em resultado bastante medíocre se não houver ao mesmo tempo outra fonte de inspiração e de ensino plásticos. Esta fonte é a literatura da Índia, imagem esplendida e sedutora do Universo sonhado pelos homens. A poesia hindu é particularmente rica em metáforas, epítetos e comparações sutis. Algumas passagens das obras do poeta Kalidasa poderia estabelecer uma teoria das curvas harmoniosas baseadas em textos sânscritos e tamil.

O livreto cuja tradução apresentamos, esta consagrado ao estudo do vínculo que ume a imagem escrita com idéia esculpida e pintada. Nos ensinando a captar a forma através da linguagem descritiva do poeta e nos ajudando a compreender o contorno de um braço ou de um perfil divino, melhor do que o engenhoso cálculo matemático-estetico...


(*) Shilpa Shastras (sânscrito: Śhilpa Śāstras) são tradicionais textos hindus que descrevem os padrões de iconografia religiosa hindu, por exemplo: prescrever as proporções de uma figura esculpida, bem como as regras de arquitetura hindu.


Victor Goloubew
Paris, 6 de novembro de 1920

Algumas notas por Abanindra Nath Tagore



Algumas notas que seguem foram compiladas pelo pintor Abanindra Nath Tagore e ilustradas por seus alunos, cujas obras puderam ver na exposição da “A Escola de Calcutar”, (em Os Orientalista, Paris 1914) é sobre o que a Arte Decorativa havia publicado em um importante artigo (fevereiro 1914)*.

Esta destinado (nos disse M. Gangoly, um discípulo de Tagore) a responder algumas criticas contra as reformas convencionais adotadas pelos artistas da Índia em escultura e pintura, e o que forma atualmente a base da anatomia artística hindu.

Esta nota não é só um tratado de técnica artística (Shilpa Sastra), poderiam confirmar se as interpretações desses textos antigo em sânscrito foram uma tarefa menos difícil.


(*) Foram publicadas por a Índian Society of Oriental Art (Calcuta) e traduzida do inglês com a amigável autorização de Tagore.

“Por diversas razões, a escultura hindu requer uma técnica mais distante da natureza que a escultura da Grécia antiga. A consciente e constante arte hindu deve sugerir uma forma palpável do Divino e do Transcendental. Em suas manifestações mais importantes, a arte hindu é o eco do mundo sobrenatural, cheio de mistério e exaltação”.

Um corpo humano perfeitamente normal pouco pode simbolizar os personagens de um mundo semelhante. Só um tipo ideal, cujas formas não respondem as conhecidas leis fisiológicas. O artista hindu foi levado a crê em certas convenções artísticas e um sistema especial de anatomia que sugere um tipo étnico superior, algo que esta “mais alem das formas humanas”.

Esperamos que as notas seguintes ajudem a uma apreciação melhor das obras mestras das artes hindu cujas formas irreais continuam, todavia confundindo as concepções européias.

Rogo aos leitores e, sobre tudo, a meus amigos e alunos peregrinos, como eu, em busca desta realização que é a execução de toda arte, e não tomem ao pé da letra as regras e os analises de forma contidas nos tratados de arte, com todo rigor de suas leis e demonstrações. Estas leis não são absolutas e nem invioláveis e não deve privar os “buscadores” da inspiração vivificante da Liberdade, restringindo-se as suas obras a um limite severo.

Até que tenhamos a força para voar, nos agarramos ao nosso ninho e nos afastamos daquilo que nos rodeia.

Retido por uns vínculos, devemos lutar para adquirir a força para romper, e lançarmos longe, para alem de todo limite, realizando em pleno significado de nossas lutas.

Não duvidemos jamais que o artista com sua criação é que vá diante “do fazedor de leis” e de seus códigos sobre arte.

A arte não esta destinada a justificar as Shilpa Shastras sendo que os Shastras estão aí para elucidar a arte. Em primeiro lugar nasce a forma concreta e logo vem os analises, os comentários, as leis e os cânones codificados nos Shastras.

As restrições impostas ao menino impedem a ele de se perder e lhe obriga a andar com receio, por está destinado a confiar para sempre em certo limite.

O noviço em arte se coloca sobre as restrições dos “tratados técnicos” em quanto o mestre se emancipa das tiranias das leis, das proporções e das medidas, da luz, da sombra, das perspectivas e da anatomia.

A igual obediência aos dogmas não faz o crente, do mesmo modo, nenhum homem chega a ser um artista seguindo servilmente ao código de sua arte.

Que loucura seria imaginar uma estatua modelada estritamente seguindo as leis dos Shastras, nos permitiria atravessar o limiar do distante reino em que a arte se alia com a alegria eterna!

Quando o peregrino inexperiente vai a um templo de Djaggernath, deve deixasse seguir passo a passo por seu guia que, em cada curva, dirige rumo a direita, rumo a esquerda, rumo para cima e para baixo, até que o caminho lhe chegue a ser familiar e a presença do guia seja inútil. Quando, por fim a Divindade seja revelada, tudo deixa de existir para o peregrino: templos e santuários, pórticos e limiares, símbolos e ornamentos, assistências sacerdotais, exatidões matemáticas dos passos medidos...

Semelhante ao rio que rompe seus diques, o artista derruba os limites das leis dos Shastras.
Por isso abordamos os nossos textos sagrados que tratam sobre arte com o espírito crítico, o encontraremos cheios de restrições e seremos também propensos a esquecer das abundantes lições que nossos sábios nos legou para salvaguardar a continuidade de nossa arte.
As obras de arte destinadas a ser contempladas de uma maneira religiosa devem conformar-se a um tipo prescrito. Isso quer dizer que o artista deve aderir as formulas dos Shastras só quando criarem imagens destinadas aos cultos, e que os demais casos são livres para seguir seus próprios instintos.
A imagem seguinte é um exemplo de figura de três curvaturas (Figura Tri-bangha).

Escolhida entre os numerosos exemplos desse tipo de criação pelos artistas hindus, na pagina 55 pode ver uma figura do mesmo tipo literalmente executada seguindo as formas dos tratados.
Enquanto o sábio Sancharcharya (*) tentava elucidar os mistérios da beleza com pesos e medidas, a personificação da beleza só é apreciada como uma forma que viola todas as leis e técnicas, estranha criação de algum artista rebelde: apareceu e lhe chamou atenção. Ao vê-las, o filosofo teve uma revelação e exclamou: “Essas leis odiosas, não são reveladas para ti; esses cânones escreveram esses analises minucioso para as imagens destinadas para os cultos. Inúmeras são as formas que vistes, oh beleza, e nenhum Shastra pode definir”.

Acrescentando: “Uma só figura entre milhões, por casualidade terá uma chance de ter uma forma impecável e uma beleza perfeita? Os sábios dirão: Só a imagem que se conforma às leis da beleza dos Shastras é uma forma perfeita. Nada que não obtenha as sanções dos Shastras é perfeito. Outros, ao contrario dirão: Todos os que amam apaixonadamente chegam a ser perfeitos, chegam a ser esplendidos”.

(*) Sancharcharya, celebre doutor do século VIII, autor de um comentário sobre os Vedas-Sutras, traduzido por G. Thibaut em os Secred Books of the East