sexta-feira, 23 de outubro de 2009

POEMAS E BRINQUEDOS DE MIRITI

Poemas de Miriti de Edithe Pereira e Luiz Carlos França

Canoas de miriti
navegam
no mar da procisão
canoas de miriti navegam no da devoção
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Brinquedos de miriti
sonhos que o artista realizou
e deixou a eterna vontade
de brincar
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Brinquedos de miriti
alegorias da romaria
adereço de gratidão
e devoção
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Belém, todo carinho é pouco,
pra ti
versos apaixonados
poemas de miriti
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Belém, gira, gira, girândola
girândola de miriti
belém, gira, gira, girândola
girândola de amor por ti






Os Brinquedos de Miriti*, uma fibra leve da palmeira também conhecida como Buriti e chamada de isopor da Amazônia, são fabricados há 200 anos no Pará.
Nascidos da espetacular capacidade de adaptação do caboclo brasileiro à natureza que o circunda, os Brinquedos de Miriti são a expressão da sensibilidade e da representação ingênua do universo ribeirinho da região de Abaetetuba, cidade vizinha de Belém, distante hora e meia de carro e balsa, ou duas horas de barco, o transporte mais usado, talvez até pela calma e placidez que a floresta e os igarapés sugerem
A confecção dos brinquedos começa com a coleta dos talos (braços) da palmeira, no meio do mato, em Sirituba, um logradouro que se atinge de barco.
O miriti escolhido é de preferência jovem. Da planta se colhe apenas os braços, onde estão as folhagens. Com isso, não é uma atividade predatória, e sim sustentável, uma vez que a árvore é mantida viva e crescendo.


Para se obter a matéria prima dos brinquedos os braços do miriti são descascados e se aproveita apenas o miolo. As cascas que são bem flexíveis, depois de secas, transformam-se em cestos, paneiros, varetas de papagaios e pipas. O miolo, trabalhado com facões de mato, é alisado e transportado em feixes para os produtores dos brinquedos.

Os artistas com ferramentas rústicas (normalmente facas e facões) esculpem e montam peças segundo suas referências pessoais. Alguns especializaram-se em barcos, outros em bonecos dançarinos, cobras, jacarés, madeireiros, pássaros, insetos perfeitos, vaquinhas, aviões, rádios de pilha, televisões. A escolha deste ou daquele motivo é parte da crônica individual de cada autor ou família de autores.


Depois de prontas, com as partes coladas e secas, é aplicado o desenho base da pintura final feita por membros das famílias (homens, mulheres e crianças) que repetem em cada peça o padrão estabelecido. Os brinquedos são estocados e, à véspera do Círio de Nazareth**, são levados para Belém, onde são expostos nas praças ou comercializados em girândolas.

As girândolas são uma espécie de cruz com vários braços, também feita de miriti, onde são espetadas ponteiras da casca do próprio miriti para amarração de cerca de uma centena de brinquedos. A venda é feita pelos próprios artistas ou amigos que trabalham neste período. Ao contrário de outras formas de artesanato da região, como as réplicas de cerâmica marajoara ou tapajônica, cujas referências estão em achados arqueológicos expostos no Museu Emílio Goeldi, os Brinquedos de Miriti são uma manifestação artística expontânea e reflexo da criatividade dos produtores seja no uso de cores primárias e poucas misturas (azul, vermelho, amarelo, verde, preto), seja na forma utilizada que sempre reflete o universo caboclo, suas influências urbanas e afetivas.

Os Brinquedos de Miriti, são exclusivos e inéditos. Eram somente encontrados em Belém, no período do Círio de Nazareth. Hoje com o apoio do SEBRAE e do Governo do estado do Pará, que implantou o Programa de Capacitação, foi fundada a Associação dos Artesãos de Miriti de Abaetuba, ASAMAB, que conta com mais de 100 integrantes. A possibilidade de renda e trabalho, despertou o interesse de gerações mais novas que se uniram e fundaram a Miritong, desenvolvendo novos produtos e novas atividades.

Fonte de Pesquisa: texto de Cleber Papa publicado no site da UOL, São Paulo Imagem Data; texto de Denise Ribeiro no site da Folha, Folhinha, de 10/12/2005

Associação dos Artesãos de Miriti

de Abaetuba - ASAMAB

Fundada em 2002, a ASAMAB teve o apoio do SEBRAE/PA e do Governo do estado, com o Programa de Capacitação, reunindo os tradicionais artesãos de Abaetuba, que produziam suas peças para as festividades do Círio de Nazaré. Hoje são 108 integrantes, e a atividade geradora de renda dura todo o ano, e com novas tendências.

A ASAMAB participou do Ano do Brasil na França, em 2005, destacando o artesão Valdeli Costa, que ministrou uma oficina de brinquedos muito visitada. Foram 2400 peças, todas vendidas. "Eu estou muito feliz, construí minha casa e estou mantendo meus quatro filhos na escola só com os brinquedos de miriti", comemora Valdeli, que tem oito anos de ofício.


Nome científico:
Mauritia flexuosa
Família: Palmae

Palmeira conhecida como isopor na Amazônia, frequente também na região do Cerrado. Dela se aproveita tudo: palha para cobertura de casas, fruto para confecção de doces, seiva para fazer vinho, tala para cestarias, folhas para a confecção de cordas, e o tronco para a produção de canoas, brinquedos e esculturas. É matéria prima básica em muitas etnias indígenas. Atinge até 35 metros. Possui folhas grandes, em formato de estrela. As flores são dispostas em longos cachos de até 3 metros de comprimento e possuem coloração amarelada, surgindo de Dezembro à Abril.

É típica nas formações denominadas "veredas", onde acompanha um curso d'água ao longo do sertão. Só sobrevive em locais alagados.

Extrído do site:http://www.pontosolidario.org.br/miriti.htm

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Falece Shotaro Shimada




Um dos precursores do Yoga no Brasil morreu hoje em São Paulo
29/09/2009

O professor de Yoga Shotaro Shimada faleceu nesta madrugada (29 de setembro) no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Ele passou mal durante o final de semana e fez uma cirurgia por causa de um problema de obstrução intestinal e não resistiu. Shimada tinha 80 anos e dirigia sua escola na rua da Consolação desde 1958.

Neste ano, ele foi o grande homenageado do evento Yoga Pela Paz.

O velório será hoje no Hospital Beneficiência Portuguesa, às 16h e o enterro sairá amanhã às 8h para o Cemitério da Paz.
Hospital Benefiência Portuguesa:: Rua Martiniano de Carvalho, 905.
Cemitério da Paz: Rua Dr. Luís Migriano, 644, Morumbi.

Leia abaixo reportagem sobre o professor publicada na edição 8 da Prana Yoga Journal , de agosto de 2007.

Por Renata Reif
Professor de Yoga há mais de 50 anos, ele é fundador do Instituto de Cultura Yoga Shimada, em São Paulo e considerado um dos introdutores da Yogaterapia no Brasil. Shimada, que foi também responsável pela aplicação dos ensinamentos do Yoga no esporte, revela com simplicidade a sabedoria que adquiriu ao longo da vida como lutador de judô e professor de Yoga. Ele dá aula há 45 de seus 78 anos, é professor de três gerações de uma mesma família e esclarece que Yoga não é uma aula de competição – a execução das posturas é feita para estabilizar a mente, ter conforto no esforço.

São 50 anos de prática. Como foi o seu primeiro contato com o Yoga?
Há 50 anos ninguém falava de Yoga. Comecei a praticar porque treinava judô. Eu li em um livro chamado Yoga, a Ciência da Respiração, que a prática desenvolvia faculdades mentais pela autodeterminação e aumento da concentração por meio da respiração. Usei os princípios e constatei que fez muito efeito, inclusive fui campeão em 52, 53 e 54 do Campeonato Paulista de Judô. Aí me interessei por Yoga e comecei a praticar. Naquele tempo, o Yoga era visto como faquirismo, não tinha a explicação abrangente de que o Yoga é uma ciência, um sistema, entende? Aparecia uma porção de jejuadores na Avenida São João, que ficava dentro de caixas de vidro por dois, três dias sem contato com o mundo exterior. Era visto como faquirismo porque realmente o Yoga desenvolve certos poderes. Com o mínimo de respiração e oxigênio, poderes mentais desenvolvem o poder do corpo físico. Porque tudo é fruto do poder da mente. Sempre achei que Yoga era uma ciência, um sistema. Estudei, fiz o curso de Anatomia, Fisiologia e Patologia pela Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp) em 1958 e no dia 19 de abril do mesmo ano, eu abri o Instituto. Mas no começo, não podia falar Yoga porque todo mundo achava que se fizesse ficaria biruta. Porque na revista Cruzeiro, aparecia gente com um punhal atravessando o pescoço. Não falava em Yoga, falava em ciência da respiração. Aí, pouco a pouco, começou a haver literatura, mais divulgação.

Quais são as motivações de um praticante para construir o alicerce da prática?

A base? Agora, com a comprovação científica, ficou claro que tudo está na cabeça, na mente, no pensamento da pessoa. Por isso se diz, você é aquilo que você pensa. Querendo ou não, quando você pensa, há uma reação nos neurônios. O sistema nervoso é responsável pelo comando do corpo. Então o alicerce fundamental é mudar a maneira de pensar. Se eu estou pensando de maneira agradável, porque tive uma notícia agradável, a mente está confortável, então tudo no sistema nervoso está estável. Mas se você recebe uma notícia desagradável, a mente começa a perturbar e o corpo começa a causar tensão. Tudo está na cabeça, na mente da pessoa. O desenvolvimento da mente se faz pela da prática do Yoga. É preciso treinar a mente para não ser contaminado. O que perturba não é a coisa em si, mas a reação ao fato exterior. A transformação está no interior do homem, que é o centro do universo, por isso, se você muda, o universo todo muda.

Como não cair nos truques da mente?

Nas ciladas, né? É preciso vigiar a mente, o que eu estou pensando? É possível identificar o que se pensa e aí você muda. Se não houver essa vigia, essa consciência, você está sendo contaminado. Mas agora se observa que está sendo contaminado, pode mudar o pensamento. Há certos momentos que não há por onde escapar, em certas situações. Procure diminuir porque senão aquele estado de associação vai crescendo cada vez mais. Se não há condições de sair da situação, procure não se revoltar. Porque cada vez que se revolta, fica mais contaminado. Então, procure aceitar e pouco a pouco, mudar, vigiar a mente, o pensamento. É uma coisa fácil, não há necessidade de se retirar, se isolar.

É importante seguir um único mestre?

