sexta-feira, 31 de julho de 2009

A MÃE DIVINA - PELA A MÃE





Os racionalistas acham um absurdo a devoção à Mãe Divina. Para falar a verdade, devoção para eles já é um absurdo, ainda mais à Mãe de um Deus, que eles não acreditam que exista.
Os yogues iluminados, como Yogananda, Shivananda, Ramakrishna, Aurobindo, Amma, seres que vivenciaram as profundezas e as alturas do ser, perceberam a existência do poder do Absoluto, pois toda consciência equivale a um nível de poder.
Os tântricos, diziam "Shiva sem Shakti é shava", que significa: consciência sem poder é um cadáver.
Ramakrishna, afirmava que Deus sem forma era seu pai e Deus com forma era sua mãe. Lao-Tsé, chamava aquilo que não tem forma de Tao e aquilo que tem forma de Mãe. Muitos católicos dizem que ninguém vai à Jesus sem passar por Maria.

Se observarmos atentamente, a adoração do Sagrado na forma feminina, sempre esteve presente em todas as tradições, basta olhar para o culto à Tara, no Tibet, Kuan Yin, no Japão, Lakshimi, Kali, Saraswati, Durga, na Índia, Ísis, no Egito, Iemanjá e Oxum, no Brasil, Nossa Senhora de Fátima, Lourdes, na Europa e mundo.

Mesmo a natureza, é adorada em diversos povos como Mãe: Mãe Terra, Mãe Gaia, Pachamama, etc.
Os sábios hindus perceberam três principais aspectos de culto à Mãe: o primeiro, com o nome de Lakshimi, representa o amor, a beleza e a abundância. O segundo, é representado pela Mãe Kali, nua e transparente, feroz contra toda injustiça, prisão e falsidade humana e o último aspecto, aquele que não desiste de aperfeiçoar a sua obra, denominada Mãe Saraswati, é aquela que dita os ritmos e coloca criatividade e arte em cada momento de nossas vidas.

Para acessarmos o primeiro poder, temos que ter amor pelo belo e serví-lo, não compactuando com as imundices e mau gostos humanos. Já o segundo, necessita que tenhamos amor à liberdade, à justiça e não toleremos nenhuma espécie de falsidade. O acesso ao último aspecto ou poder, depende de disciplina, organização e ação perseverante.

Sri Aurobindo disse que, somente quando ele se tornou mulher é que ele pôde ver Deus.


FLORES :::

Devemos tentar ser como uma flor: aberta, franca, igual, generosa e gentil. Você sabe o que isto significa?

Uma flor é aberta a tudo o que a cerca: Natureza, luz, os raios do sol, o vento... Ela exerce uma influência espontânea sobre tudo o que está em torno dela. Ela irradia uma alegria e uma beleza.

Ela é franca: nada oculta de sua beleza, e a deixa fluir livremente de si. O que está dentro, o que está em suas profundezas, isto ela deixa vir para fora de modo que todos possam vê-lo.

Ela é igual: não tem preferência. Todos podem desfrutar de sua beleza e de seu perfume, sem rivalidade. Ela é igual e a mesma para todos. Não há diferença alguma, para o que quer que seja.

Então generosa: sem reserva ou restrição, como ela doa a misteriosa beleza e o perfume próprio da Natureza. Ela se sacrifica inteiramente pelo nosso prazer, mesmo sua vida ela sacrifica para expressar esta beleza e o segredo das coisas reunido dentro de si.

E então, gentil: ela tem uma tal suavidade, ela é tão doce, tão próxima de nós, tão amável. Sua presença enche-nos com alegria. Ela é sempre jovial e feliz. Feliz é aquele que pode trocar suas qualidades com as qualidades reais das flores. Tente cultivar em si estas refinadas qualidades. (Mira Alfassa - A Mãe)

(Texto extraído da Revista Ananda - revista puclicada pela Casa Sri Aurobindo)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ARTE DO SILÊNCIO 2 - O CONTROLE DAS PALAVRAS






» por Mira Alfassa (A Mãe)

Na Terra, o homem é o primeiro animal capaz de servir-se de sons articulados. Ele é muito orgulhoso disso. Aliás, se utiliza dessa capacidade sem medida nem discernimento. O mundo está ensurdecido pelo ruído de suas palavras, mas às vezes se é tentado a lastimar o silêncio harmonioso do reino vegetal.

O constante zumbido das palavras parece o acompanhamento indispensável das tarefas cotidianas. No entanto, logo que se procura reduzir o ruído ao mínimo, percebe-se que muitas coisas são feitas melhor e mais rápido no silêncio, e que isso ajuda a manter a paz interior e a concentração.

Se você não é sozinho e vive com outros, adquira o hábito de não se exteriorizar constantemente em palavras pronunciadas em voz alta, e você perceberá que, pouco a pouco, uma compreensão interior se estabelece entre você e os outros; poderá então intercomunicar-se reduzindo as palavras ao mínimo, ou mesmo em palavra alguma. Esse silêncio exterior é muito favorável à paz interior, e com boa vontade e constância na aspiração você poderá criar um ambiente harmonioso, muito propício ao progresso.

Na vida em comum, às palavras que dizem respeito à existência e às ocupações materiais virão juntar-se aquelas que exprimem as sensações, as emoções e os sentimentos. É aqui que o hábito do silêncio exterior se revela como uma ajuda preciosa. Pois quando somos invadidos por uma onda de sensações ou de sentimentos, esse silêncio habitual nos dá tempo de refletir, e, se for preciso, de nos retomarmos, antes de projetarmos em palavras a sensação ou o sentimento experimentado. Quantas disputas podem assim ser evitadas! Quantas vezes seremos salvos de uma dessas catástrofes psicológicas que são, na maioria das vezes, o resultado de uma incontinência verbal.

A menos que você seja responsável por certas pessoas, seja como guardião, instrutor ou chefe de serviço, você não tem nada a ver com o que elas fazem ou não fazem, e é preciso abster-se de falar deles, de dar sua opinião sobre eles e sobre o que fazem, ou mesmo de repetir o que os outros podem pensar e dizer deles.

Em todos os casos, e de uma maneira geral, quanto menos se fala dos outros, mesmo se for para elogiá-los, melhor. Se já é tão difícil saber exatamente o que acontece em si mesmo, como saber, então, com certeza, o que acontece nos outros? Abstenha-se, portanto, totalmente de pronunciar sobre uma pessoa um desses julgamentos definitivos que só podem ser uma tolice, se não uma maldade.

Ninguém conhece a verdade exata das coisas aqui, e cada um fala como se soubesse, mas ninguém sabe realmente. Se, um dia, a verdade fosse desvelada a todos, a maioria das pessoas, aqui e em toda parte, ficaria apavorada pela enormidade de sua ignorância e de sua falsa interpretação. Por isso, aconselho todos a ficarem em paz e a absterem-se de todo julgamento. Isso é o mais seguro.

Do ponto de vista da disciplina exterior, é indispensável, uma vez que se tenha uma opinião e que se a expresse, lembrar-se de que é apenas uma opinião, uma maneira de ver e de sentir, e que as opiniões, as maneiras de ver e de sentir dos outros são tão legítimas quanto as suas, e que, em lugar de se opor a elas, deve-se totalizá-las e tentar encontrar uma síntese mais abrangedora.





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Visite o site do Sri Aurobindo Ashram, de Pondicherry, Índia, em www.sriaurobindoashram.org

Texto digitado por Cristiano Bezerra em 18 de julho de 2009.
Do site:www.ekadantayoga.com.br

domingo, 19 de julho de 2009

ARTE DO SILÊNCIO 1 - MAUNA


Mauna o poder do silêncio - "Swami Sivananda"


Em certa ocasião, Bhaskali aproximou-se de seu Guru, Bhaba, e perguntou-lhe onde se encontrava o Eterno, o Infinito Supremo, o Brahman dos Upanishads. O mestre não respondeu e o discípulo então, continuou perguntando-lhe uma e outra vez e ele sequer abriu os lábios. Ao final o mestre disse-lhe: “Estive te dizendo uma e outra vez mas você não me entendeu; Que eu posso fazer? Esse Brahman, o Infinito, o Eterno, não pode ser explicado, mas sim conhecido através do silêncio profundo. Não existe nenhum outro lugar em que ele possa habitar, só no silêncio profundo e eterno!. Ayam, Atman, Santah. Este Atman é o silêncio”.

.O silêncio é Deus. È o substrato deste corpo, a mente, o Prana e os sentidos. É a chave deste universo sensorial. O silêncio é poder. É uma força viva.
É a única realidade. A paz que ultrapassa todo entendimento é o silêncio. A meta da sua vida é o silêncio. A finalidade da vida é o silêncio. O propósito da sua existência é o silêncio. Atrás de todos sons e ruídos se encontra o silêncio, que é sua alma interna. O silêncio é teu verdadeiro nome. É a experiência intuitiva. O silêncio ajuda ao Ser intuitivo a se expressar. Mergulhar no silêncio é converter-se em Deus.

A mensagem do deserto do Saara é o silêncio. A mensagem dos Himalaias é o silêncio. A mensagem do Avadhuta, o peregrino, que habita completamente pelado o gelado Gangotri o monte Kailas, é o silêncio. A mensagem do Senhor Dakshinamurti a seus quatro discípulos: Sánaka, Sanátana, Sanándana e Sanatkumara, foi o silêncio. Quando o coração se sente pleno, quando experimenta uma grande alegria, existe silêncio. Quem pode descrever as glórias do silêncio?

Não existe nenhum balsamo curativo melhor que o silêncio para aqueles que se sentem feridos em seu coração, devido a fracassos, decepções e perdas. Não existe nenhum sedante melhor que o silêncio para aqueles que sofrem dos nervos devido à agitação da vida, a fricções, rupturas e freqüentes disputas domésticas. Se não permite aos seus ouvidos escutar nenhum som, isto é o silêncio deste sentido em particular.

O sono profundo te põe em contato direto com este silêncio maravilhoso, mas ainda segue ai o véu de Avidia, a ignorância primaria. O silêncio desfrutado durante o sono profundo e aquele que experimenta no mas profundo da noite, proporciona a chave para a existência deste oceano de silêncio que é Brahman.