Hoje, nesse mundo de globalização, encontrar um mestre é a coisa mais difícil. Não é um erudito, que sabe falar, mas não vive aquilo. Na atual situação do país, todo mundo fala bonito, mas está uma desordem danada! Existe um ditado: não se pode servir dois senhores, tem de servir um único senhor. Se você servir os dois, vai entrar em conflito. Existe dualidade; ou é isso ou é aquilo, certo? Pode ser um mestre que ensina apenas as coisas simples. Porque a verdadeira transmissão não vem da palavra, vem da freqüência da pessoa, da vibração. Cachorro e criança pequena sabem muito bem qual a intenção da pessoa.

Acredita em samadhi (iluminação)?

Todos nós somos muito imediatistas. Muitas pessoas que começam a praticar já querem atingir o samadhi, mas não há necessidade, nem condição de atingir esse estado de iluminação. Se você está insatisfeito, revoltado, irado, se você começa a sentir que está melhor, mais contente consigo, em sintonia coma natureza, já é um bom começo. Ao querer alcançar o ápice das coisas, você pode cair. É uma mudança que você vai fazendo, não só na hora da aula, mas 24 horas por dia. Esse é o ponto fundamental. Existem princípios segundo o Sutra de Patañjali, em que o asana (postura) vai aliviar o estado de tensão. É preciso trabalhar a mente, diminuir o estado de ira. Se você faz a postura, mas por dentro está revoltado, o asana ajuda, mas quando sair da postura, aí a coisa pega! Toda a prática de Yoga é espiritual: yamas (controle), niyamas (observância), asanas (postura), pranayama (técnicas respiratórias), pratyahara (abstração), dharana (concentração), dhyana (meditação) e samadhi. Tudo é uma mudança da mente. Integrar com a natureza e não dominar a natureza, o outro ser. É preciso tomar consciência e devastar menos.

O senhor é vegetariano?

Não sou muito de comer carne, mas se sou convidado para um churrasco, eu como. A pessoa tem de fazer uma comida especial para mim? É muito desagradável! Espiritual é relativo. Porque tem muita gente que come carne e tem bondade. Tem muito vegetariano aí que não tem bondade, porque a revolta não está fora, está dentro de si. Por exemplo, os esquimós têm de comer e gordura. Cada país tem um tipo de alimentação. A verdadeira feijoada não é a que se come hoje e sim feita de joelho, rabo, orelha e língua, o mocotó. Hoje, se coloca paio, lingüiça, está tudo distorcido.

Como é o Yoga de hoje?

Hoje tem mais professores do que alunos. São muitas práticas e as pessoas não mais praticam como verdadeira tradição. Começam a inventar Light Yoga, Power Yoga, não sei o que lá Yoga, quando o Yoga é um só. Não tem essa divisão. Nós seguimos uma tradição do Kaivalyadhama, centro de pesquisa que existe na Índia desde 1924, em que todas as práticas e orientações são comprovadas cientificamente que têm efeito. Antes ligavam perguntando: “Professor, qual o horário da aula?”. Hoje ligam querendo saber que estilo que ensinam aí. Veja só!
Erick Schulz
Diretor do Instituto de Cultura Hindu Naradeva Shala
Vice-Presidente da Associação Brasileira de Ayurveda
Diretor e Instrutor da Suddha Dharma Mandalam, Ashram Sarva Mangalam

Recebido por E-mail
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domingo, 27 de setembro de 2009

SALVE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO!


BEJÉ ORÓ! (Saudações dos ibeji, dos meninos)

“São Cosme mandou fazer
A sua camisa azul
No dia da festa dele
São Cosme quer Caruru
Vadeia Cosme, vadeia!
Vadeia Cosme, vadeia!”
“Cosme e Damião
Vêm comer teu Caruru
Que é de todo ano
Fazer Caruru pra tu”

Caruru
100 quiabos, separe 7 quiabos inteiro para cozinhar junto, quem achar vai ter que fazer um caruru.
3x de camarão seco defumado sem as cabeças e desalgados (se for camarão de Maragogipe, se não ponha 4x)
2x de castanha de caju
2x de amendoim torrado
1 pedaço de gengibre
4 cebolas media
1 molho de coentro
2 tomates
2 pimentões
Sal.
1x de azeite de dendê
2 litros de agua

Corta os quiabos em cruz depois em rodinha, ou passa no processador, bate no liquidificador o resto dos ingredientes 1 litros de água, sem o azeite de dendê, mistura com os quiabos mais o azeite, leva ao fogo brando para cozinhar bem devagar, mexendo pouco para não tirar a baba.

Vatapá
1x de farinha de mesa fina e peneirada, ou pão dormido e umedecido, ou fruta pão cozida e amassada.
3x de água para inchar a farinha
1x de castanha e amendoim juntos
2x cheia de camarão seco defumado sem cabeça ou sem a ponta da cabeça e deixado de molho p tirar o sal
Leite de coco de 1 coco grande (puro)_
1 cebola grande
1 tomate
Gengibre a gosto (eu gosto muito)
Alho se quiser (comida de santo n leva alho)
Coentro cortadinho a gosto já perto de estar pronto
Azeite de dendê a gosto
Pimenta e cominho.

Passa no liquidificador: os temperos, castanha, amendoim, gengibre, camarão seco defumado e o leite de coco, mistura com a farinha já inchada e o azeite de dendê, leva ao fogo mexendo sem parar até engrossar, deixa cozinhar bem ate ficar uma nata por cima, ta pronto p comer, se agüentar comer quente.
Se quiser bota uns camarões inteiros e uma pimenta de cheiro.
Quantidade para 4 pessoas

Feijão fradinho
1k de feijão fradinho
1x de camarão seco defumado
2 cebolas grande
1 tomate
1 pimentão
½ molho de coentro.
Gengibre.
½ x de azeite de dendê
Água o bastante para cozinhar

Deixa o feijão limpo de molho por umas 3 horas, bate o restante dos ingredientes no liquidificador, leva ao fogo para cozinhar, depois de cozido deixa secar um pouco, joga umas folhas de coentro por cima.

AKARÀ ou acarajé
1k de feijão fradinho quebradinho.
4cebolas medias, + 1 para por no azeite que vai fritar os acarajés
Sal à gosto
2L de azeite de dendê p fritar.
Camarão seco defumado.

Modo moderno de fazer:
Lava o feijão, deixa de molho por 4horas ou mais, depois vai lavando até sair todas as cascas, deixa um pouca no escorredor, passa no processador junto com as cebolas, ate deixar a massa fina, coloca o sal, bate na batedeira e frita as colheradas no azeite de dendê bem quente com uma cebola inteira dentro para não queimar a gordura, enfia 3 camarões inteiro em cada akará, frita de um lado, depois o outro, quando estiver um dourado escuro ta pronto, escorre no papel, deixa
esfriar, abre ao meio, passa pimenta e come acompanhado de uma cerveja bem gelada, vixe! deu água na boca.

Abará
8 x chá de feijão fradinho quebradinho deixado de molho, já limpo sem casca
4 x chá de camarão seco defumado deixado de molho tirar o sal
Gengibre a gosto
½ x de chá de azeite de dendê
Sal a gosto
3 cebolas
Folhas de bananeira lavada e seca, passada no fogo, cortadas em quadrados para enrolar os abaras.

Passa tudo no processador, menos o azeite, quando estiver com a massa fina, para de bater, põe o azeite, prova o sal, o ponto do sal é um pouco salgado, só um pouquinho viu?
Colocar a folha na palma da mão esquerda, enche a palma da mão direita com a massa, põe sobre a folha de bananeira. Com o polegar dobrar a primeira ponta da folha sobre a massa, dobrar a outra ponta cruzando por cima e virando para baixo, fazendo o mesmo do outro lado formando uma meia pirâmide, forre a panela com umas folhas, cubra com a água, coloque os abaras arrumado sobre as folhas, deixe cozinha no vapor, pra saber se estar cozido abre um e prova. Se não entendeu, pegue uma panela grande encha uns 5 dedos de água, ponha a massa sobre um pano de prato limpo, bote a tampa por cima, amarre c 2 nós e tampe a panela, leve ao fogo e deixe cozinha no vapor.

Pimenta para comer acarajé,abará e comida de azeite

1x de pimenta mista
½ cebola
1/2x de camarão seco defumado limpo
Gengibre a gosto
Coentro a gosto
1x de azeite de dendê

Bate no liquidificador, cozinha um pouco e ta pronto

Farofa de dendê

1/2 x de dendê
Farinha de mandioca da boa o quanto baste
1 cebola picadinha
10 camarões secos defumados

Esquenta o azeite, frita os camarões e cebola, põe a farinha mistura bem, desliga o fogo coloca umas folhinhas de coentro.

Xinxim de galinha

1 galinha caipira com pé, moela, coração, pescoço, e o sangue coagulado, tudo cortadinho.
1x de camarão seco defumado
1 cebola
1 tomate
1 pimentão
½ molho de coentro
Gengibre
Leite de um coco
1x de amendoim e castanha
Sal
4 colheres de sopa de azeite de dendê

Bate os ingredientes no liquidificador com o leite de coco, mistura com o azeite e a galinha, leva ao fogo e deixa cozinhar.

Arroz
1k de arroz
Água e sal
Lava o arroz cozinha com água e sal.

Milho branco
1X de milho branco.
Água o suficiente.
Sal só uma pitada de leve
Deixa o milho de molho 24hs, cozinha na panela de pressão com a água e o sal, escorre se ficou caldo.

Feijão preto
Cozido só c água e sal

Banana da terra frita no azeite de dendê

Cana descascada e cortada em pedaços pequenos.

Pipoca e muito doce.
Bombom e doces

Refrigerante para as crianças e aluá para os adultos

Aluá
5 espigas de milho ou casca de 2 abacaxis
Açúcar mascavo
Gengibre
Água

Torre uma parte do milho, sem deixar pipocar. A outra parte fica ao natural. Triture o milho torrado e coloque as duas quantidades numa vasilha de barro para fermentar durante o período mínimo de sete dias.
Junte o açúcar mascavo para apressar a fermentação. Fermentado, coe e ponha um pouco de gengibre pisado e açúcar a gosto.
No caso do abacaxi, basta colocar as cascas de infusão, da mesma maneira e por igual período. Adoçar e servir.


Prepare o caruru com boas intenções e alegria, se quiser faça um pedido que ele atende, geralmente é feito o caruru de promessa, eu já faço a 35 anos

Depois de tudo pronto, sirva 3 pratinhos com o caruru completo, pipoca e balas, para os 3 santos ou só para São Cosme e São Damião, acenda 3 velas coloridas, mande as crianças sentarem em circulo sobre uma esteira, ponha as comidas em um algidar, coloca no centro do circulo das crianças para elas comerem todas juntas e de mão, sem uso de talher, quando acabarem de comer, elas vão limpar as mãos na barra da saia da dona do caruru.

A pimenta não faz parte do caruru de São Cosme e São Damião
Boas festas!

Não é em todo lugar que tem o camarão seco defumado, para quem quer fazer a oferenda de São Cosme e São Damiãi, ou seja o Caruru completo vai ai como faz a defumação.


Defumação de camarão

Camarão
Peneira de taquara (bambu)
Arame
Sal
Galhos secos de mangue ou aroeira para fazer o fogo.

Afervente os camarões, bem rápido com um pouco de sal, ou cozinha no vapor, escorra bem, prenda o arame na peneira fazendo umas alças, passa mais sal, coloca os camarões na peneira dependurando a cima do fogo, (bem afastado para n queimar a peneira) essa é a maneira do povo de Maragogipe fazer.
Eu fiz em uma churrasqueira com lenha comum, usei uma peneira de arame, dessas de construção, tem que deixar bem afastado do fogo, demora muito, tenha paciência pra ficar seco.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

OFICINA DE ESCULTURA





OFICINA DE ESCULTURA
LOCAL:
ATELIER SARA CERÂMICA
Rua Anquines Reis, nº 187
Jardim Armação - Salvador - Ba
INFORMAÇÕES:
F: 71. 3461.8152/3461.2928
com Jõao Carvalho
carvalhojcm@hotmail.com
F: 71. 3353.2651/9987.4601
com Janete Kislansky
kislanskybahia@ig.com.br

Extrído do blog:http://kislansky.blogspot.com/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ARTE DE VIVER JUNTO, 35 ANOS, PARA FRED


Poema de Amor

Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio-dia
como uma flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e pelos tijolos,

sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,

sem que sejas, enfim, sem que viesses
brusca, incitante, conhecer a minha vida,
rajada de roseira, trigo do vento,

e desde então sou porque tu és,
e desde então és, sou e somos,
e por amor serei, serás, seremos.

Pablo Neruda

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

JAYA RADHARANI!



No dia 27 será aniversário RADHA,a amada de Krishna

“Não é mediante atividades fruitivas, austeridades ióguicas, conhecimento especulativo, serviço devocional regulado, mantra-yoga (japa) ou meditação que se pode saborear as doçuras transcendentais oriundas dos intercâmbios entre as gopis e Krishna. Só através do amor espontâneo é que pessoas liberadas, que cantam os santos nomes plenas de amor extático, podem saborear essa doçura.”

- Chaitanya Caritamrta, Madhya 21.119, falado por Sri Chaitanya Mahaprabhu
Recebido por e-mail de Garidhari Das (Amigos de Krishna)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

TINTA ECOlÓGICA


Projeto Cores da Terra
O Projeto Cores da Terra resgata e aperfeiçoa a tradicional técnica
do barreado para produzir tintas usadas na pintura de residências.
As tintas são produtos feitos com pigmentos, cola e líquidos.
Antigamente os pigmentos eram obtidos de plantas, minérios
e das terras. Dentre as muitas colas, eram usadas a gema, a clara
do ovo ou a cal virgem.
O resgate e aperfeiçoamento das tintas confirma a possibilidade
do uso de terra como fonte de pigmentos, bem como indica
algumas colas fáceis de serem obtidas atualmente.
As tintas feitas com terra podem ser preparadas com cola branca
pura (cola de madeira), ou cola branca mais cal e óleo de linhaça,
ou grude (feito com polvilho azedo ou goma de tapioca), ou
fundo preparador ou selador de paredes. Entretanto, a tinta feita
com grude deve ser aplicada somente em paredes e tetos de dentro
de casa (interiores) que estejam secos e arejados, enquanto as
tintas de cola branca podem ser aplicadas tanto dentro de casa
(interiores) quanto fora de casa (exteriores).
No Brasil, as terras mais avermelhadas ocorrem nas partes mais
altas dos morros. As terras mais amareladas e brancas (conhecidas
como tabatinga ou batinga) são encontradas nas partes mais
baixas e úmidas. Existem muitas cores em camadas mais profundas
que são expostas em cortes de estrada, perfurações de poços
de água ou em escavações de redes de drenagem. Uma consulta
aos moradores locais ajuda a encontrar a diversidade de cores.
A coleta dessas terras deve ser feita com cuidado para não
causar danos ao meio ambiente.

Esta cartilha apresenta “receitas” de preparo dessas tintas. As
boas cozinheiras adaptam as receitas aos ingredientes disponíveis.
Por isso, leiam a cartilha com atenção para aplicar o que já
aprendemos, mas, procurem fazer os testes propostos com os produtos
da sua região, para aperfeiçoar as tintas e um dia dizer:
“estas são as boas receitas com as Cores da Minha Terra”.


Autores:
Anôr Fiorini de Carvalho
Letícia de Melo Honório
Marcelo Rodrigues de Almeida
Paulo César dos Santos
Pedro Eugênio Quirino
Expediente:
Universidade Federal de Viçosa Depto. de Solos
Pró-Reitoria de Extensão e Cultura
Programa TEIA
Projeto Cores da Terra
Equipe do Projeto Cores da Terra:
Coordenação: Prof. Anôr Fiorini de Carvalho
Prof. Eduardo de Sá Mendonça
Fernando de Paula Cardoso - estudante arquitetura e urbanismo
Pedro Eugênio Quirino - Tintor
Paulo César dos Santos - Tintor
Letícia de Melo Honório - estudante geografia
Mª da Penha de Queiroz Almeida - Colaboradora
Athaualpa Nazareth - estudante agronomia
Tintores em Viçosa (MG)
Sr. Pedrinho: (31) 3892 3167
Paulo: (31) 3892 7152
José Grande: (31) 3891 8231
Rogério: (31) 9662 8670
Produção Editorial
Carolina Rodrigues Gomes e
Letícia de Melo Honório
Arte: Oswaldo Santana
Fotos: Projeto Cores da Terra

Indice

Para fazer a tinta com a terra você precisa ter em mãos ................ 06
Dicas de coleta e preparo da terra ..................................................... 07
Preparo da tinta com cola branca ..................................................... 07
Preparo da tinta com fundo preparador ou selador de paredes ........
Preparo da tinta com cola branca, cal de pintura e óleo de linhaça .... 11
Preparo da tinta Cores da Terra com grude ...................................... 14
Preparo da tinta do tipo TEXTURA ..................................................... 16
Possíveis problemas que podem ocorrer ......................................... 17
Um produto sem Patente ................................................................... 18
Tintora ou tintor .................................................................................. 19


Para fazer a tinta com terra você precisa ter
em mãos
18 litros, galão, balde,
peneiras, balança e xícara
espuma, brocha, trinchas,
pincéis, espatula e escova
de aço ponteiras
• Terra, água e cola (cola branca ou grude);
• Uma enxada, enxadão ou cavadeira, uma pá e sacos ou latas para
coletar a terra;
• Duas latas de dezoito litros para preparar e peneirar o creme de terra;
• Um galão (de 3,6 litros) para medir a terra;
• Dois baldes de plástico para diluir a cola ou preparar grude;
• Garrafas de plástico de refrigerante para serem cortadas e produzir
vasilhas para testes de cores e colocar tinta para arremates e recortes;
• Uma balança para pesar ;
• Vasilhas com medidas em litros para dosar água (copo de liquidificador
ou medida de cozinha ou garrafa PET);
• Colher de madeira ou furadeira elétrica com uma ponteira misturadora
para desmanchar a terra e bater a tinta ou VUPT-VUPT(veja foto 4);
• Peneiras com malhas de vários tamanhos ( peneira para areia fina ou
peneiras usadas na cozinha) para peneirar a terra seca ou coar o creme
de terra;
• Saco branco alvejado (pano de chão) ou meia de nylon (meia calça de
mulher) para coar o creme de terra e produzir tinta fina;
• Escova de aço, vassoura piaçava e espátulas para a limpeza das paredes;
• Rolo de lã baixa ou rolo de espuma ou brocha e trinchas e pincéis para
arrematar e retocar os cantos;


Para fazer a tinta com terra você precisa ter
em mãos (veja fotos 1, 2 e 3):
Foto 1: Colher pau, lata
18 litros, galão, balde,
peneiras, balança e xícara
Foto 2: Rolo de lã baixa, de
espuma, brocha, trinchas,
pincéis, espatula e escova
de aço.
Foto 3: Furadeira elétrica e
ponteiras
• Terra, água e cola (cola branca ou grude);
• Uma enxada, enxadão ou cavadeira, uma pá e sacos ou latas para
coletar a terra;
• Duas latas de dezoito litros para preparar e peneirar o creme de terra;
• Um galão (de 3,6 litros) para medir a terra;
• Dois baldes de plástico para diluir a cola ou preparar grude;
• Garrafas de plástico de refrigerante para serem cortadas e produzir
vasilhas para testes de cores e colocar tinta para arremates e recortes;
• Uma balança para pesar ;
• Vasilhas com medidas em litros para dosar água (copo de liquidificador
ou medida de cozinha ou garrafa PET);
• Colher de madeira ou furadeira elétrica com uma ponteira misturadora
para desmanchar a terra e bater a tinta ou VUPT-VUPT(veja foto 4);
• Peneiras com malhas de vários tamanhos ( peneira para areia fina ou
peneiras usadas na cozinha) para peneirar a terra seca ou coar o creme
de terra;
• Saco branco alvejado (pano de chão) ou meia de nylon (meia calça de
mulher) para coar o creme de terra e produzir tinta fina;
• Escova de aço, vassoura piaçava e espátulas para a limpeza das paredes;
• Rolo de lã baixa ou rolo de espuma ou brocha e trinchas e pincéis para
arrematar e retocar os cantos;

Dicas de coleta e preparo da terra
Coletar terra de várias cores encontradas em sua região. Preparar
pequenas quantidades de tinta e pintar pequenas amostras
em uma parede para escolher a cor que te agrada (veja foto na
capa). Misture as tintas para obter diferentes tons.
Atenção:
Quando coletar a terra, cuidado para não causar erosão e
desbarrancar estradas, pois, com a chuva, isso pode criar enxurrada
que vai entulhar as ruas, casas e rios de quem mora abaixo.
Preencha os buracos abertos e faça tapumes para segurar a terra.
A beleza da sua casa começa com a beleza do meio ambiente em
que ela está.
• Coletar a quantidade necessária para a pintura e para fazer retoques
futuros;
• Tanto as terras argilosas quanto as arenosas podem ser usadas
para fazer tinta;
• Para o preparo da tinta a terra tem que estar livre de sujeiras
(pedras, raízes, etc.);
• A terra pode ser coletada tanto seca quanto úmida;
• Para guardar a terra por muito tempo é melhor secá-la, para evitar
o mofo;
Preparo da tinta com cola branca
Ingredientes para fazer, aproximadamente, 18 (dezoito) litros de
tinta com cola branca:
• 8 (oito) kg ou 2 (dois) galões de terra (dê preferência para a terra
seca. Se a terra estiver molhada, desconte a umidade;
• 4 (quatro) kg de cola branca (conhecida como cola de madeira),
que pode ser comprada a granel;
• 8 (oito) litros de água.
8