O silêncio físico e o silêncio da mente
Na linguagem comum, sentar-se calado, sem falar com ninguém, é silêncio. Se seu amigo não te escreve durante muito tempo você exclama: “mantém um frio silêncio não sei porque.” Se ninguém fala num salão de conferencias durante uma palestra emocionante diz-se: “A outra noite havia um silêncio absoluto enquanto o filosofo dava sua conferencia”. Quando as crianças fazem muito barulho na classe o professor lhes diz: “Silêncio, por favor”. Quando encontra os sadhus, ou peregrinos, um deles te diz: “Este outro sadhu é um Mauni. É meu amigo é esta guardando silêncio há seis anos.” Todos estes silêncios são físicos.

Se não deixar que seus olhos vejam os objetos, abstraindo-os por meio da pratica de Pratiahara ou Dama, isto constitui o silêncio deste sentido em particular. Mantém-se um jejum absoluto nos dias. Ekadasi sem tomar nem uma só gota de água, isto é o silêncio do Indriya da língua. Se não realiza nenhum trabalho, sentando-se em Padmasana durante três horas seguidas, isto constitui o silêncio das mãos e pés.

Mas o que realmente se requer é o silêncio da mente fervilhante. Pode fazer voto de silêncio, mas tua mente seguirá formando imagens. Será surpreendido por Sankalpa, ou imaginação. Chita, ou a mente subconsciente, manifestará suas lembranças. A imaginação, a razão, a reflexão e outras funções diversas da mente seguirão produzindo-se continuamente. Então, como conseguir paz ou silêncio verdadeiros? Para isto o intelecto deve deixar de funciona. O sentido interno astral deve encontrar-se em perfeito descanso. Devem desvanecer-se por completo todas as ondas mentais. A mente deve descansar no Oceano de silêncio ou Brahman. Somente então poderá desfrutar de um silêncio verdadeiro e duradouro.

Mauna, ou o voto de silêncio
Mauna significa fazer voto de silêncio. Existem diversos tipos de Mauna. O controle da língua se chama Vang-Mouna. Quando mantém-se quieto o Vag-Indriya, a isto chama-se Vang-Mouna.

O cessar absoluto das próprias ações físicas chama-se Kashtha Mauna, e nele não se pode mover nem sequer a tua cabeça. Não pode fazer nenhum sinal. Não pode fazer nada em um papel para expressar suas idéias. Mas tanto no Vang-Mauna como no Kashtha-Mauna, as modificações mentais não se destroem.

A visão eqüitativa de todo e a quietude da mente, unidas a idéia de que todas as coisas não são senão Brahman, chama-se Sushupti-Mauna. A extinção de todas as duvidas da mente, entendendo firmemente o caráter ilusório deste mundo, constitui o Sushupti-Mauna. A conclusão firme de que o universo não é senão Brahman, que todo impregna, constitui o Sushupti-Mauna.

Brahman, se denomina Maha Mauna porque é a encarnação do silêncio. Maha Mauna é o verdadeiro silêncio.
O Vang-Mauna não é mais que uma ajuda para alcançar o Maha-Mauna. O Mauna da mente é muito superior ao da língua, ou Vak.

O órgão da língua
O Vag-Indriya, ou órgão da língua, é uma arma forte de Maya para enganar aos Yivas e distrair a mente. As pessoas falantes não podem ter paz na mente. A conversa variada é um mal habito que distrai a mente, dirigindo-a sempre para o exterior e afastando o homem da espiritualidade.

As disputas e brigas produzem-se devido a este Vag-Indriya tão turbulento. A língua é como uma espada e as palavras são como flechas que ferem os sentimentos dos demais.
As mulheres são muito falantes e sempre estão fazendo barulho na casa. As sogras e as noras não podem estar quietas nem por um segundo. Por isto a casa emana sempre uma certa fricção.

.O estudo do sânscrito torna algumas pessoas muito falantes, forçando-as a iniciar discussões desnecessárias com outras pessoas para demonstrar sua erudição escolar. O pedantismo ou demonstração vã de erudição é o atributo especial de muitos estudantes de sânscrito. O Vag-Indriya é muito danoso, inquieto, turbulento e impetuoso. Deve ser por isto controlado firme e gradualmente. Quando comece a freia-lo tratará de revoltar-se contra você mesmo. Terá que ser por isso intrépido e ousado.

Não deixe que nada surja de sua mente através do Vag-Indriya. Observe Mouna ou silêncio. Isso te ajudará. Então terás tampado uma grande fonte de distúrbios. Quando se freia o Vag-Indriya os olhos e os ouvidos podem também ser controlados facilmente. Uma vez que tenha controlado o Vag-Indriya terá controlado a metade de sua mente.

Benefícios da pratica de Mauna
A energia se desperdiça por meio de conversas ociosas e fofocas. Mas as pessoas mundanas não se dão conta disso. Mauna, entretanto, conserva a energia pelo que pode fazer mais trabalhos mentais e físicos. Pode fazer também muita meditação pois tem uma maravilhosa influencia sedante sobre o cérebro e os nervos. Por meio da pratica de Mauna a energia da língua vai sendo lentamente transmutada ou sublimada em energia espiritual ou Oyas-Shakti.

Mauna desenvolve a força de vontade, freia a força do pensamento ou Sankalpa, impede o impulso da palavra e proporciona paz na mente. Desenvolverá a capacidade da paciência. Nunca dirá mentiras e terá pleno controle sobre a língua.
Mauna é uma grande ajuda para ser veraz e controlar a ira. Ao controlar as emoções, a irritabilidade desaparece. Quando um está doente, observar Mauna lhe proporcionará uma grande paz na mente.
Quem observa o silêncio possuí uma paz, uma fortaleza e uma felicidade desconhecidas pelas pessoas mundanas. Sempre permanece sereno e calmo. No silêncio há fortaleza, sabedoria, paz, quietude, alegria e felicidade. No silêncio há liberdade, perfeição e independência.

Como observar Mauna
As pessoas muito ocupadas deveriam observar Mauna pelo menos durante uma hora diariamente. Se pode faze-lo durante duas horas diárias muito melhor. Nos domingos observa Mauna durante seis horas ou inclusive durante todo dia. Ninguém te molestará pois saberão que observa Mauna entre determinadas horas. Seus amigos não te molestarão tampouco sua família. Utiliza este período de Mauna para fazer Yapa e meditação. Deve observar Mauna mesmo no momento da tarde em que espera visitantes. Se o lugar não é adequado para observar Mauna vai a qualquer lugar sozinho no qual teus amigos não podem te visitar.

Se desejar observar Mauna terá que se manter plenamente ocupado em fazer Yapa e meditação e escrever seu mantra. Não deve se mesclar com os demais. Não deve abandonar seu quarto com freqüência. A energia da língua há de se sublimar convertendo-a em energia espiritual para ser utilizada em meditação. Somente então desfrutará de paz, calma e serenidade, assim como fortaleza espiritual interna.

Durante o período de Mauna não se deve ler jornais, o qual reaviva as Samskaras mundanas perturbando sua paz mental. Ainda que vivas nos Himalaias terás que habitar no vale durante o dia fato que não te beneficiará excessivamente observando Mauna e sua meditação será perturbada seriamente.

Durante o Mauna não se deve escrever muitas folhas nem sequer deve-se escrever com seu dedo sobre o braço para expressar seus pensamentos a seus visitantes. Tampouco se deve rir. Tudo isso supõe romper o Mauna e é pior que falar.

Reduze suas necessidades. Deve-se organizar previamente quem fará seu regime dietético e qual é o momento em que se deve servir a comida. Não deve mudar sua dieta freqüentemente nem pensar diminuto nas distintas coisas que vai comer. Deve-se atender pessoalmente a limpeza de seu quarto e a outros deveres ordinários do dia. Não se ocupe excessivamente de barbear-se nem de limpar seus sapatos, nem da limpeza da roupa branca pois todas estas coisas interferem na continuidade dos pensamentos divinos. Não pense demasiado em seu corpo, nem no pão nem em sua barba. Pense mais em Deus ou Atman.

Algumas indicações especiais
Quando faça voto de silêncio não afirme nunca internamente com demasiada freqüência: Não vou falar.” Isso zangará um pouco a sua mente que deseja vingar-se de você. Simplesmente uma vez feita à determinação mantenha-se tranqüilo. Dedique-se a outros assuntos e não pense continuamente: “Não falarei, não falarei.”

Ao principio encontrará alguma dificuldade em observar Mauna pois se produzirá um severo ataque de Vrittis. Surgirão diversos tipos de pensamento, te forçando a romper o silêncio. Todas estas são imaginações e decepções vãs de sua mente. Seja intrépido. Concentre todas suas energias em Deus. Faça que sua mente esteja plenamente ocupada. Deste modo o desejo de falar e de buscar companhia se apagará e você conseguirá a paz.

A pratica de Mauna deve ser gradual. De outro modo você não será capaz de observa-lo durante dez ou quinze dias. Quem já tem o habito de observar Mauna diariamente por duas ou três horas, ou durante vinte e quatro horas nos dias de festa, serão capazes de observa-lo durante uma semana inteira ou quinze dias. Deve-se entender claramente o valor de Mauna. Observa-lo durante duas horas diárias e aumentar gradualmente até seis horas e depois de vinte e quatro horas a dois dias, uma semana, etc....

Se você acha difícil observar Mauna por muito tempo e se não utiliza o tempo para o Yapa e a meditação, o abandone em seguida. Quando a energia da palavra não está controlada e utilizada adequadamente em atividades espirituais, quando não está perfeitamente sublimada, corre como um louco manifestando-se em sons raros como hu,hu,hu, acompanhado de todo tipo de gestos e outros sons. Perde-se mais energia pela exibição destes gestos que pelas palavras normais. Terá que sentir que obtém muitos benefícios pela pratica de mauna em forma de paz, fortaleza interior e alegria. Somente então irá gostar da pratica de Mauna e tentará não falar nem sequer uma só palavra. Um Mauna forçado para imitar a alguém ou por obrigação te tornará inquieto e depressivo. O Mauna forçado não é mais que lutar com a mente. É um esforço. O Mauna têm que vir por si mesmo. Têm que ser natural. Se você vive na verdade, Mauna, virá por si mesmo. Somente então haverá paz absoluta.

Um Mauna prolongado e o Cashtha-Mauna prolongado não são necessários. O Mauna prolongado praticado por um aspirante pouco desenvolvido e purificado lhe fará dano.

A disciplina da palavra
Tente se tornar uma pessoa de palavras moderadas. Evite a todo custo os discursos longos e grandes, todo discurso desnecessário, debates e discussões vãs, retire-se da sociedade o Maximo possível. Isso em si só constitui Mauna. Falar sem controle durante seis meses e observar Mauna durante o resto do ano é inútil.