Observações:
Se for comprada uma cola branca de ótima qualidade, vendida em
embalagens de 1 kg, geralmente com o dobro do preço, a quantidade
pode ser reduzida para 2 (dois) kg. O custo final será o mesmo.
Alguns tipos de terra exigem um pouco mais de cola para produzir
uma boa tinta. Por isso, produza pequenas quantidades de tinta,
variando um pouco a dosagem de cola e pinte pequenas amostras
na parede que vai ser pintada. Você pode usar vários copos como
recipiente e uma colher de sopa como medida para dosar a terra e
a cola e produzir as pequenas amostras de tinta.
Modo de preparo:
• Colocar 6 (seis) litros de água em uma lata e adicionar 4 (quatro)
kg de terra;
• Desmanchar a terra na água, destorroando e produzindo uma
mistura com consistência de creme (um mingau de terra). Para
isso, você pode utilizar uma das maneiras abaixo:
• Desmanchar com as próprias mãos (veja foto 4);
• Utilizar o VUPT-VUPT - cabo de vassoura pregado ou aparafusado
a uma tábua do tamanho da boca lata, que, movido para cima
e para baixo, turbilhona a tinta entre a lata e a laterais da tábua:
• Uma colher de madeira grande;
• Uma furadeira elétrica com um misturador adaptado.


• Acrescentar os 4 (quatro) kg restantes de terra;
• Bater até alcançar a consistência de creme;
• Para obter uma tinta mais fina peneirar ou coar o creme (veja
fotos 6 e 8);
• Para obter uma tinta mais grossa ou textura, não é preciso peneirar
ou coar;
• Adicionar a cola ao creme de terra e bater bem;
• Para evitar desperdício, lavar a vasilha de cola com os 2 (dois)
litros de água que restam e adicionar na tinta;
• Bater até obter a consistência de creme. Quanto mais batida melhor
será a consistência da tinta.
Observação:
Caso a tinta fique muito grossa ou muito rala, não se preocupe,
isso depende do tipo de terra e será resolvido na aplicação.
Foto 7: Misturando a tinta com a furadeira Foto 8: Coando a tinta
Preparo da tinta com fundo preparador ou
selador de paredes
O modo de preparo da tinta com fundo preparador ou selador
de paredes base água é similar ao com cola branca. A dosagem é
diferente. Faça testes de qualidade, iniciando com 2 (dois) litros
de um desses produtos para cada 8 (oito) kg de terra.
Tanto a cola branca quanto esses produtos produzem boas tintas.
Depois ds testes, que indicam a melhor dosagem, é possível
considerar o custo para decidir qual produto usar.
10
Preparo da parede para receber a pintura com a
tinta Cores da Terra
Antes de aplicar a tinta limpe bem a
superfície a ser pintada. Certifique-se
de que não há mofo, umidade, vazamentos
ou infiltrações que possam
comprometer a pintura.
A tinta Cores da Terra não pode ser
aplicada em paredes com cal solta ou
que formou crostas. A cal solta e as
crostas absorvem a tinta e caem da
parede. Faça a limpeza da cal solta e
das crostas com vassoura, escova de aço ou lixas.
A tinta Cores da Terra não pode ser aplicada diretamente em paredes
que já receberam pintura com tinta a óleo, esmalte ou tinta acrílica.
Passe uma escova de aço ou lixa para retirar boa parte dessas tintas e
criar porosidade (foto 9).
Depois de lixar é importante retirar a poeira da parede com uma
vassoura ou com um rolo de espuma umedecido em água. As paredes
externas podem ser lavadas com uma mangueira.
Observação:
Para melhorar a aplicação é recomendável umedecer as paredes
secas com um rolo molhado ou com uma mangueira logo antes
de iniciar a pintura.
A tinta Cores da Terra pode ser aplicada com rolo de lã, rolo de espuma
ou brocha, de modo similar às tintas convencionais. Os rolos produzem
uma pintura lisa na parede. Entretanto, o rolo de lã baixa é o que
espalha melhor a tinta.
Os rolos de espuma provocam escorrimento da tinta e exigem muita
habilidade do tintor.
As brochas produzem uma textura com efeito rústico excelente, entretanto,
são mais difíceis de usar.
Aplicação da tinta Cores da Terra feita com cola branca:
11
A primeira demão deve ser aplicada da seguinte maneira:
• Se a tinta estiver com a consistência de vitamina de frutas (grossa)
diluir 1 (um) volume da tinta para 1 (um) volume de água. Se
estiver muito rala não é preciso diluir;
• A primeira demão de tinta de terra funciona como uma preparação
para receber as outras demãos;
• Não se preocupe em cobrir na primeira demão. A parede pode
parecer toda manchada. Esse fundo de tinta é muito importante
para preparar a parede para receber as outras demãos;
• Esperar secar em torno de 3 (três) horas e somente depois aplicar
as outras demãos;
• As outras demãos completam o cobrimento.
A Segunda demão deve ser aplicada da seguinte maneira:
• Para a segunda demão, se a tinta estiver grossa, diluir na proporção
de 2 volumes de tinta para 1 volume de água. Se a tinta estiver
rala não é preciso diluir. Aplicar e esperar secar por, no mínimo,
3 (três) horas para pintar com a terceira demão;
• Aplicar as demais demãos até atingir a cobertura desejada. Respeitar
sempre as 3 (três) horas de secagem;
• Os arremates e recortes dos cantos das paredes devem ser feitos
com trinchas ou pincéis com mão bem firme para não borrar.
Rendimento:
Uma lata de tinta Cores da Terra (18 litros) é suficiente para dar
uma demão numa área que varia de 70 a 90m.

TINTA FEITA DE COLA E CAL

A tinta preparada com cola branca mais cal de pintura e óleo de
linhaça tem características diferentes da tinta feita somente com
cola branca.

Preparo da tinta com cola branca, cal de pintura
e óleo de linhaça
12
A tinta feita somente com cola branca cria uma camada que
impermeabiliza a parede e, se houver umidade, a água não evapora
e pode formar bolhas e crostas. A cal acrescentada à tinta faz
com que a camada fique um pouco porosa e facilita a transpiração
da parede. O óleo de linhaça aumenta a durabilidade da tinta.
Ingredientes para fazer, aproximadamente, 18 (dezoito) litros de
tinta com cola branca, cal e óleo de linhaça:
• 8 (oito) kg ou 2 (dois) galões de terra (Dê preferência para a terra
seca. Se a terra estiver molhada desconte a umidade);
• 4 (quatro) kg de cola branca. Leia observações no item “Preparo
da tinta com cola branca”;
• 2 (dois) kg de cal de pintura;
• 150 ml de óleo de linhaça (um copo tipo americano). Na falta de
óleo de linhaça, use somente a cal.
Modo de preparo:
• Colocar 150 ml de óleo de linhaça em 2 (dois) kg de cal de pintura.
Misturar para produzir uma farofa homogênea. Acrescentar 1 (um)
litro de água para produzir um creme de cal e óleo. É importante
misturar até que não seja observado o óleo na superfície;
• Tomar 3,5 (três e meio) litros de água e adicionar 4 (quatro) kg da
terra;
• Desmanchar a terra na água, como explicado no item “Modo de
preparo da tinta com cola branca”;
• Acrescentar mais 3,5 (três e meio) litros de água e a outra metade
da terra (4 kg);
• Bater até alcançar a consistência de creme;
• Adicionar o creme de cal e óleo de linhaça ao creme com terra e
bater bem;
• Para obter uma tinta mais fina peneirar ou coar o creme;
• Para obter uma tinta mais grossa ou textura, não é preciso peneirar
ou coar;
13
• Acrescentar 4 kg de cola branca e misturar bem;
• Bater até obter a consistência de creme. Quanto mais batida melhor
será a consistência da tinta.
Observações:
Caso a tinta fique muito grossa ou muito rala, não se preocupe,
pois isso depende do tipo de terra e será resolvido na aplicação
A vasilha de cola pode ser lavada com um pouco de água. Essa
água com cola pode ser acrescentada no momento da aplicação.
Preparo da tinta Cores da Terra com Grude
A tinta Cores da Terra pode ser preparada com grude feito com
Polvilho Azedo ou Goma de Tapioca. Para fazer 10 (dez) litros de
grude são necessários os seguintes ingredientes:
• 600 g (6 xícaras) de polvilho azedo (goma de tapioca);
• 100 g (uma xícara) de soda cáustica em escamas;
• 10 (dez) litros de água.
Modo de preparo do grude:
Atenção:
Soda cáustica é extremamente alcalina e corrosiva. Use luvas
(veja foto 10) e óculos para se proteger.
• Colocar quatro 4 (quatro) litros de água
num balde de plástico. Acrescentar a
soda cáustica e misturar com colher
de pau ou cabo de vassoura para diluir
totalmente. Reservar esta mistura
de soda;
Foto 10: Cuidado com a Soda
Cáustica
14
• Não usar vasilha ou colher de ferro ou de alumínio, pois a soda
corrói esses materiais;
• Peneirar bem o polvilho com peneira fina para retirar os grumos
que dificultam a produção de um grude fino. Pesar 600 gramas;
• Colocar 6 (seis) litros de água em um balde. Acrescentar o polvilho
azedo (ou farinha de tapioca) e misturar até obter uma mistura
leitosa;
• Finalmente, aos poucos, acrescentar
a mistura de soda na mistura
leitosa de polvilho, mexendo
em movimentos circulares
até perceber que começa a engrossar.
Esse é o ponto de virada
do grude. Pare de acrescentar
a mistura de soda e continue
mexendo para completar a formação
do grude. Você vai obter
10 litros de grude;
• Um grude de boa qualidade tem
a consistência de melado de
cana (Veja foto 11).
Observações:
Ao comprar a soda cáustica, leia o teor de pureza escrito no
rótulo. As marcas melhores podem ter até 98% de pureza. As marcas
mais fracas podem ter baixo teor de pureza ou não ter essa
informação no rótulo.
Se a soda usada tiver alto grau de pureza, a quantidade necessária
para o ponto de virada do grude vai ser um pouco menor do
que as 100 (cem) gramas recomendadas acima. Se a soda tiver
baixo grau de pureza, a quantidade vai ser um pouco maior do que
a indicada acima. Portanto, ao preparar o grude, acrescente a soda
bem devagar, pois logo que a mistura começar a engrossar você
deve parar de acrescentar a soda, para produzir um grude com
excesso de soda.
Foto 11: Ponto do grude
15
Modo de preparo e aplicação da tinta feita com grude
Para preparar aproximadamente 18 (dezoito) litros de tinta com
grude você precisará de:
• 8 kg de terra;
• 10 (dez) litros de grude.
Modo de preparo:
• Colocar 10 (dez) litros de grude em uma lata e adicionar 4 (quatro)
kg de terra;
• Desmanchar a terra na água, como explicado no item “Preparo
da tinta com cola branca”;
• Acrescentar os 4 (quatro) kg restantes de terra aos poucos e bater
bem, até obter a consistência de tinta. Quanto mais batida,
melhor será a consistência da tinta.
Atenção:
Um grude bem feito com soda cáustica não queima as mãos.
Entretanto, dê preferência para bater a terra com a colher de
pau, com o VUPT-VUPT ou com a furadeira elétrica para evitar
dano em suas mãos.
Preparo da parede e aplicação da tinta feita com Grude
Adotar os mesmos cuidados de preparação e aplicação citados
para a pintura com a tinta Cores da Terra feita com cola branca.
As tintas feitas com grude são um pouco mais fáceis de espalhar
do que as tintas feitas com cola branca.
16
Preparo da tinta do tipo TEXTURA
• Peneirar areia lavada (do tipo usado para construção);
• Tomar uma medida de tinta Cores da Terra preparada com cola
branca e misturar com uma medida de areia peneirada. Usar uma
colher de pau ou a furadeira para misturar. O VUPT-VUPT não
funciona nessa consistência;
• Testar a consistência da mistura com a ferramenta escolhida. Se
for preciso engrossar acrescente areia e um pouco de cola. Se
for preciso diluir acrescente água.
Observação:
Existem vários tipos de rolo apropriados para aplicar textura no
mercado. As brochas produzem efeito patinado e as vassouras um
efeito de varrição.