Vigia cada palavra. Isto é a mais grande disciplina. As palavras são forças tremendas. Utilize-as cuidadosamente. Controle suas palavras. Não deixe a língua solta como um louco. Controle as palavras antes que saiam de seus lábios. Fale pouco. Aprenda a ficar em silêncio.
As palavras muito complicadas cansam a língua, essas palavras te esgotarão. Utilize palavras simples e conserve a energia. Guarde as palavras para louvar a Deus. Dedique seu tempo mais e mais a uma vida interior de meditação, reflexão e Atma-Chintana.

Purifica a mente e medita, este tranqüilo e sinta que é Deus. Acalme a mente. Silencia os pensamentos buliçosos e as emoções impetuosas. Penetre no mais profundo de seu coração e desfrutará do vasto silêncio. É misterioso este silêncio. Penetre no silêncio. Conheça o silêncio. Torne-se o próprio silêncio. Converta-se em Maha Mauni. Realiza a Deus aqui e agora.

Livro Senda Divina- Swami Sivananda
Extraído site www.purayoga.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2009

ARTE GOSTOSA - FEIJÃO AZUKI


Foto da net
MUQUECA DE BROTO DE FEIJÃO AZUKI

½ kg de feijão azuki
1 cebola grande
4 dentes de alho
½ pimentão vermelho
½ pimentão verde ( pequeno)
1 tomate
1 pimenta de cheiro
1 colher de sobremesa de gengibre.
½ copo de leite de coco ou 1 garrafinha
½ amarrado de coentro picadinho, mais umas folhinhas para bater no liquidificador com o leite de coco.
3 bulbos de cebolinha
Sal
Pimenta c/ cominho
1 copo de água
3 colheres de sopa de azeite de dendê.
1 limão
Corte bem miudinho os temperos, misture com os brotos e o azeite de dendê, leve ao fogo, ponha o sal e a pimenta c/ cominho, quando começar a cozinhar os brotos, ponha o leite de coco batido com o coentro, tampe a panela e desligue o fogo e ponha o limão se gostar.

BROTOS DE FEIJÃO AZUKI COM MASSALA

1 xícara de broto
½ cebola
2 dentes de alho
1 colher de café rasa de massala com cardamomo
1colher de sopa de gergelim.
2 colheres de sopa de gee ou azeite de oliva
Sal
Pimenta dedo de moça a gosto (opcional)

Frite a cebola e o alho, ponha os brotos e deixe cozinhar com um pouco de água, acrescente a massala, gergelim, o sal e a pimenta. Sirva com arroz com cenoura.

Os brotos de feijão pode ser usado como recheio, ensopados, sopas e saladas .

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O SIGNIFICADO DE YANTRA




Por Sri Swami Satchidananda
Extrído do site www.jaivida.com


Yoga Integral é um Yoga completo e o Yantra do Yoga Integral é também completo. É uma representação total do cosmos.

Algumas imagens externas são usadas em meditação ou adoração para simbolizar ou expressar certas idéias e qualidades divinas. Quando mantras (fórmulas de sons usados em meditação) ou idéias divinas são usadas em meditação, certas imagens são trazidas à tona. É algo como líquido sendo cristalizado na forma sólida. Estas figuras geométricas são, na verdade, formas de mantras cristalizados. Um Yantra é uma expressão física de um mantra – um mantra sendo um aspecto divino na forma da vibração de um som – Yantra na forma de uma figura geométrica.

Em linguagem simples, como eu disse antes, nosso Yantra yoga integral representa a completa criação. Cada parte do Yantra corresponde a um diferente aspecto do cosmo. De acordo com o pensamento yogi, Deus ou a Consciência Cósmica, é originariamente não-manifesto – apenas É. Quando Deus começa a se manifestar, a primeira expressão é a vibração do som. A Bíblia explica isto dizendo: " No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a palavra Era Deus." Aqui, "palavra" significa som.

Em sânscrito eles falam alguma coisa similar, mas dão um passo adiante: "Nada, bindhu, kalaa" – o som, então uma mancha, então a arte ou raios. Se Deus manifesta como som, você não pode ver nada. Qual é a menor expressão que você pode ver? O bindhu ou mancha. Ela deveria ser a menor partícula possível. Mas, naturalmente, se for tão pequena que não podemos ver, então no Yantra é mostrada como uma mancha grande bem no centro do símbolo. O bindhu representa a primeira expressão física, o âmago do cosmo. É esta mancha que está expressa como kalaa. Kalaa significa os diferentes aspectos ou literalmente os diferentes raios ou diferentes artes.

As próximas expressões são três anéis de diferentes colorações (matizes) ao redor do bindhu. Eles representam os três gunas ou qualidades básicas da natureza: sattva (equilíbrio), rajas (atividade) e tamas (inércia). No pensamento yogi, tudo no universo manifesta-se unicamente em resposta a uma combinação única destas três gunas. Todas as diferenças nos fenômenos do mundo são devidas às variações destas três qualidades básicas.

Então você vê o hexágono ao redor dos três anéis. Isto pode ser muito bem explicado com um exemplo da ciência. Se você tirar uma fotografia de um cristal, você verá que sua forma natural é de seis lados. Este é o motivo que o Yantra tem seis triângulos ao redor do centro. Significa que a primeira partícula de problema pode expressar-se como um problema tão complexo como um cristal.

Estes seis triângulos são na verdade, uma combinação de dois triângulos maiores, um apontando para baixo, outro para cima. Na medida que um triângulo passa através do outro, nos conseguimos esta figura de seis lados. O triângulo com o vértice para cima representa o aspecto positivo ou aspecto masculino; o triângulo invertido é o aspecto negativo ou feminino. Em sânscrito, este conceito é chamado Siva-Shakti. É uma combinação de masculino-feminino, igualmente representado. Não existe inferioridade ou superioridade para nenhum dos aspectos; eles misturam-se perfeitamente. Qualquer lado você virar o Yantra, eles permanecerão o mesmo. Isto faz a totalidade, e representa por si mesmo o nirguna (não-manifesto) tão bem quanto o saguna (manifesto), aspectos completos do Supremo.

Uma vez que os triângulos estão juntos, o hexágono poderia então representar algo mais: os seis tattvas ou princípios básicos – os cinco sentidos e a mente como o sexto. O cristal de seis lados então se manifesta para fora em expressões mais amplas da energia e problemas primordiais. Porque e como isto acontece? Fora do amor. Então todas as bonitas pétalas do lótus representam a manifestação de amor.

Outra maneira de explicar as pétalas é que as oito pétalas internas representam os elementos sutis, enquanto as dezesseis externas indicam as manifestações grosseiras.

Então você vê os três círculos maiores ao redor das pétalas. Eles indicam como estes elementos de longe expressam como os três mundos: causal, astral e físico. Mas, mesmo isto não é o final. A expressão Divina é ilimitada. Isto porque os círculos são emoldurados por um quadrado com falhas apontando para fora, representando o infinito da criação.

OM Shanti, Shanti, Shanthi
Extrído do site www.jaivida.com

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Coruja de Jener/1958, coleção particular de Fred e Dila Matos



Aracajú, SE, 11/11/1924)
Sergipano de nascimento, Jenner Augusto foi, no entanto, um dos integrantes do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, durante a década de 50, junto com Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho, Carlos Bastos e Carybé, entre outros. Antes disso, em seu estado, foi o precursor da Arte Moderna, já que em 1949 realiza os murais decorativos do Bar Cacique, com claras referências à obra de Portinari.
Filho de uma professora, Jenner passou grande parte de sua infância mudando pelas cidades do interior de Sergipe. Humilde, trabalhou como engraxate, sapateiro, ajudante de alfaiate, pintor de paredes, até começar a fazer cartazes para filmes. Começa a se interessar pela obra de Horácio Hora (1853 - 1890) na década de 40, o que incentiva a sua pesquisa no campo da pintura. Seus primeiros trabalhos são acadêmicos, já que o contato com o Modernismo já amadurecido no Rio de Janeiro e em São Paulo era quase impossível. Por volta de 45, data de sua primeira exposição, começa a integrar-se no ambiente artístico de Aracajú, e em 49 realiza a decoração do Bar Cacique, marco da Arte Moderna no Sergipe, onde aparece clara influência de Portinari, prova que as informações dos centros culturais do país começavam a chegar às capitais.
Neste mesmo ano muda-se para Salvador, onde conhece Mário Cravo e Rubem Valentim, com eles expondo no ano seguinte na mostra Novos Artistas Baianos, junto com Lygia Sampaio. Nos anos seguintes, além de participar da I Bienal de São Paulo (51), realiza importante mostra na Galeria Oxumarê, de Salvador (52), participa do Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio, em 53 voltando a expor até 62, além de receber o prêmio de viagem da UFBa no V Salão Baiano de Belas Artes (54). Expondo no Rio de Janeiro, em 55, conhece Portinari e Pancetti, que divulgam o artista no meio artístico. É neste mesmo ano que conhece o maior divulgador de sua arte e um de seus maiores fãs, Jorge Amado.
Sua obra, esta altura, era marcada pela influência de Portinari, e a temática começava a tornar-se baiana, sempre retratando trabalhadores e cenas cotidianas. Em 53 realiza o afresco Evolução do Homem, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, que além de Portinari, carrega forte influência do muralismo mexicano, como de resto acontecia com outros artistas da época. A partir do final da década, no entanto, Jenner se aproxima da abstração lírica, e seu trabalho demonstra uma maior preocupação cromática, em detrimento da linha.
Retoma a figuração logo depois, com a série Alagados, denunciando a pobreza ao mesmo tempo que pintando com um colorido que dá à estas obras um extremo lirismo. Surgem outras séries, como a dos Coroinhas, mas de maneira geral, a partir do final dos anos 60, sua obra é paisagística, oscilando sempre entre o figurativo e o abstrato, com predomínio constante dos grandes planos cromáticos, sem grandes inovações até os dias atuais.
Cassandra de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]

YOGA E LIBERDADE - Tales Nunes




Yoga e Liberdade foi o tema do curso administrado por Tales Nunes no espaço Lumen em Maceió.
Foto do grupo por Weliton


Liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é. Qual, afinal, é o objetivo do Yoga? Para que fazermos tantas ações e criarmos uma disciplina de prática de Yoga? Parto do princípio de que o objetivo de praticarmos Yoga é alcançarmos a liberdade. Mas, se buscamos alcançar a liberdade, é porque não somos livres. Então, o que nos aprisiona?

O mundo, a realidade, é como é. Nós imprimimos sobre ele valores, desejos e expectativas, a tal ponto de podermos dizer que existe um mundo em cada mente humana. Há uma maneira de ver e de interpretar o mundo em cada pessoa.

A nossa mente deve ser uma ferramenta de aprendizado e amadurecimento que possuímos, mas, na verdade, a nossa mente nos possui. Ela nos leva para passear junto com ela em seus altos e baixos. Poderia ser diferente? Bom, vamos pensar que podemos ter três tipos de posturas em relação à nossa mente: reativa, reflexiva e contemplativa.

Como, porém, podemos ser algo em relação à nossa mente, se nós somos a mente? Primeiro devemos entender que não somos a mente, que a mente é parte de nós. Quando realizamos isso, começa o caminho para a liberdade.


Uma mente reativa


Os valores que cada um de nós possui são construídos a partir do tempo, do local e da circunstância em que estamos inseridos, assim diz a psicologia, a sociologia e a antropologia. Cada uma dessas disciplinas dá ênfase a um determinado aspecto da formação da identidade do ser humano, seja social ou individual.

O Yoga, por sua vez, inclui outro fator não comumente falado pelas ciências do homem: os efeitos produzidos por vidas passadas, que têm influência sobre o que vivemos hoje. A idéia é que nascemos nesse local, nessa família, nesse período, justamente por influência de ações anteriores ao nascimento1. O objetivo deste artigo não é discutir o que acontece antes do nosso nascimento, ou após a nossa morte, mas o que acontece no meio.

Nascemos numa família, com pais e irmãos que vão se relacionar conosco de determinada maneira, que vão nos influenciar de um jeito, de modo tal que vamos construindo nossa identidade a partir desse relacionamento e de outros que vão além da nossa família e incluem as relações com nossos vizinhos, com outras pessoas que vivem na cidade e no país em que residimos.

Depois de começamos a falar, seja qual for a língua, nasce dentro de nós uma vozinha que irá nos acompanhar pelo resto da vida. Uma vozinha que olha para o mundo exterior e se identifica, qualifica, julga o mundo bom ou ruim de acordo com os gostos e aversões que se desenvolverão e se arraigarão dentro de nós ao longo do tempo.

Nós somos estimulados a construir a nossa identidade a partir da ilusória idéia de autonomia, pois a sociedade em que vivemos idolatra esse valor. É inculcado em nós o desejo intenso de sermos diferentes dos outros, de querermos uma roupa que seja diferente, um carro, um celular que seja a nossa cara. A idéia de sermos diferentes dos outros está tão fortemente arraigada que, quando encontramos alguém vestido igual a nós, sentimo-nos constrangidos. Por quê? Porque desejamos ser diferentes. Desejamos possuir uma história de vida que seja única e contar essa história de vida com todo o orgulho e apego.

Assim, então, criamos as nossas identificações com certas coisas e as nossas desidentificações com outras, formamos a nossa personalidade, os nossos apegos e aversões. E quanto mais o tempo passa, parece que mais nos apegamos a essa construção. Quanto mais realidade damos à nossa idéia de identidade, mais grudados nos tornamos aos condicionamentos, padrões mentais, emocionais. E a vozinha interna, a própria voz do ego que torna todas as experiências auto-referentes, ganha mais força de realidade, a ponto de acharmos que somos apenas a nossa personalidade.

Apegados a essa vozinha interna, reagimos constantemente perante os outros, perante a vida, ao invés de agirmos de acordo com as circunstâncias. Queremos que o mundo e as pessoas sejam como nós desejamos. Sentimo-nos presos pelo mundo porque a nossa felicidade depende dele e tentamos controlá-lo à nossa maneira. Ou seja, sentimo-nos presos pelo mundo e pelas pessoas e ao mesmo tempo tentamos aprisioná-los.


Uma mente reflexiva


Uma mente reflexiva é uma mente capaz de olhar para si mesmo, para esse constante movimento, com o mesmo olhar imparcial com que olhamos para os fenômenos externos a nós. Tal mente permite vermos que é ilógico ter como referência de nós mesmos aquela mente oscilante.

A nossa mente trabalha fazendo conexões, encadeamentos, tendo como matéria um conteúdo que acumulamos ao longo do tempo: memórias do que vimos, ouvimos e vivemos: a nossa própria história de vida. A nossa história de vida pode ser resumida na nossa reação de aproximação do que desejamos, o que achamos que nos faz bem, e da reação de afastamento do que não gostamos, do que achamos que não nos faz bem.

Mas se pararmos e olharmos para o nosso eu relacional, a nossa personalidade, vemos que é completamente mutável. Aquilo de que gostamos hoje, desgostamos amanhã, o que nos faz feliz hoje, amanhã se torna um problema. Estou alegre, estou triste. Estou calmo, estou com raiva. Estou bem, estou mal. A mente sempre vai variar entre esses estados, “bons” e “ruins”. E se estamos identificados com o conteúdo da nossa mente, quando a mente estiver bem, eu estarei bem e o mundo todo parecerá estar perfeitamente bem. Porém, quando a mente estiver mal, eu estarei mal e o mundo inteiro parecerá estar errado.

As qualidades das coisas não estão nas coisas, estão em nós mesmos. Nós imprimimos sobre o mundo os nossos valores. As coisas e as pessoas em si não têm qualidade de nos aprisionar, de nos tornar felizes, tristes ou raivosos. Vendo isso, abstemo-nos de culpar os outros pela nossa infelicidade, pela nossa falta de liberdade, ou o que quer que seja.

Ninguém e nada tem esse poder, pois somos nós mesmos investimos as pessoas e as coisas desse poder. Esse reconhecimento é a grande qualidade de uma mente reflexiva, pois traz para si mesmo a responsabilidade pela própria felicidade, sem julgamentos, pois não é justo conosco nos julgarmos com base num estado momentâneo da mente. Esse estado, amanhã, pode ser completamente diferente. E nós não temos controle nem poder sobre como nós podemos ser ou como podemos estar amanhã ou daqui a duas horas.

A compreensão de que é ilógico julgarmos os outros e nós mesmos confere-nos liberdade, aceitação e relaxamento para sermos o que devemos ser no momento e as outras pessoas a serem do jeito que são.


Uma mente contemplativa, uma mente livre


Se somos capazes de olhar para o que pensamos ser o nosso verdadeiro eu como objeto, é porque existe algo mais que é sujeito. Ou seja, é porque existe algo mais dentro de nós que não é apenas uma personalidade formada de gostos e de aversões e que constantemente reage diante das situações impostas pelo mundo.

Uma mente contemplativa é capaz de perceber uma presença silenciosa além de seus próprios ruídos, além da vozinha interna constantemente a conversar. É uma mente que tem a capacidade de permanecer tranqüila diante da agitação, serena diante da tristeza, pois reconhece em si toda a paz e plenitude que antes buscava fora, nos objetos externos.

Ao criar esse distanciamento em relação aos seus próprios movimentos mentais, reconhece a desidentificação com a própria história de vida e todos os dramas que a mente cria para nos aprisionar. Quando viajamos de avião, vemos todos lá embaixo, bem pequenos, e todos os dramas (trânsito, chateações, apegos, anseios) parecem também ficar bem pequenos, exatamente porque neste momento temos a visão do todo e não a visão centrada em nós mesmos e nos nossos pequenos conflitos diários.

Uma mente contemplativa é uma mente livre, livre de si mesmo, pois apenas nós mesmos temos a capacidade de nos aprisionar. Ao se ver livre das identificações com o conteúdo mental, com os dramas pessoais, há a possibilidade de rir de si mesmo, de não se levar tão a sério. Quando estamos dentro de um cinema, assistindo a um filme, emocionamo-nos e identificamo-nos com os personagens e até mesmo choramos. Mas a todo o momento não perdemos a consciência de que aquilo não é real, é uma ficção, uma encenação. Assim também é a vida, mas, quando estamos apegados a ela, não conseguimos reconhecer que a vida é um grande espetáculo, muito bem orquestrado e pensado, como o filme.

Uma mente contemplativa, livre, reconhece e, assim, aprecia. Aprecia tanto a vida, todos os aspectos da criação - a natureza, os animais em sua imensa e bela variedade e formas -, como aprecia a si mesmo, os seus próprios estados mentais, sejam eles considerados bons ou ruins, como parte do mesmo Todo; como manifestações da Consciência que aprecia brincar com as formas e com o movimento.

A vida é feita de luz e de movimento constante. O que nasce hoje já tem a sua morte anunciada e dela o surgimento de algo novo. Cabe a nós apenas apreciarmos esse belo espetáculo que é a vida. Para isso, é necessário discriminação, desapego e aceitação.

Discriminação para saber que todos os objetos que os nossos sentidos possam apreender são perecíveis, porém a nossa essência é eterna. Desapego para que possamos contemplar as mudanças, internas e externas. E aceitação para acolher a si mesmo e ao mundo como eles se apresentam.

Termino reafirmando: liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é.


Tales Nunes pratica e estuda Yoga desde 1997. Atualmente ministra cursos de formação pelo Brasil, em Brasília, Goiânia, Aracaju e Salvador. É autor do livro: "O Yoga e o Ser". Tales é mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina, com dissertação defendida sobre a representação do corpo no Yoga. É editor dos Cadernos de Yoga.
Seu email é tales@cadernosdeyoga.com.br.

www.yoga.pro.br

YOGAÑJALISARAM - KRISHNAMACHARYA


SLOKA 9

Aquele que não cantam os Vedas
Nem oferecem devoção ao Sol
Põem em risco essa Terra sagrada
Porque desrespeitam o darma.


Extrído do livro O Coração do Yoga de T.K.V.Desikachar
foto da net

quarta-feira, 27 de maio de 2009

ARTE ESCRITA - FESTA NO PIAU - FRED MATOS

Foto: Marisa Vianna

UM POUQUINHO DE FRED MATOS

FRED MATOS nasceu em Salvador Ba. É poeta, contista e romancista, tem três livros publicados: EU MEU OUTRO, ANOMALIAS e MELHOR QUE A ENCOMENDA, e varias publicações em antologias, com o conto “Transe” ele foi premiado em 14° lugar do Concurso Nacional de Contos Luiz Vilela.
http://eumeuoutro.blogspot.com/ onde ele expõe sua arte.