A faculdade Federal de Viçosa tem vários cursos on-line, esse de tinta ecológica é muito legal, para ver as fotos citadas na cartilha entre no site se cadastre e faça o curso. https://www2.cead.ufv.br/espacoProdutor/scripts/verArtigo.php?codigo=20&acao=exibir

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

GLORIA ARIEIRA - DEZ MENINOS



Procurando a escola Vydia Yoga na Internet (de Maria Alice Figueiredo, em 2001) achei o Vydia Mandir Centro, li tudo que estava lá, conheci a divina Gloria no Jai Vida! de Renata Sumar em BH, foi o suficiente para sentir sua energia e ficar mais fã ainda, ela tem o dom da palavra, é uma senhora palestrante! Quem gosta da outra parte do yoga sabe muito bem quem é ela, quem quiser saber mais sobre ela entre no site: www.vydiamandir.org.br

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A MÃE DIVINA - PELA A MÃE





Os racionalistas acham um absurdo a devoção à Mãe Divina. Para falar a verdade, devoção para eles já é um absurdo, ainda mais à Mãe de um Deus, que eles não acreditam que exista.
Os yogues iluminados, como Yogananda, Shivananda, Ramakrishna, Aurobindo, Amma, seres que vivenciaram as profundezas e as alturas do ser, perceberam a existência do poder do Absoluto, pois toda consciência equivale a um nível de poder.
Os tântricos, diziam "Shiva sem Shakti é shava", que significa: consciência sem poder é um cadáver.
Ramakrishna, afirmava que Deus sem forma era seu pai e Deus com forma era sua mãe. Lao-Tsé, chamava aquilo que não tem forma de Tao e aquilo que tem forma de Mãe. Muitos católicos dizem que ninguém vai à Jesus sem passar por Maria.

Se observarmos atentamente, a adoração do Sagrado na forma feminina, sempre esteve presente em todas as tradições, basta olhar para o culto à Tara, no Tibet, Kuan Yin, no Japão, Lakshimi, Kali, Saraswati, Durga, na Índia, Ísis, no Egito, Iemanjá e Oxum, no Brasil, Nossa Senhora de Fátima, Lourdes, na Europa e mundo.

Mesmo a natureza, é adorada em diversos povos como Mãe: Mãe Terra, Mãe Gaia, Pachamama, etc.
Os sábios hindus perceberam três principais aspectos de culto à Mãe: o primeiro, com o nome de Lakshimi, representa o amor, a beleza e a abundância. O segundo, é representado pela Mãe Kali, nua e transparente, feroz contra toda injustiça, prisão e falsidade humana e o último aspecto, aquele que não desiste de aperfeiçoar a sua obra, denominada Mãe Saraswati, é aquela que dita os ritmos e coloca criatividade e arte em cada momento de nossas vidas.

Para acessarmos o primeiro poder, temos que ter amor pelo belo e serví-lo, não compactuando com as imundices e mau gostos humanos. Já o segundo, necessita que tenhamos amor à liberdade, à justiça e não toleremos nenhuma espécie de falsidade. O acesso ao último aspecto ou poder, depende de disciplina, organização e ação perseverante.

Sri Aurobindo disse que, somente quando ele se tornou mulher é que ele pôde ver Deus.


FLORES :::

Devemos tentar ser como uma flor: aberta, franca, igual, generosa e gentil. Você sabe o que isto significa?

Uma flor é aberta a tudo o que a cerca: Natureza, luz, os raios do sol, o vento... Ela exerce uma influência espontânea sobre tudo o que está em torno dela. Ela irradia uma alegria e uma beleza.

Ela é franca: nada oculta de sua beleza, e a deixa fluir livremente de si. O que está dentro, o que está em suas profundezas, isto ela deixa vir para fora de modo que todos possam vê-lo.

Ela é igual: não tem preferência. Todos podem desfrutar de sua beleza e de seu perfume, sem rivalidade. Ela é igual e a mesma para todos. Não há diferença alguma, para o que quer que seja.

Então generosa: sem reserva ou restrição, como ela doa a misteriosa beleza e o perfume próprio da Natureza. Ela se sacrifica inteiramente pelo nosso prazer, mesmo sua vida ela sacrifica para expressar esta beleza e o segredo das coisas reunido dentro de si.

E então, gentil: ela tem uma tal suavidade, ela é tão doce, tão próxima de nós, tão amável. Sua presença enche-nos com alegria. Ela é sempre jovial e feliz. Feliz é aquele que pode trocar suas qualidades com as qualidades reais das flores. Tente cultivar em si estas refinadas qualidades. (Mira Alfassa - A Mãe)

(Texto extraído da Revista Ananda - revista puclicada pela Casa Sri Aurobindo)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ARTE DO SILÊNCIO 2 - O CONTROLE DAS PALAVRAS






» por Mira Alfassa (A Mãe)

Na Terra, o homem é o primeiro animal capaz de servir-se de sons articulados. Ele é muito orgulhoso disso. Aliás, se utiliza dessa capacidade sem medida nem discernimento. O mundo está ensurdecido pelo ruído de suas palavras, mas às vezes se é tentado a lastimar o silêncio harmonioso do reino vegetal.

O constante zumbido das palavras parece o acompanhamento indispensável das tarefas cotidianas. No entanto, logo que se procura reduzir o ruído ao mínimo, percebe-se que muitas coisas são feitas melhor e mais rápido no silêncio, e que isso ajuda a manter a paz interior e a concentração.

Se você não é sozinho e vive com outros, adquira o hábito de não se exteriorizar constantemente em palavras pronunciadas em voz alta, e você perceberá que, pouco a pouco, uma compreensão interior se estabelece entre você e os outros; poderá então intercomunicar-se reduzindo as palavras ao mínimo, ou mesmo em palavra alguma. Esse silêncio exterior é muito favorável à paz interior, e com boa vontade e constância na aspiração você poderá criar um ambiente harmonioso, muito propício ao progresso.

Na vida em comum, às palavras que dizem respeito à existência e às ocupações materiais virão juntar-se aquelas que exprimem as sensações, as emoções e os sentimentos. É aqui que o hábito do silêncio exterior se revela como uma ajuda preciosa. Pois quando somos invadidos por uma onda de sensações ou de sentimentos, esse silêncio habitual nos dá tempo de refletir, e, se for preciso, de nos retomarmos, antes de projetarmos em palavras a sensação ou o sentimento experimentado. Quantas disputas podem assim ser evitadas! Quantas vezes seremos salvos de uma dessas catástrofes psicológicas que são, na maioria das vezes, o resultado de uma incontinência verbal.

A menos que você seja responsável por certas pessoas, seja como guardião, instrutor ou chefe de serviço, você não tem nada a ver com o que elas fazem ou não fazem, e é preciso abster-se de falar deles, de dar sua opinião sobre eles e sobre o que fazem, ou mesmo de repetir o que os outros podem pensar e dizer deles.

Em todos os casos, e de uma maneira geral, quanto menos se fala dos outros, mesmo se for para elogiá-los, melhor. Se já é tão difícil saber exatamente o que acontece em si mesmo, como saber, então, com certeza, o que acontece nos outros? Abstenha-se, portanto, totalmente de pronunciar sobre uma pessoa um desses julgamentos definitivos que só podem ser uma tolice, se não uma maldade.

Ninguém conhece a verdade exata das coisas aqui, e cada um fala como se soubesse, mas ninguém sabe realmente. Se, um dia, a verdade fosse desvelada a todos, a maioria das pessoas, aqui e em toda parte, ficaria apavorada pela enormidade de sua ignorância e de sua falsa interpretação. Por isso, aconselho todos a ficarem em paz e a absterem-se de todo julgamento. Isso é o mais seguro.

Do ponto de vista da disciplina exterior, é indispensável, uma vez que se tenha uma opinião e que se a expresse, lembrar-se de que é apenas uma opinião, uma maneira de ver e de sentir, e que as opiniões, as maneiras de ver e de sentir dos outros são tão legítimas quanto as suas, e que, em lugar de se opor a elas, deve-se totalizá-las e tentar encontrar uma síntese mais abrangedora.





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Visite o site do Sri Aurobindo Ashram, de Pondicherry, Índia, em www.sriaurobindoashram.org

Texto digitado por Cristiano Bezerra em 18 de julho de 2009.
Do site:www.ekadantayoga.com.br

domingo, 19 de julho de 2009

ARTE DO SILÊNCIO 1 - MAUNA


Mauna o poder do silêncio - "Swami Sivananda"


Em certa ocasião, Bhaskali aproximou-se de seu Guru, Bhaba, e perguntou-lhe onde se encontrava o Eterno, o Infinito Supremo, o Brahman dos Upanishads. O mestre não respondeu e o discípulo então, continuou perguntando-lhe uma e outra vez e ele sequer abriu os lábios. Ao final o mestre disse-lhe: “Estive te dizendo uma e outra vez mas você não me entendeu; Que eu posso fazer? Esse Brahman, o Infinito, o Eterno, não pode ser explicado, mas sim conhecido através do silêncio profundo. Não existe nenhum outro lugar em que ele possa habitar, só no silêncio profundo e eterno!. Ayam, Atman, Santah. Este Atman é o silêncio”.