FESTA NO PIAU


Dona Alzira, moça velha já beirando os 70 anos, ciosa na função de governanta da casa grande da fazenda do Dr. Paulo Albuquerque, mas já alquebrada pelos anos na dura labuta abraçada com fervor religioso para sofrear as jamais consumadas, mas ainda recorrentes paixões carnais, foi quem recrutou as mulheres para arrumar e enfeitar a casa para a fuzarca. Cristina, a mais bonita delas, chegou com o sol ainda nascendo. Pés no chão trajava gola e mangas puídas, um velho vestido de chita muito apertado, sobretudo nas ancas generosas, pois, como lamenta dona Josefa, “as roupas não crescem com as crianças”.
Paulo, solteirão por opção, aparenta dez anos menos que os 47 que tem. Cirurgião conceituado na Bahia aplica todo o tempo ocioso na fazenda comprada há quase 20 anos, quando, no inicio da carreira, medicava em Valença, sua cidade natal. É um homem que ama a natureza e prefere a convivência com as pessoas simples do lugar que entre os citadinos. Aos colegas se justifica dizendo que prefere ser o maior peixe em um lago pequeno do que um peixe pequeno em uma grande lagoa. No Piau, onde é a grande personagem, ninguém faz reparo nas mulheres que traz de Salvador para o gozo nas longas e frias madrugadas.
João comprou cuecas novas e, pela primeira vez, tirou da gaveta a calça Lee presenteada no Natal pelo padrinho. A camisa domingueira, de linho branco, foi herança do pai, o velho Honorato. O coitado, João marejou os olhos ao lembrar, morreu abraçado com a mulher, Cremilda, sua mãe, no capotamento, ano passado, de um pau-de-arara em romaria a Bom Jesus da Lapa. Filho único, ficou órfão aos 18 anos e toca sozinho o pequeno sítio. O sustento é garantido pela pouca farinha que consegue produzir e vender na feira. Dinheiro a mais, para os lavradores do lugar, só na safra do cravo, de dois em dois anos. Nessas ocasiões, pai e mãe ainda vivos, o apurado era depositado em uma caderneta de poupança na Caixa Econômica, em Valença, maior cidade da região. Sua primeira safra após a orfandade ainda é promessa nos frágeis arbustos. O intento do moço é, vendida a safra, sacar toda a Poupança e, junto com o apurado do ano, reformar o velho casebre e a casa de farinha, comprar uma bicicleta e casar com Cristina. Uma parte está reservada para a lua de mel: uma semana em Morro de São Paulo, paraíso tão próximo, mas onde foi apenas uma vez, levado pelos pais como presente de aniversário, em ano de boa safra.
Ah! Morro de São Paulo, de inesquecíveis lembranças. João, menino taludo, pedra nos peitos e primeiros fios de pentelho aflorando, completava 13 anos. Na praia mais próxima à antiga vila os pais fizeram pouso e ele, usufruindo a liberdade que só é dada às crianças criadas no interior, apressou-se em conhecer o que fosse possível até a hora marcada para voltar. Atraído para uma mangueira carregada de frutos maduros, transpôs a porteira de uma fazenda à beira-mar e lá foi premiado com a sorte de encontrar uma mulher estrangeira, dona da propriedade, que aliando experiência e paciência transmitiu-lhe as primeiras lições da difícil arte da satisfação da libido.
Dona Josefa passou goma no melhor vestido da filha. Na festa do Doutor Paulo todos usam suas melhores roupas mesmo sabendo que não são tão bonitas quanto as dos convidados que chegam de Valença e de Salvador. O doutor, ela matutava, “é um amor de pessoa. Tem o defeito de ser solteiro e mulherengo, trazendo diferentes amigas a cada final de semana, mas sempre respeitando as moças do Piau, além do mais, trata pobres e ricos da mesma forma: dançam todos no mesmo salão e comem dos mesmos petiscos. Muitas crianças da região lhe são dadas para batizar e aos afilhados presenteia no Natal e na data do aniversário. Até escola construiu na fazenda e conseguiu professora do Estado para dar as aulas”. Cristina pediu ao pai para comprar vestido novo, mas está tudo tão caro e os cravos ainda estão verdes no talo. O cacau, que nos bons tempos garantia o sustento, às vezes até algum luxo, já não tem bom preço e as árvores, atacadas de pragas, produzem muito pouco. Dona Josefa nunca tinha visto a filha tão excitada. Cristina, que completou 17 anos em junho, ainda não fala em casar e desdenha quando ela fala no assunto. A mãe só lhe notou algum interesse por homem, em um sábado de feira em Itabaina, quando cruzaram com o filho do finado Honorato. Não tardou em avisar que o pai não consentiria em namoro com o moço, apesar de afilhado do Doutor Paulo. Recebeu como resposta um “tá doida mãe?” E desocupou-se do caso.
Cristina é, no aspecto físico, um belo exemplo da miscigenação que produziu a raça brasileira. Dos indígenas herdou os cabelos pretos e lisos que escorrem, quando os tem soltos, até o meio das costas. São da raça branca as feições delicadas do rosto e os olhos castanhos claros, quase verdes. Dos negros tem, sobretudo, a bunda suculenta que requebra voluptuosa fazendo com que, à sua passagem, os homens paralisem a labuta para sonhar prazeres improváveis. A cor da pele, acobreada, resulta da mistura dessas três raças.
O cabelo preso em coque, ela estava de quatro, areando o piso do banheiro, a bunda balançando no ritmo do vaivém do braço, quando Paulo entrou e trancou a porta. Ficou pálida, mas não disse palavra. Ele tirou a roupa, exibindo o pau, já duro. Ela tentou sair, mas foi abraçada pelo médico que, desinibido, desabotoou os seus trapos enquanto passava a língua pelo seu ouvido. Cristina, transida de desejo, voz sussurrante, pretextou sua condição de virgem e disse de João e dos planos que tinham. Paulo tranqüilizou-a garantindo o casamento com o afilhado: “Se você não contar, ele nunca vai saber”, ele prometeu.
Naquele exato momento, na roça de mandioca, João extraia as raízes da terra sonhando com a consumação do ato sexual que unirá o seu destino ao de Cristina. Pensava, com boa razão, que, em conseqüência, seu Ramalho, pai de amada, nada poderia objetar para impedir o casamento. Mesmo a velha rixa do pai da noiva com o finado Honorato, resultado de disputa por mulher quando eram moços, seria finalmente esquecida. Imaginou seu pênis penetrando Cristina, que até então só lhe havia permitido botar nas coxas e que, uma única vez, havia concordado em chupar seu pau, o que fez com lamentável imperícia. João lembrou-se da italiana do Morro de São Paulo lambendo-lhe cada milímetro de sua glande e bebendo ávida o suco branco e quente que ejaculara abundante. Não podendo conter-se se masturbou idealizando estar sodomizando a namorada.
Usando da delicadeza possível em circunstância como aquela Paulo havia rompido o hímen de Cristina sem que ela chegasse ao gozo. O médico explicou-lhe que era assim na primeira vez, mas que ela não ficaria decepcionada, esperasse um pouco até que ele estivesse refeito do esforço. Estavam deitados em uma enorme banheira - esse útil aparelho sanitário aposentado pela moderna arquitetura -, imersos em água morna, quando o médico foi chamado pela rapariga que ele tinha trazido de Salvador. Ele deixou entrar, para constrangimento da matuta, uma escultura loura com não mais que 20 anos. A intrusa deixou cair o roupão revelando atributos de beleza que Cristina nem sonhava ser possível existir. Sem que nenhuma palavra tenha sido dita, a loura deitou-se ao lado da roceira tocando-a com uma ciência que poucos homens conquistam. Paulo juntou-se a elas e foi então que Cristina experimentou o seu primeiro orgasmo, com a loura lambendo-lhe o clitóris.
João, o sol ainda a pino, voltou cedo da roça, descarregou a mandioca na casa de farinha, desarreou o burro e desceu a ribanceira até o riacho, divisa da sua pequena propriedade com a fazenda do padrinho. Há muito o rapaz não se empenhava tanto no asseio: festa na casa do Doutor é o melhor programa da região banhada pelo rio Piau e, principalmente, porque Cristina fora enfim convencida a se fazer mulher e que, com todos entretidos na festa, oportunidade melhor não poderia haver para a consumação do ato.
Refeitos do gozo, Paulo inteirou-se com Cristina dos detalhes do plano de João. O afilhado tinha combinado com a namorada esperá-la, às 22 horas, auge da festa, quando ninguém daria pelas suas ausências, no pequeno quarto onde o médico guardava selas e arreios dos animais. O médico instruiu a moça a proceder conforme queria João e mais uma vez garantiu que tudo iria dar certo. Cristina voltou para casa após o almoço vivenciando humores ciclotímicos. Em alguns momentos tomava-se de pavor imaginando estar estampado no seu rosto o acontecido pela manhã. Em poucos minutos estava sorrindo, convencida pelas promessas de Paulo e ansiosa para que se repetisse o prazer nunca antes gozado.
Logo no inicio do baile, o médico convidou o afilhado a acompanhá-lo em umas doses de uísque. O rapaz, que não podia acercar-se da namorada na presença dos pais e irmãos da moça, aceitou com prazer e orgulho a especial deferência. A João preocupava apenas o ficar de olho no relógio enquanto Paulo entretinha-o falando das novidades tecnológicas das grandes cidades do mundo. Na hora aprazada para o encontro o rapaz estava completamente bêbado e foi aconselhado pelo padrinho a tirar uma soneca: “use o quarto dos arreios, se precisar pode ficar até amanhã”. O médico saiu para o salão e João, trôpego e ofegante foi esperar Cristina.
No salão o baile corria solto, Paulo com licença de seu Ramalho, tirou Cristina para dançar e sussurrando instruiu-a a ir ter com o namorado. Avisou-a que provavelmente o encontraria dormindo e que, se assim fosse, que o despisse completamente e que nua o tomasse nos braços. Finda a dança, Paulo acercou-se do pai da rapariga com quem puxou conversa sobre coisas da lavoura, sobretudo quanto à necessidade da erradicação dos cacauais infectados pela “vassoura-de-bruxa”. Conversa vai, conversa vem, convidou Ramalho para ver a sela nova que havia comprado em recente viagem aos Estados Unidos: “coisa do outro mundo seu Ramalho, o senhor vai ficar de queixo caído com o que vai ver”.
No quarto, como havia previsto o médico, Cristina encontrou o namorado dormindo sobre um leito improvisado com as peles e panos que são usados para que os animais não sejam feridos pelas selas e procedeu como instruída pelo médico. Quando acabou de tirar a roupa de João, ela também nua em pêlo, João despertou e sonolento tomou-a nos braços. Vencendo o torpor causado pelo álcool, graças à sua juventude e ao enorme desejo acumulado desde quando a conhecera, João penetrava Cristina, sem se dar conta de não encontrar a resistência esperada de um hímen intacto, no exato momento em que, aberta a porta e acesa a luz, entravam Paulo e o pai da moça.
A reação violenta do velho Ramalho foi contida pelo médico com grande esforço físico. Estivesse o velho armado e a festa de aniversário de Paulo teria se transformado em palco de uma tragédia. Dominado, porém, o inicial impulso homicida, Ramalho foi acometido de grande lassidão, logo aproveitada por Paulo para acomodar a situação conforme sua própria conveniência. Pretextando sentir-se culpado pelo acontecido se ter dado em sua casa e por obra de afilhado seu, prometeu que tudo faria, inclusive financeiramente, para a felicidade do jovem casal. Pensando em seu deleite comunicou que já era tempo de aposentar a velha governanta e que seu lugar poderia ser ocupado por Cristina, moça prendada e trabalhadora, se a isso não houvesse objeção do pai ou do futuro marido. Que eles ficassem tranqüilos, pois sabiam que, apesar de homem solteiro, “sempre respeitei e sempre respeitarei todas as moças do meu querido Piau”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

PASHUPATI











PASHUPATI é uma das primeiras representações de SHIVA e surgiu no neolítico, por volta de 4.000 a.C.. O nome significa "O senhor dos Animais" (pashu = animais, feras, bestas; pati = senhor, mestre). Ele é representado com três faces, olhando o passar do tempo ( passado, presente e futuro). A coroa em forma de cornos de búfalo evidencia a proximidade de SHIVA com esse animal que representa as forças da terra e da virilidade. PASHUPATI está sentado em posição de meditação, o que nos faz pensar que as técnicas meditativas já existiam naquele período. Os quatros animais ao seu redor são o tigre, o elefante, o rinoceronte e o búfalo. Por ser o senhor das feras, PASHUPATI podia meditar entre eles sem ser atacado.

Mas, há um outro simbolismo. Esses animais podem representar nossas emoções e instintos mais básicos como o orgulho, a força bruta, o ódio e a sexualidade desenfreada. PASHUPATI, então, é também aquele que Domou suas feras inferiores, suas emoções e convive sabiamente com elas.

O shiva Purana, conta que os deuses estavam em luta com os demonios e, como não estavam conseguindo vence-los, foram pedir auxilio a SHIVA. SHIVA lhes disse: "Eu sou o Senhor dos Animais (PASHUPATI). Os corajosos titãs só poderão ser vencidos se todos os deuses e outros seres assumirem sua natureza de animal". Os deuses hesitaram pois achavam que seria uma humilhação. E SHIVA falou novamente: "Não é uma perda reconhecer seu animal (a espécie que corresponde no mundo animal ao princípio que cada deus encarna no plano universal). A penas aqueles que praticam os ritos dos irmãos dos animais (PASHUPATAS) podem ultrapassar sua animal idade". Assim, todos so deuses e titãs reconheceram que eram o rebanho do Senhor e que ele é conhecido pelo nome de PASHUPATI, o Senhor dos Animais. Esse texto nos mostra a ligação do Yoga primitivo com o Xamanismo.




sexta-feira, 22 de maio de 2009

SARASWATI



Poetas, escritores, músicos e intelectuais e etc. são abençoados com a proteção e inspiração da Deusa hindu SARASWATI, linda maravilhosa com seus quatro braços ela abraça as 64 artes: dois braços ela toca uma vina, que representa a musica e as artes, o terceiro segura um livro feito de folha de palmeira, representando os Vedas (o ensinamento e o alfabeto sânscrito), o quarto ela carrega um Mala, rosário de cristal que representa a meditação e espiritualidade.

Literalmente, SARASWATI significa “aquela que flui”. O Rig Veda cita um rio sagrado chamado SARASWATI, afluente do Ganges. Ela é associada também a à fertilidade, purificação, todos os conhecimentos: Artes, ciências e letras. Usa um sari branco (a pureza do conhecimento) esta sentada em um lótus branco (o conhecimento).
Um cisne branco está sempre com ela, representando a discriminação entre os bons e o maus ou o eterno e o evanescente; um pavão está também com ela disputando sua atenção, ele representa o orgulho, arrogância, o silencio necessário para escutar, refletir e meditar. O OM (o som primordial) e o símbolo Svastica (auspiciosidade) também estão com ela.
SARASWATI é a Mãe Divina, tem o poder da Shakti, da ordem e perfeição, é uma mãezona pronta para nos ajudar quando precisamos, irradiando alegria, mandando a tristeza embora.É seguida pelos Deuses em busca da bênção da imortalidade, o Gayatri Mantra dedicado a ela é o mantra mais sagrado e poderoso dos Vedas.
Uma das manifestação de SARASWATI é como SAVITRI, tem olhos, mãos e lingua de ouro. Aparece sobre um carro puxado por cintilantes cavalos de patas brancas. Seus dourados braços se estendem por todo o céu em gesto de benção. Esta Deusa é o principio do movimento que determina a irradiação da Luz solar, a circulação das aguas e dos ventos.

GAYATRI MANTRA

Om Bhur bhuva Svaha
Tat Savitur Varenyan
Bhargo Devasya Dhimahi
Dhyo Yo Naha Prachodayat.

“A energia primordial inunda a Terra e os Céus e tudo que se encontra no meio. Meditemos sobre sua irradiação; possa essa Luz inspirar nossas mentes. Meditemos sobre a gloria de Ishwari, a deusa a quem é justo adorar, que criou o universo, que é doadora de luz, de conhecimento e que destrói toda ignorância. Que ela ilumine nossas mentes.”

Mantra e pesquisa do livro Mitologia Hindu de Aghorananda Saraswati, da Editora Madras e do livro do curso de formação em Hatha Yoga Integral Do Jai Vida! de Renata Sumar
Imagem crua de Saraswati e foto feita por Dila

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O AUTO-CONHECIMENTO É UMA COISA FACIL, A COISA MAIS FACIL QUE EXISTE



1

O Ser é algo inteiramente real
Mesmo para o homem mais comum.
Podia-se dizer que a transparente groselha (1)
É comparativamente uma ilusão.

2

O Ser, que brilha como um sol dentro do coração,
É real e todo-penetrante. Revela-se-á
Tão logo todo pensamento seja destruído
e nenhuma jaça permaneça. Pois esse pensamento é
a causa do aparecimento de formas falsas,
O corpo e o mundo que parecem ser
Coisas reais em detrimento de ser, que permanece imutável.
Sempre inalterado, firme como a própria Verdade.
Quando o Ser brilha a escuridão desaparece.

3

O pensamento, “Eu sou o corpo”, é o fio
no qual estão enfiados os pensamentos, tal como contas.
Portanto ao mergulhar fundo na pergunta
“Quem sou Eu e donde venho?” os pensamentos desparecem
E o estado de consciência então surge
Como o “Eu-Eu” dentro da cavidade
Do coração de cada um que busca. E isto é o Céu

4

Isto é aquele Silêncio, a morada da Felicidade!
O que adianta tudo conhecer
Excepto o Ser? O que existe mais para conhecer?
Para qualquer um, quando o próprio Ser é conhecido?
Ao compreender em Si mesmo o Ser,
Que é o único Auto-Efulgente UM
Em miríades de seres, a luz do Ser
Claro brilhará internamente. Em verdade isto é
A verdadeira aparição da Graça, a morte do ego
E a revelação da Suprema Bem-aventurança!

5

A fim de que os laços do destino
E todas suas conseqüências finalmente terminem,
e para que, também, possamos ser libertos
Do temível ciclo de nascimento e morte.
Esta senda é mais fácil de que outras.
Portanto fique imóvel e conserve silenciosa atitude
Com a língua, mente e corpo. Aquilo que é
O auto-efulgente surgirá de dentro.
Esta é a Experiência Suprema. O medo cessará,
Isto é o oceano sem limite da perfeita Felicidade!

6

Annamalai (2), a Transcendental,
Que é o Olho atrás do olho da mente,
A quem o olho e outros sentidos percebem,
Os quais, por sua vez ilumina o Céu,
Assim como todos os outros elementos,
Isto novamente é o Céu-Espirito no qual
A Mente-Ceu aparece; Aquilo que brilha dentro
Do coração, que é livre de qualquer pensamento
E com contemplação fixa internamente e permanece como Aquilo.
Annamalaia, a Autro-Efulgente, brilha,
Mas a graça (3) é cada vez mais necessária. Assim
Seja fiel ao Set, e a Felicidade então surgirá!


(1) A fruta mencionada no texto Tamil é o “nelli”, uma fruta comum da Índia.O provérbio. “Nelli na palma da mão” significa um objeto visto claramente
(2) Este nome Tamil é uma palavra que significa “Montanha Intransponível”. É usada aqui para indicar e significar o Ser interno que está alem do alcance do pensamento e da palavra.
(3) A graça que vem de um sábio-adepto e que é necessário como um pré-requisito a fim de ser obtida tal experiência iluminadora.


Extraído do livro AUTO INVESTIGAÇÂO de RAMANA MAHARSHI

A técnica de MAHA-YOGA-VICHARA

QUEM SOU EU?

domingo, 10 de maio de 2009

BOLO PARA SHANTI Minha professora de yoga em BH


Bolo do aniversario de Shanti.

1x de farinha de trigo integral
1e1/2 de farinha de trigo branca
1x de açucar orgânico ou mascavo
1x de granola
3 colheres de sopa de manteiga ou oleo de canola
1 colher de sobremesa de fermento
1x de leite de coco de verdade ou de 1 garrafa pequena

Bate a manteiga com o açucar até formar um creme, vai colocando o resto e batendo, despeja na assadeira ou forma untada c/ manteiga e polvilhada com f.de trigo, leva ao forno, quando estiver pronto , passa a cobertura, polvilha com granola por cima.