.O silêncio é Deus. È o substrato deste corpo, a mente, o Prana e os sentidos. É a chave deste universo sensorial. O silêncio é poder. É uma força viva.
É a única realidade. A paz que ultrapassa todo entendimento é o silêncio. A meta da sua vida é o silêncio. A finalidade da vida é o silêncio. O propósito da sua existência é o silêncio. Atrás de todos sons e ruídos se encontra o silêncio, que é sua alma interna. O silêncio é teu verdadeiro nome. É a experiência intuitiva. O silêncio ajuda ao Ser intuitivo a se expressar. Mergulhar no silêncio é converter-se em Deus.

A mensagem do deserto do Saara é o silêncio. A mensagem dos Himalaias é o silêncio. A mensagem do Avadhuta, o peregrino, que habita completamente pelado o gelado Gangotri o monte Kailas, é o silêncio. A mensagem do Senhor Dakshinamurti a seus quatro discípulos: Sánaka, Sanátana, Sanándana e Sanatkumara, foi o silêncio. Quando o coração se sente pleno, quando experimenta uma grande alegria, existe silêncio. Quem pode descrever as glórias do silêncio?

Não existe nenhum balsamo curativo melhor que o silêncio para aqueles que se sentem feridos em seu coração, devido a fracassos, decepções e perdas. Não existe nenhum sedante melhor que o silêncio para aqueles que sofrem dos nervos devido à agitação da vida, a fricções, rupturas e freqüentes disputas domésticas. Se não permite aos seus ouvidos escutar nenhum som, isto é o silêncio deste sentido em particular.

O sono profundo te põe em contato direto com este silêncio maravilhoso, mas ainda segue ai o véu de Avidia, a ignorância primaria. O silêncio desfrutado durante o sono profundo e aquele que experimenta no mas profundo da noite, proporciona a chave para a existência deste oceano de silêncio que é Brahman.

O silêncio físico e o silêncio da mente
Na linguagem comum, sentar-se calado, sem falar com ninguém, é silêncio. Se seu amigo não te escreve durante muito tempo você exclama: “mantém um frio silêncio não sei porque.” Se ninguém fala num salão de conferencias durante uma palestra emocionante diz-se: “A outra noite havia um silêncio absoluto enquanto o filosofo dava sua conferencia”. Quando as crianças fazem muito barulho na classe o professor lhes diz: “Silêncio, por favor”. Quando encontra os sadhus, ou peregrinos, um deles te diz: “Este outro sadhu é um Mauni. É meu amigo é esta guardando silêncio há seis anos.” Todos estes silêncios são físicos.

Se não deixar que seus olhos vejam os objetos, abstraindo-os por meio da pratica de Pratiahara ou Dama, isto constitui o silêncio deste sentido em particular. Mantém-se um jejum absoluto nos dias. Ekadasi sem tomar nem uma só gota de água, isto é o silêncio do Indriya da língua. Se não realiza nenhum trabalho, sentando-se em Padmasana durante três horas seguidas, isto constitui o silêncio das mãos e pés.

Mas o que realmente se requer é o silêncio da mente fervilhante. Pode fazer voto de silêncio, mas tua mente seguirá formando imagens. Será surpreendido por Sankalpa, ou imaginação. Chita, ou a mente subconsciente, manifestará suas lembranças. A imaginação, a razão, a reflexão e outras funções diversas da mente seguirão produzindo-se continuamente. Então, como conseguir paz ou silêncio verdadeiros? Para isto o intelecto deve deixar de funciona. O sentido interno astral deve encontrar-se em perfeito descanso. Devem desvanecer-se por completo todas as ondas mentais. A mente deve descansar no Oceano de silêncio ou Brahman. Somente então poderá desfrutar de um silêncio verdadeiro e duradouro.

Mauna, ou o voto de silêncio
Mauna significa fazer voto de silêncio. Existem diversos tipos de Mauna. O controle da língua se chama Vang-Mouna. Quando mantém-se quieto o Vag-Indriya, a isto chama-se Vang-Mouna.

O cessar absoluto das próprias ações físicas chama-se Kashtha Mauna, e nele não se pode mover nem sequer a tua cabeça. Não pode fazer nenhum sinal. Não pode fazer nada em um papel para expressar suas idéias. Mas tanto no Vang-Mauna como no Kashtha-Mauna, as modificações mentais não se destroem.

A visão eqüitativa de todo e a quietude da mente, unidas a idéia de que todas as coisas não são senão Brahman, chama-se Sushupti-Mauna. A extinção de todas as duvidas da mente, entendendo firmemente o caráter ilusório deste mundo, constitui o Sushupti-Mauna. A conclusão firme de que o universo não é senão Brahman, que todo impregna, constitui o Sushupti-Mauna.

Brahman, se denomina Maha Mauna porque é a encarnação do silêncio. Maha Mauna é o verdadeiro silêncio.
O Vang-Mauna não é mais que uma ajuda para alcançar o Maha-Mauna. O Mauna da mente é muito superior ao da língua, ou Vak.

O órgão da língua
O Vag-Indriya, ou órgão da língua, é uma arma forte de Maya para enganar aos Yivas e distrair a mente. As pessoas falantes não podem ter paz na mente. A conversa variada é um mal habito que distrai a mente, dirigindo-a sempre para o exterior e afastando o homem da espiritualidade.

As disputas e brigas produzem-se devido a este Vag-Indriya tão turbulento. A língua é como uma espada e as palavras são como flechas que ferem os sentimentos dos demais.
As mulheres são muito falantes e sempre estão fazendo barulho na casa. As sogras e as noras não podem estar quietas nem por um segundo. Por isto a casa emana sempre uma certa fricção.

.O estudo do sânscrito torna algumas pessoas muito falantes, forçando-as a iniciar discussões desnecessárias com outras pessoas para demonstrar sua erudição escolar. O pedantismo ou demonstração vã de erudição é o atributo especial de muitos estudantes de sânscrito. O Vag-Indriya é muito danoso, inquieto, turbulento e impetuoso. Deve ser por isto controlado firme e gradualmente. Quando comece a freia-lo tratará de revoltar-se contra você mesmo. Terá que ser por isso intrépido e ousado.

Não deixe que nada surja de sua mente através do Vag-Indriya. Observe Mouna ou silêncio. Isso te ajudará. Então terás tampado uma grande fonte de distúrbios. Quando se freia o Vag-Indriya os olhos e os ouvidos podem também ser controlados facilmente. Uma vez que tenha controlado o Vag-Indriya terá controlado a metade de sua mente.

Benefícios da pratica de Mauna
A energia se desperdiça por meio de conversas ociosas e fofocas. Mas as pessoas mundanas não se dão conta disso. Mauna, entretanto, conserva a energia pelo que pode fazer mais trabalhos mentais e físicos. Pode fazer também muita meditação pois tem uma maravilhosa influencia sedante sobre o cérebro e os nervos. Por meio da pratica de Mauna a energia da língua vai sendo lentamente transmutada ou sublimada em energia espiritual ou Oyas-Shakti.

Mauna desenvolve a força de vontade, freia a força do pensamento ou Sankalpa, impede o impulso da palavra e proporciona paz na mente. Desenvolverá a capacidade da paciência. Nunca dirá mentiras e terá pleno controle sobre a língua.
Mauna é uma grande ajuda para ser veraz e controlar a ira. Ao controlar as emoções, a irritabilidade desaparece. Quando um está doente, observar Mauna lhe proporcionará uma grande paz na mente.
Quem observa o silêncio possuí uma paz, uma fortaleza e uma felicidade desconhecidas pelas pessoas mundanas. Sempre permanece sereno e calmo. No silêncio há fortaleza, sabedoria, paz, quietude, alegria e felicidade. No silêncio há liberdade, perfeição e independência.

Como observar Mauna
As pessoas muito ocupadas deveriam observar Mauna pelo menos durante uma hora diariamente. Se pode faze-lo durante duas horas diárias muito melhor. Nos domingos observa Mauna durante seis horas ou inclusive durante todo dia. Ninguém te molestará pois saberão que observa Mauna entre determinadas horas. Seus amigos não te molestarão tampouco sua família. Utiliza este período de Mauna para fazer Yapa e meditação. Deve observar Mauna mesmo no momento da tarde em que espera visitantes. Se o lugar não é adequado para observar Mauna vai a qualquer lugar sozinho no qual teus amigos não podem te visitar.

Se desejar observar Mauna terá que se manter plenamente ocupado em fazer Yapa e meditação e escrever seu mantra. Não deve se mesclar com os demais. Não deve abandonar seu quarto com freqüência. A energia da língua há de se sublimar convertendo-a em energia espiritual para ser utilizada em meditação. Somente então desfrutará de paz, calma e serenidade, assim como fortaleza espiritual interna.

Durante o período de Mauna não se deve ler jornais, o qual reaviva as Samskaras mundanas perturbando sua paz mental. Ainda que vivas nos Himalaias terás que habitar no vale durante o dia fato que não te beneficiará excessivamente observando Mauna e sua meditação será perturbada seriamente.

Durante o Mauna não se deve escrever muitas folhas nem sequer deve-se escrever com seu dedo sobre o braço para expressar seus pensamentos a seus visitantes. Tampouco se deve rir. Tudo isso supõe romper o Mauna e é pior que falar.

Reduze suas necessidades. Deve-se organizar previamente quem fará seu regime dietético e qual é o momento em que se deve servir a comida. Não deve mudar sua dieta freqüentemente nem pensar diminuto nas distintas coisas que vai comer. Deve-se atender pessoalmente a limpeza de seu quarto e a outros deveres ordinários do dia. Não se ocupe excessivamente de barbear-se nem de limpar seus sapatos, nem da limpeza da roupa branca pois todas estas coisas interferem na continuidade dos pensamentos divinos. Não pense demasiado em seu corpo, nem no pão nem em sua barba. Pense mais em Deus ou Atman.

Algumas indicações especiais
Quando faça voto de silêncio não afirme nunca internamente com demasiada freqüência: Não vou falar.” Isso zangará um pouco a sua mente que deseja vingar-se de você. Simplesmente uma vez feita à determinação mantenha-se tranqüilo. Dedique-se a outros assuntos e não pense continuamente: “Não falarei, não falarei.”