Receita da cobertura

1 lata de creme de leite.
2 colheres de cacau em pó ou 4 c/sopa de achocolatado
1colher de açucar
Esquenta o creme de leite (aberto) na própria lata em banho maria, não deixa ferver, só esquenta, mistura o cacau, o açucar e pronto.pode ser outro chocolate ou achocolatado, no caso não ponha açucar.
Bom apetite!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A CERÂMICA NA ATUALIDADE

Foto: internet
A cerâmica, que é praticamente tão antiga quanto a descoberta do fogo, mesmo utilizando os antigos métodos artesanais, pode produzir artigos de excelente qualidade. Nos últimos anos, acompanhando a evolução industrial, a indústria cerâmica adotou a produção em massa, garantida pela indústria de equipamentos, e a introdução de técnicas de gestão, incluindo o controle de matérias-primas, dos processos e dos produtos fabricados. A Indústria Cerâmica na atualidade pode ser subdivida em setores que possuem características bastante individualizadas e com níveis de avanço tecnológico distintos. Cerâmica Vermelha Compreende aqueles materiais com coloração avermelhada empregados na construção civil (tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, tubos cerâmicos e argilas expandidas) e também utensílios de uso doméstico e de adorno. As lajotas muitas vezes são enquadradas neste grupo, porém o mais correto é em Materiais de Revestimento. Cerâmica Branca Este grupo é bastante diversificado, compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa, necessária por razões estéticas e/ou técnicas. Com o advento dos vidrados opacificados, muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados, sem prejuízo das características para uma dada aplicação, com matérias-primas com certo grau de impurezas, responsáveis pela coloração. Dessa forma é mais adequado subdividir este grupo em: • louça sanitária • louça de mesa • isoladores elétricos para alta e baixa tensão • cerâmica artística (decorativa e utilitária). • cerâmica técnica para fins diversos, tais como: químico, elétrico, térmico e mecânico. Materiais Refratários Este grupo compreende uma diversidade de produtos, que têm como finalidade suportar temperaturas elevadas nas condições específicas de processo e de operação dos equipamentos industriais, que em geral envolvem esforços mecânicos, ataques químicos, variações bruscas de temperatura e outras solicitações. Para suportar estas solicitações e em função da natureza das mesmas, foram desenvolvidos inúmeros tipos de produtos, a partir de diferentes matérias-primas ou mistura destas. Dessa forma, podemos classificar os produtos refratários quanto à matéria-prima ou componente químico principal em: sílica, sílico-aluminoso, aluminoso, mulita, magnesianocromítico, cromítico-magnesiano, carbeto de silício, grafita, carbono, zircônia, zirconita, espinélio e outros. Isolantes Térmicos Os produtos deste segmento podem ser classificados em: a) refratários isolantes que se enquadram no segmento de refratários, b) isolantes térmicos não refratários, compreendendo produtos como vermiculita expandida, sílica diatomácea, diatomito, silicato de cálcio, lã de vidro e lã de rocha, que são obtidos por processos distintos ao do item a) e que podem ser utilizados, dependendo do tipo de produto até 1100ºC. c) fibras ou lãs cerâmicas que apresentam características físicas semelhantes às citadas no item b), porém apresentam composições tais como sílica, sílica-alumina, alumina e zircônia, que dependendo do tipo, podem chegar a temperaturas de utilização de 2000º C ou mais. Fritas e Corantes Estes dois produtos são importantes matérias-primas para diversos segmentos cerâmicos que requerem determinados acabamentos. Frita (ou vidrado fritado) é um vidro moído, fabricado por indústrias especializadas a partir da fusão da mistura de diferentes matérias-primas. É aplicado na superfície do corpo cerâmico que, após a queima, adquire aspecto vítreo. Este acabamento tem por finalidade aprimorar a estética, tornar a peça impermeável, aumentar a resistência mecânica e melhorar ou proporcionar outras características. Corantes constituem-se de óxidos puros ou pigmentos inorgânicos sintéticos obtidos a partir da mistura de óxidos ou de seus compostos. Os pigmentos são fabricados por empresas especializadas, inclusive por muitas das que produzem fritas, cuja obtenção envolve a mistura das matérias-primas, calcinação e moagem. Os corantes são adicionados aos esmaltes (vidrados) ou aos corpos cerâmicos para conferir-lhes colorações das mais diversas tonalidades e efeitos especiais. Abrasivos Parte da indústria de abrasivos, por utilizarem matérias-primas e processos semelhantes aos da cerâmica, constituem-se num segmento cerâmico. Entre os produtos mais conhecidos podemos citar o óxido de alumínio eletrofundido e o carbeto de silício. Vidro, Cimento e Cal São três importantes segmentos cerâmicos e que, por suas particularidades, são muitas vezes considerados à parte da cerâmica. Cerâmica de Alta Tecnologia/Cerâmica Avançada O aprofundamento dos conhecimentos da ciência dos materiais proporcionou ao homem o desenvolvimento de novas tecnologias e aprimoramento das existentes nas mais diferentes áreas, como aeroespacial, eletrônica, nuclear e muitas outras e que passaram a exigir materiais com qualidade excepcionalmente elevada. Tais materiais passaram a ser desenvolvidos a partir de matérias-primas sintéticas de altíssima pureza e por meio de processos rigorosamente controlados. Estes produtos, que podem apresentar os mais diferentes formatos, são fabricados pelo chamado segmento cerâmico de alta tecnologia ou cerâmica avançada. Eles são classificados, de acordo com suas funções, em: eletroeletrônicos, magnéticos, ópticos, químicos, térmicos, mecânicos, biológicos e nucleares. Os produtos deste segmento são de uso intenso e a cada dia tende a se ampliar. Como alguns exemplos, podemos citar: naves espaciais, satélites, usinas nucleares, materiais para implantes em seres humanos, aparelhos de som e de vídeo, suporte de catalisadores para automóveis, sensores (umidade, gases e outros), ferramentas de corte, brinquedos, acendedor de fogão, etc. Revestimentos Cerâmicos As placas cerâmicas são constituídas, em geral, de três camadas: a) o suporte ou biscoito, b) o engobe, que tem função impermeabilizante e garante a aderência da terceira camada, e c) o esmalte, camada vítrea que também impermeabiliza, além de decorar uma das faces da placa. O corpo cerâmico compõe-se de matérias-primas naturais, argilosas e não argilosas. Os materiais argilosos são formados de uma mistura de diversos tipos e características de argilas para dar a composição desejada e são a base do biscoito. Os materiais não argilosos, quartzo, feldspato e caulim, servem para sustentar o corpo cerâmico ou promover a fusão da massa e os materiais sintéticos são utilizados para a produção de engobes e esmaltes e, servem para fazer a decoração dos revestimentos. Estes revestimentos são usados na construção civil para revestimento de paredes, pisos, bancadas e piscinas de ambientes internos e externos. Recebem designações tais como: azulejo, pastilha, porcelanato, grês, lajota, piso, etc. A tecnologia do porcelanato trouxe produtos de qualidade técnica e estética refinada, que em muitos casos se assemelham às pedras naturais.
O MOMENTO ATUAL DA INDÚSTRIA DE REVESTIMENTOS CERÂMICOS A concentração geográfica de empresas é característica da indústria de placas cerâmicas de revestimento. Dois dos países líderes, Itália e Espanha, têm produção concentrada nas regiões de Sassuollo e Castellón, respectivamente. A estratégia competitiva dessas regiões baseia-se em design, qualidade e marca. Da mesma forma, no Brasil, a produção é concentrada em algumas regiões. A região de Criciúma, em Santa Catarina, que tem reconhecimento como pólo internacional, concentra as maiores empresas brasileiras. Nessa região as empresas produzem com tecnologia via úmida e competem por design e marca, em faixas de preços mais altas. Em São Paulo, a produção está distribuída em dois pólos: Mogi Guaçú e Santa Gertrudes. A região metropolitana de São Paulo conta com algumas empresas, mas não se configura um pólo. As empresas da capital e Mogi Guaçú produzem com tecnologia via úmida, enquanto em Santa Gertrudes a tecnologia utilizada pela maioria das empresas é via seca. O nordeste brasileiro pode se tornar um pólo em futuro próximo, devido às condições favoráveis de existência de matéria prima, energia viável e um mercado consumidor em desenvolvimento, além de boa localização geográfica para exportação. O equipamento determinante da escala de produção é o forno de cozimento das peças. Para se ter uma idéia o comprimento, estes fornos podem atingir mais de 150 metros. Na década de 90 houve evolução na escala desses equipamentos, tendo sua capacidade ampliada de, aproximadamente, 80 mil m2/mês para 500 mil m2/mês ou mais, o que resultou em grandes aumentos na produtividade e no crescimento observado nesta indústria. O Brasil é hoje, um dos grandes “players” mundiais do revestimento cerâmico. O país é o segundo maior consumidor mundial de revestimentos cerâmicos, quarto maior produtor e exportador e segundo maior exportador para o mercado norte-americano, que é o maior importador do mundo. A cada dia a qualidade e variedade desse material aumentam. Na mesma medida cresce a utilização da cerâmica no Brasil para revestir pisos e paredes de todos os espaços internos da casa assim como espaços externos. Exemplo disso são as fachadas dos edifícios que não se intimidam em apresentar-se revestidas por cerâmicas de tipos e formatos variados. Os revestimentos cerâmicos, além das vantagens e da durabilidade provada através dos séculos, possuem as qualidades que uma avançada tecnologia lhes confere. Eles se mostram apropriados para pequenos detalhes, ambientes interiores ou para grandes escalas ao ar livre. São oferecidos de maneira a satisfazer os mais variados gostos, como padronagens e texturas diversas.www.anfacer.org.br

EVOLUÇÃO DA CERÂMICA PARA REVESTIMENTO


Fotos e azulejos: Dila

A origem do nome azulejo provém dos árabes, sendo derivado do termo "azuleicha”, que significa "pedra polida". A arte do azulejo foi largamente difundida pelos islâmicos. Os árabes levaram a arte do azulejo para a Espanha e de lá se difundiu por toda a Europa. A influência dos árabes na cerâmica peninsular e depois na européia foi enorme, pois eles trouxeram novas técnicas e novos estilos de decoração, como a introdução dos famosos arabescos e das formas geométricas, que os islâmicos desenvolveram a fundo. Foi tão forte a influência árabe na península Ibérica, que mesmo depois da reconquista do território pelos cristãos, ela permaneceu. Disso resultou o chamado estilo hispano-mourisco. Com a reconquista do território pelos católicos, muitos artífices árabes preferiram ficar e passaram a combinar os elementos de arte cristã, românica e gótica com os árabes, criando um novo estilo chamado mudéjar. A cerâmica de corda seca, técnica que permite combinar várias cores num azulejo foi desenvolvida na Pérsia durante o século XIV como substituto menos dispendioso que o mosaico, continuando, ainda hoje, a ser utilizada. A decoração deste azulejo, em forma de estrela, consiste numa estrutura complexa baseada numa flor de lótus estilizada e composta por dez pétalas. O centro é decorado com uma estrela de seis pontas com vestígios de dourado. Esta forma combinava-se com azulejos de outras tipologias – pentágonos, hexágonos, e outros polígonos –, formando assim um padrão geométrico elaborado, sendo geralmente a estrela com doze pontas o elemento central da composição. A paleta cromática inclui o branco, o turquesa e o manganês sobre um fundo de azul cobalto e ouro. Estes painéis de azulejos revestiam, entre outros edifícios, mesquitas e madrasas, acentuando a sua simetria e transmitindo uma imagem de opulência. Na Pérsia, a arte insuperável dos Sumérios e Babilônios, não se extinguira e continuava a produzir, além de ânforas, bacias, taças esculpidas e pintadas, maravilhosos azulejos, para revestir fachadas e vestíbulos. Devido à dominação árabe do Mediterrâneo, entre o sexto e o décimo quarto século antes de Cristo, a cerâmica da Pérsia foi difundida, juntamente com sua técnica para a Sicília, Espanha e Ásia Menor. Por causa disso, ainda hoje, por onde se estendeu o Império dos Califas, é possível admirar esses produtos, encontrados em palácios fantasticamente ornamentados, com molduras de cerâmica brilhantes, pátios de decoração rebuscada, compostos de milhares de azulejos esmaltados. As primeiras utilizações conhecidas do azulejo em Portugal, como revestimento monumental das paredes, foram realizadas com azulejos importados de Sevilha em 1503, tornando-se uma das mais expressivas artes ornamentais, assumindo grande relevo na arquitetura. Portugal, apesar de não ser grande produtor de revestimentos cerâmicos, foi o país europeu que, a partir do século XVI, mais utilizou o revestimento cerâmico em seus prédios. Esse gosto pela cerâmica inicia-se a partir de suas navegações iniciadas no século XV quando entra em contato com outras civilizações, fundindo as suas manifestações artísticas com vários desses países, como as de origem mulçumana, herdeira das tradições orientais, assírias, persas, egípcias e chinesas. A admiração pela cerâmica de revestimentos ganha dimensões de arte verdadeiramente nacional, capaz de identificar a sensibilidade e peculiaridade de sua gente e país. Já no século XV são encontrados Palácios Reais revestidos, em seu interior, com azulejos. Mas é a partir do século XVI, com uma produção regular de revestimento cerâmico no país, que seu uso se torna freqüente em igrejas, conventos e em Palácios Nobres da alta burguesia. O uso, em sua maioria, se restringia aos interiores, em forma de tapetes, ou apenas como material ornamental. Quando utilizado exteriormente, limitava-se ao revestimento de pináculos e cúpulas das igrejas, devido o seu alto custo. No século XVIII, o Marques de Pombal, enquanto Primeiro Ministro de D. João VI, em Portugal, implanta um projeto de industrialização manufatureira no país. Cria-se, então, a Fábrica de Loiça do Rato, que simplificava os padrões dos azulejos existentes (de rococós com predominância de concheados nos emolduramentos, policrômicos, passam a perder a volumetria, suas cores tornam-se mais flamejantes e começam a ser permeados de motivos neoclássicos) com o intuito de aumentar a produção. Com isso, o custo do produto diminui significativamente, sendo acessível a um público maior. Já podia se ver, então, o revestimento cerâmico estendendo-se a espaços intermediários entre interior e exterior, como no revestimento de alpendres, pátios, claustros; também enfeitando os jardins com seus bancos ou chafarizes revestidos. No Brasil, já independente, o uso do azulejo tornou-se, no século passado, bem mais freqüente, revelando-se um excelente revestimento para nosso clima. Casas e sobrados de muitas cidades brasileiras apresentam o colorido alegre e inalterável que, há mais de cem anos, o azulejo lhes dá. Há controvérsias com relação à nacionalidade dos primeiros revestimentos cerâmicos chegados ao Brasil. Sabe-se que no século XVII, azulejos em estilo barroco, começaram a ser encomendados de Lisboa. Estes eram trazidos em forma de painéis e serviam, apenas, como material decorativo. Retratavam cenas da paisagem, do cotidiano da metrópole, divulgando o modo de vida dos portugueses - ou cenas bíblicas ajudando nas aulas de catequese. http://www.anfacer.org.br/

terça-feira, 28 de abril de 2009

A EVOLUÇÂO DA CERÂMICA


A picareta dos arqueólogos, ao remexer entre os sedimentos que os séculos acumularam no solo do Velho Mundo, encontra com muita freqüência, entre os resíduos das palafitas e das casas, fragmentos de terracota e cacos de vasos ou de ânforas, cozidos num fogo que se apagou há milhares de anos. A história da cerâmica confundiu-se em certo sentido, com a própria história da civilização: os vasos, as taças ou as ânforas são, em muitos casos, os únicos elementos sobre os quais podemos reconstruir o grau de evolução, os hábitos, a religião e até as mudanças de povos já desaparecidos. A arte da cerâmica prosperou entre quase todos os povos ao mesmo tempo, refletindo nas formas e nas cores, o ambiente e a cultura dos diversos povos. Nas primeiras peças decoradas, os motivos artísticos eram sempre o dia a dia do povo: a caça, os animais, a luta, etc. Do calor do sol, para os fornos atuais utilizados para tornar as peças mais firmes, a história da cerâmica percorreu e auxiliou no cotidiano de todos os povos. Da Era Neolítica aos dias de hoje, os artistas continuam com seus dedos ágeis transformando blocos de argila e criando novas utilidades para a população. A cerâmica, tanto de uso comum como artístico, é produzida hoje por toda parte, seja em grandes estabelecimentos, ou por pequenos artesãos. Os sistemas são fundamentalmente os mesmos, mas é inegável que a experiência técnica adquiriu tamanha perfeição, que permite resultados extraordinários. Com exceção da fabricação de tijolos e telhas, comumente utilizadas na construção desde a antiguidade na Mesopotâmia, desde muito cedo, a produção cerâmica dava importância fundamental à estética, já que seu produto, na maioria das vezes, se destinava ao comércio. No Mediterrâneo, algum trabalhador desconhecido inventou o aparelho, que permitia fazer vasos perfeitos, de superfície lisa e espessura uniforme, num tempo relativamente breve. Esta roda de madeira movida por um pedal foi criada aproximadamente em 2000 a.C.. Os gregos continuaram por muitos séculos, produzindo as melhores peças de cerâmica do Mundo Mediterrâneo, mesmo quando as margens deste mar haviam se tornadas colônias romanas. Ainda em nossos dias, perdura a fama dos vaseiros de Atenas e Samos, de onde seus inúmeros pratos e taças de delicado acabamento, se caracterizavam por ter o fundo negro ou azul e desenhos escarlates. De outro lado, os gregos foram durante o domínio romano, os artífices mais apreciados, não só na cerâmica, mas também na ourivesaria, na pintura e em qualquer outro ramo de arte. Seu bom gosto, sua filosofia, sua literatura, havia se imposto aos rudes conquistadores latinos, que acabaram assimilando, instintivamente, a milenar cultura da Hélade na antiga Grécia. Com a prosperidade da cerâmica, cada povo descobriu seu estilo próprio, e com isso, surgiram novas técnicas. Foi assim, que os artífices chineses, desde a metade do terceiro milênio antes de Cristo, criaram objetos de design, pintados e esmaltados. Foram justamente eles os primeiros a usar, a partir do segundo século antes da nossa era, um finíssimo pó branco, o caulim, que permite fabricar vasos translúcidos e leves. Nasce, então, a porcelana. A difusão da porcelana não foi notável antes do século XVIII. Com a utilização da Porcelana a cerâmica alcançou níveis elevados de sofisticação. Na China, a porcelana se desenvolveu dando origem a produtos de decoração e de utilização à mesa. Também, na Itália, existia um florescente artesanato: os etruscos, em meados do segundo milênio antes de Cristo, já fabricavam vasos esmaltados de grande qualidade. Cerâmicas etruscas ornamentavam, além das gregas e persas, as mansões dos patrícios romanos: as formas bizarras, os esmaltes vivos e brilhantes, os vagos desenhos ornamentais. Na Itália, os ceramistas continuaram a trabalhar com velhos sistemas etruscos e gregos, ainda durante os séculos obscuros da Idade Média. No início do Renascimento, havia produtos manufaturados em Gubbio, Volterra, Faenza, Deruto e Montelupo. Em todas estas cidades, desenvolveram-se indústrias bem distintas, cada qual com estilo e técnica própria: os sistemas de cozimento, de esmaltar, a composição dos vernizes, tudo era mantido em rigoroso segredo. Basta lembrar, entre os ceramistas italianos, Luca e Andrea Della Robbia, que souberam criar baixo-relevos de terracota vidrada e pintada, que se vêem em quase toda parte, nas paredes das vilas e dos castelos da Itália Central. A escola de Faenza ganhou tanta celebridade que deu seu nome a todos os objetos de cerâmica que, da Itália, se difundiam pela Europa: daí o nome faiança em português, e o faience, lembrando o nome da cidade Romana. As cerâmicas de Faenza e a Maiólica são muito parecidas, sendo muito difícil distinguir uma da outra. Esse tipo de cerâmica branca denominada de Maiólica tem a superfície lisa e vidrada. Seu nome deriva de uma ilha do arquipélago das Baleares (hoje Majorca), onde os árabes haviam implantado uma indústria bastante florescente. Em Sévres e em Capodimonte, são fabricadas graciosas e delicadas estatuetas que, às vezes, assumem excepcional valor artístico pela perfeição do acabamento ou pela raridade do desenho. A cerâmica, hoje, extrapola o dia a dia para auxiliar na área científica: na medicina, vem sendo utilizada na prótese de ossos e dentária; na pecuária australiana, reveste os chips que injetados dentro do animal, possibilitam uma contagem mais precisa e segura; os dentistas, nas obturações; algumas empresas fabricam facas com lâminas de porcelana; é ainda o material utilizado quando existe a necessidade de um produto resistente a altas temperaturas, como é o caso do trem bala no Japão, onde a cerâmica é colocada nos trilhos. Da mesma forma, com o progressivo desenvolvimento industrial, os revestimentos cerâmicos para utilização em paredes e pisos deixaram de ser privilégio dos recintos religiosos e dos palácios, tornando-se acessíveis a todas as classes sociais. Eles trouxeram para as paredes externas das casas o colorido e o luxo das paredes internas. Deixaram de figurar apenas em obras monumentais e passaram também para as fachadas dos pequenos sobrados comerciais e residenciais e, até mesmo, de pequenas casas térreas. www.anfacer.org.br
Foto e carranca de Dila