Ao principio encontrará alguma dificuldade em observar Mauna pois se produzirá um severo ataque de Vrittis. Surgirão diversos tipos de pensamento, te forçando a romper o silêncio. Todas estas são imaginações e decepções vãs de sua mente. Seja intrépido. Concentre todas suas energias em Deus. Faça que sua mente esteja plenamente ocupada. Deste modo o desejo de falar e de buscar companhia se apagará e você conseguirá a paz.

A pratica de Mauna deve ser gradual. De outro modo você não será capaz de observa-lo durante dez ou quinze dias. Quem já tem o habito de observar Mauna diariamente por duas ou três horas, ou durante vinte e quatro horas nos dias de festa, serão capazes de observa-lo durante uma semana inteira ou quinze dias. Deve-se entender claramente o valor de Mauna. Observa-lo durante duas horas diárias e aumentar gradualmente até seis horas e depois de vinte e quatro horas a dois dias, uma semana, etc....

Se você acha difícil observar Mauna por muito tempo e se não utiliza o tempo para o Yapa e a meditação, o abandone em seguida. Quando a energia da palavra não está controlada e utilizada adequadamente em atividades espirituais, quando não está perfeitamente sublimada, corre como um louco manifestando-se em sons raros como hu,hu,hu, acompanhado de todo tipo de gestos e outros sons. Perde-se mais energia pela exibição destes gestos que pelas palavras normais. Terá que sentir que obtém muitos benefícios pela pratica de mauna em forma de paz, fortaleza interior e alegria. Somente então irá gostar da pratica de Mauna e tentará não falar nem sequer uma só palavra. Um Mauna forçado para imitar a alguém ou por obrigação te tornará inquieto e depressivo. O Mauna forçado não é mais que lutar com a mente. É um esforço. O Mauna têm que vir por si mesmo. Têm que ser natural. Se você vive na verdade, Mauna, virá por si mesmo. Somente então haverá paz absoluta.

Um Mauna prolongado e o Cashtha-Mauna prolongado não são necessários. O Mauna prolongado praticado por um aspirante pouco desenvolvido e purificado lhe fará dano.

A disciplina da palavra
Tente se tornar uma pessoa de palavras moderadas. Evite a todo custo os discursos longos e grandes, todo discurso desnecessário, debates e discussões vãs, retire-se da sociedade o Maximo possível. Isso em si só constitui Mauna. Falar sem controle durante seis meses e observar Mauna durante o resto do ano é inútil.

Vigia cada palavra. Isto é a mais grande disciplina. As palavras são forças tremendas. Utilize-as cuidadosamente. Controle suas palavras. Não deixe a língua solta como um louco. Controle as palavras antes que saiam de seus lábios. Fale pouco. Aprenda a ficar em silêncio.
As palavras muito complicadas cansam a língua, essas palavras te esgotarão. Utilize palavras simples e conserve a energia. Guarde as palavras para louvar a Deus. Dedique seu tempo mais e mais a uma vida interior de meditação, reflexão e Atma-Chintana.

Purifica a mente e medita, este tranqüilo e sinta que é Deus. Acalme a mente. Silencia os pensamentos buliçosos e as emoções impetuosas. Penetre no mais profundo de seu coração e desfrutará do vasto silêncio. É misterioso este silêncio. Penetre no silêncio. Conheça o silêncio. Torne-se o próprio silêncio. Converta-se em Maha Mauni. Realiza a Deus aqui e agora.

Livro Senda Divina- Swami Sivananda
Extraído site www.purayoga.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2009

ARTE GOSTOSA - FEIJÃO AZUKI


Foto da net
MUQUECA DE BROTO DE FEIJÃO AZUKI

½ kg de feijão azuki
1 cebola grande
4 dentes de alho
½ pimentão vermelho
½ pimentão verde ( pequeno)
1 tomate
1 pimenta de cheiro
1 colher de sobremesa de gengibre.
½ copo de leite de coco ou 1 garrafinha
½ amarrado de coentro picadinho, mais umas folhinhas para bater no liquidificador com o leite de coco.
3 bulbos de cebolinha
Sal
Pimenta c/ cominho
1 copo de água
3 colheres de sopa de azeite de dendê.
1 limão
Corte bem miudinho os temperos, misture com os brotos e o azeite de dendê, leve ao fogo, ponha o sal e a pimenta c/ cominho, quando começar a cozinhar os brotos, ponha o leite de coco batido com o coentro, tampe a panela e desligue o fogo e ponha o limão se gostar.

BROTOS DE FEIJÃO AZUKI COM MASSALA

1 xícara de broto
½ cebola
2 dentes de alho
1 colher de café rasa de massala com cardamomo
1colher de sopa de gergelim.
2 colheres de sopa de gee ou azeite de oliva
Sal
Pimenta dedo de moça a gosto (opcional)

Frite a cebola e o alho, ponha os brotos e deixe cozinhar com um pouco de água, acrescente a massala, gergelim, o sal e a pimenta. Sirva com arroz com cenoura.

Os brotos de feijão pode ser usado como recheio, ensopados, sopas e saladas .

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O SIGNIFICADO DE YANTRA




Por Sri Swami Satchidananda
Extrído do site www.jaivida.com


Yoga Integral é um Yoga completo e o Yantra do Yoga Integral é também completo. É uma representação total do cosmos.

Algumas imagens externas são usadas em meditação ou adoração para simbolizar ou expressar certas idéias e qualidades divinas. Quando mantras (fórmulas de sons usados em meditação) ou idéias divinas são usadas em meditação, certas imagens são trazidas à tona. É algo como líquido sendo cristalizado na forma sólida. Estas figuras geométricas são, na verdade, formas de mantras cristalizados. Um Yantra é uma expressão física de um mantra – um mantra sendo um aspecto divino na forma da vibração de um som – Yantra na forma de uma figura geométrica.

Em linguagem simples, como eu disse antes, nosso Yantra yoga integral representa a completa criação. Cada parte do Yantra corresponde a um diferente aspecto do cosmo. De acordo com o pensamento yogi, Deus ou a Consciência Cósmica, é originariamente não-manifesto – apenas É. Quando Deus começa a se manifestar, a primeira expressão é a vibração do som. A Bíblia explica isto dizendo: " No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a palavra Era Deus." Aqui, "palavra" significa som.

Em sânscrito eles falam alguma coisa similar, mas dão um passo adiante: "Nada, bindhu, kalaa" – o som, então uma mancha, então a arte ou raios. Se Deus manifesta como som, você não pode ver nada. Qual é a menor expressão que você pode ver? O bindhu ou mancha. Ela deveria ser a menor partícula possível. Mas, naturalmente, se for tão pequena que não podemos ver, então no Yantra é mostrada como uma mancha grande bem no centro do símbolo. O bindhu representa a primeira expressão física, o âmago do cosmo. É esta mancha que está expressa como kalaa. Kalaa significa os diferentes aspectos ou literalmente os diferentes raios ou diferentes artes.

As próximas expressões são três anéis de diferentes colorações (matizes) ao redor do bindhu. Eles representam os três gunas ou qualidades básicas da natureza: sattva (equilíbrio), rajas (atividade) e tamas (inércia). No pensamento yogi, tudo no universo manifesta-se unicamente em resposta a uma combinação única destas três gunas. Todas as diferenças nos fenômenos do mundo são devidas às variações destas três qualidades básicas.

Então você vê o hexágono ao redor dos três anéis. Isto pode ser muito bem explicado com um exemplo da ciência. Se você tirar uma fotografia de um cristal, você verá que sua forma natural é de seis lados. Este é o motivo que o Yantra tem seis triângulos ao redor do centro. Significa que a primeira partícula de problema pode expressar-se como um problema tão complexo como um cristal.

Estes seis triângulos são na verdade, uma combinação de dois triângulos maiores, um apontando para baixo, outro para cima. Na medida que um triângulo passa através do outro, nos conseguimos esta figura de seis lados. O triângulo com o vértice para cima representa o aspecto positivo ou aspecto masculino; o triângulo invertido é o aspecto negativo ou feminino. Em sânscrito, este conceito é chamado Siva-Shakti. É uma combinação de masculino-feminino, igualmente representado. Não existe inferioridade ou superioridade para nenhum dos aspectos; eles misturam-se perfeitamente. Qualquer lado você virar o Yantra, eles permanecerão o mesmo. Isto faz a totalidade, e representa por si mesmo o nirguna (não-manifesto) tão bem quanto o saguna (manifesto), aspectos completos do Supremo.

Uma vez que os triângulos estão juntos, o hexágono poderia então representar algo mais: os seis tattvas ou princípios básicos – os cinco sentidos e a mente como o sexto. O cristal de seis lados então se manifesta para fora em expressões mais amplas da energia e problemas primordiais. Porque e como isto acontece? Fora do amor. Então todas as bonitas pétalas do lótus representam a manifestação de amor.

Outra maneira de explicar as pétalas é que as oito pétalas internas representam os elementos sutis, enquanto as dezesseis externas indicam as manifestações grosseiras.

Então você vê os três círculos maiores ao redor das pétalas. Eles indicam como estes elementos de longe expressam como os três mundos: causal, astral e físico. Mas, mesmo isto não é o final. A expressão Divina é ilimitada. Isto porque os círculos são emoldurados por um quadrado com falhas apontando para fora, representando o infinito da criação.

OM Shanti, Shanti, Shanthi
Extrído do site www.jaivida.com

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Coruja de Jener/1958, coleção particular de Fred e Dila Matos



Aracajú, SE, 11/11/1924)
Sergipano de nascimento, Jenner Augusto foi, no entanto, um dos integrantes do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, durante a década de 50, junto com Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho, Carlos Bastos e Carybé, entre outros. Antes disso, em seu estado, foi o precursor da Arte Moderna, já que em 1949 realiza os murais decorativos do Bar Cacique, com claras referências à obra de Portinari.
Filho de uma professora, Jenner passou grande parte de sua infância mudando pelas cidades do interior de Sergipe. Humilde, trabalhou como engraxate, sapateiro, ajudante de alfaiate, pintor de paredes, até começar a fazer cartazes para filmes. Começa a se interessar pela obra de Horácio Hora (1853 - 1890) na década de 40, o que incentiva a sua pesquisa no campo da pintura. Seus primeiros trabalhos são acadêmicos, já que o contato com o Modernismo já amadurecido no Rio de Janeiro e em São Paulo era quase impossível. Por volta de 45, data de sua primeira exposição, começa a integrar-se no ambiente artístico de Aracajú, e em 49 realiza a decoração do Bar Cacique, marco da Arte Moderna no Sergipe, onde aparece clara influência de Portinari, prova que as informações dos centros culturais do país começavam a chegar às capitais.
Neste mesmo ano muda-se para Salvador, onde conhece Mário Cravo e Rubem Valentim, com eles expondo no ano seguinte na mostra Novos Artistas Baianos, junto com Lygia Sampaio. Nos anos seguintes, além de participar da I Bienal de São Paulo (51), realiza importante mostra na Galeria Oxumarê, de Salvador (52), participa do Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio, em 53 voltando a expor até 62, além de receber o prêmio de viagem da UFBa no V Salão Baiano de Belas Artes (54). Expondo no Rio de Janeiro, em 55, conhece Portinari e Pancetti, que divulgam o artista no meio artístico. É neste mesmo ano que conhece o maior divulgador de sua arte e um de seus maiores fãs, Jorge Amado.
Sua obra, esta altura, era marcada pela influência de Portinari, e a temática começava a tornar-se baiana, sempre retratando trabalhadores e cenas cotidianas. Em 53 realiza o afresco Evolução do Homem, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, que além de Portinari, carrega forte influência do muralismo mexicano, como de resto acontecia com outros artistas da época. A partir do final da década, no entanto, Jenner se aproxima da abstração lírica, e seu trabalho demonstra uma maior preocupação cromática, em detrimento da linha.
Retoma a figuração logo depois, com a série Alagados, denunciando a pobreza ao mesmo tempo que pintando com um colorido que dá à estas obras um extremo lirismo. Surgem outras séries, como a dos Coroinhas, mas de maneira geral, a partir do final dos anos 60, sua obra é paisagística, oscilando sempre entre o figurativo e o abstrato, com predomínio constante dos grandes planos cromáticos, sem grandes inovações até os dias atuais.
Cassandra de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]

YOGA E LIBERDADE - Tales Nunes




Yoga e Liberdade foi o tema do curso administrado por Tales Nunes no espaço Lumen em Maceió.
Foto do grupo por Weliton


Liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é. Qual, afinal, é o objetivo do Yoga? Para que fazermos tantas ações e criarmos uma disciplina de prática de Yoga? Parto do princípio de que o objetivo de praticarmos Yoga é alcançarmos a liberdade. Mas, se buscamos alcançar a liberdade, é porque não somos livres. Então, o que nos aprisiona?

O mundo, a realidade, é como é. Nós imprimimos sobre ele valores, desejos e expectativas, a tal ponto de podermos dizer que existe um mundo em cada mente humana. Há uma maneira de ver e de interpretar o mundo em cada pessoa.

A nossa mente deve ser uma ferramenta de aprendizado e amadurecimento que possuímos, mas, na verdade, a nossa mente nos possui. Ela nos leva para passear junto com ela em seus altos e baixos. Poderia ser diferente? Bom, vamos pensar que podemos ter três tipos de posturas em relação à nossa mente: reativa, reflexiva e contemplativa.

Como, porém, podemos ser algo em relação à nossa mente, se nós somos a mente? Primeiro devemos entender que não somos a mente, que a mente é parte de nós. Quando realizamos isso, começa o caminho para a liberdade.


Uma mente reativa


Os valores que cada um de nós possui são construídos a partir do tempo, do local e da circunstância em que estamos inseridos, assim diz a psicologia, a sociologia e a antropologia. Cada uma dessas disciplinas dá ênfase a um determinado aspecto da formação da identidade do ser humano, seja social ou individual.

O Yoga, por sua vez, inclui outro fator não comumente falado pelas ciências do homem: os efeitos produzidos por vidas passadas, que têm influência sobre o que vivemos hoje. A idéia é que nascemos nesse local, nessa família, nesse período, justamente por influência de ações anteriores ao nascimento1. O objetivo deste artigo não é discutir o que acontece antes do nosso nascimento, ou após a nossa morte, mas o que acontece no meio.

Nascemos numa família, com pais e irmãos que vão se relacionar conosco de determinada maneira, que vão nos influenciar de um jeito, de modo tal que vamos construindo nossa identidade a partir desse relacionamento e de outros que vão além da nossa família e incluem as relações com nossos vizinhos, com outras pessoas que vivem na cidade e no país em que residimos.

Depois de começamos a falar, seja qual for a língua, nasce dentro de nós uma vozinha que irá nos acompanhar pelo resto da vida. Uma vozinha que olha para o mundo exterior e se identifica, qualifica, julga o mundo bom ou ruim de acordo com os gostos e aversões que se desenvolverão e se arraigarão dentro de nós ao longo do tempo.

Nós somos estimulados a construir a nossa identidade a partir da ilusória idéia de autonomia, pois a sociedade em que vivemos idolatra esse valor. É inculcado em nós o desejo intenso de sermos diferentes dos outros, de querermos uma roupa que seja diferente, um carro, um celular que seja a nossa cara. A idéia de sermos diferentes dos outros está tão fortemente arraigada que, quando encontramos alguém vestido igual a nós, sentimo-nos constrangidos. Por quê? Porque desejamos ser diferentes. Desejamos possuir uma história de vida que seja única e contar essa história de vida com todo o orgulho e apego.

Assim, então, criamos as nossas identificações com certas coisas e as nossas desidentificações com outras, formamos a nossa personalidade, os nossos apegos e aversões. E quanto mais o tempo passa, parece que mais nos apegamos a essa construção. Quanto mais realidade damos à nossa idéia de identidade, mais grudados nos tornamos aos condicionamentos, padrões mentais, emocionais. E a vozinha interna, a própria voz do ego que torna todas as experiências auto-referentes, ganha mais força de realidade, a ponto de acharmos que somos apenas a nossa personalidade.

Apegados a essa vozinha interna, reagimos constantemente perante os outros, perante a vida, ao invés de agirmos de acordo com as circunstâncias. Queremos que o mundo e as pessoas sejam como nós desejamos. Sentimo-nos presos pelo mundo porque a nossa felicidade depende dele e tentamos controlá-lo à nossa maneira. Ou seja, sentimo-nos presos pelo mundo e pelas pessoas e ao mesmo tempo tentamos aprisioná-los.


Uma mente reflexiva


Uma mente reflexiva é uma mente capaz de olhar para si mesmo, para esse constante movimento, com o mesmo olhar imparcial com que olhamos para os fenômenos externos a nós. Tal mente permite vermos que é ilógico ter como referência de nós mesmos aquela mente oscilante.

A nossa mente trabalha fazendo conexões, encadeamentos, tendo como matéria um conteúdo que acumulamos ao longo do tempo: memórias do que vimos, ouvimos e vivemos: a nossa própria história de vida. A nossa história de vida pode ser resumida na nossa reação de aproximação do que desejamos, o que achamos que nos faz bem, e da reação de afastamento do que não gostamos, do que achamos que não nos faz bem.

Mas se pararmos e olharmos para o nosso eu relacional, a nossa personalidade, vemos que é completamente mutável. Aquilo de que gostamos hoje, desgostamos amanhã, o que nos faz feliz hoje, amanhã se torna um problema. Estou alegre, estou triste. Estou calmo, estou com raiva. Estou bem, estou mal. A mente sempre vai variar entre esses estados, “bons” e “ruins”. E se estamos identificados com o conteúdo da nossa mente, quando a mente estiver bem, eu estarei bem e o mundo todo parecerá estar perfeitamente bem. Porém, quando a mente estiver mal, eu estarei mal e o mundo inteiro parecerá estar errado.

As qualidades das coisas não estão nas coisas, estão em nós mesmos. Nós imprimimos sobre o mundo os nossos valores. As coisas e as pessoas em si não têm qualidade de nos aprisionar, de nos tornar felizes, tristes ou raivosos. Vendo isso, abstemo-nos de culpar os outros pela nossa infelicidade, pela nossa falta de liberdade, ou o que quer que seja.

Ninguém e nada tem esse poder, pois somos nós mesmos investimos as pessoas e as coisas desse poder. Esse reconhecimento é a grande qualidade de uma mente reflexiva, pois traz para si mesmo a responsabilidade pela própria felicidade, sem julgamentos, pois não é justo conosco nos julgarmos com base num estado momentâneo da mente. Esse estado, amanhã, pode ser completamente diferente. E nós não temos controle nem poder sobre como nós podemos ser ou como podemos estar amanhã ou daqui a duas horas.

A compreensão de que é ilógico julgarmos os outros e nós mesmos confere-nos liberdade, aceitação e relaxamento para sermos o que devemos ser no momento e as outras pessoas a serem do jeito que são.


Uma mente contemplativa, uma mente livre


Se somos capazes de olhar para o que pensamos ser o nosso verdadeiro eu como objeto, é porque existe algo mais que é sujeito. Ou seja, é porque existe algo mais dentro de nós que não é apenas uma personalidade formada de gostos e de aversões e que constantemente reage diante das situações impostas pelo mundo.

Uma mente contemplativa é capaz de perceber uma presença silenciosa além de seus próprios ruídos, além da vozinha interna constantemente a conversar. É uma mente que tem a capacidade de permanecer tranqüila diante da agitação, serena diante da tristeza, pois reconhece em si toda a paz e plenitude que antes buscava fora, nos objetos externos.

Ao criar esse distanciamento em relação aos seus próprios movimentos mentais, reconhece a desidentificação com a própria história de vida e todos os dramas que a mente cria para nos aprisionar. Quando viajamos de avião, vemos todos lá embaixo, bem pequenos, e todos os dramas (trânsito, chateações, apegos, anseios) parecem também ficar bem pequenos, exatamente porque neste momento temos a visão do todo e não a visão centrada em nós mesmos e nos nossos pequenos conflitos diários.

Uma mente contemplativa é uma mente livre, livre de si mesmo, pois apenas nós mesmos temos a capacidade de nos aprisionar. Ao se ver livre das identificações com o conteúdo mental, com os dramas pessoais, há a possibilidade de rir de si mesmo, de não se levar tão a sério. Quando estamos dentro de um cinema, assistindo a um filme, emocionamo-nos e identificamo-nos com os personagens e até mesmo choramos. Mas a todo o momento não perdemos a consciência de que aquilo não é real, é uma ficção, uma encenação. Assim também é a vida, mas, quando estamos apegados a ela, não conseguimos reconhecer que a vida é um grande espetáculo, muito bem orquestrado e pensado, como o filme.

Uma mente contemplativa, livre, reconhece e, assim, aprecia. Aprecia tanto a vida, todos os aspectos da criação - a natureza, os animais em sua imensa e bela variedade e formas -, como aprecia a si mesmo, os seus próprios estados mentais, sejam eles considerados bons ou ruins, como parte do mesmo Todo; como manifestações da Consciência que aprecia brincar com as formas e com o movimento.

A vida é feita de luz e de movimento constante. O que nasce hoje já tem a sua morte anunciada e dela o surgimento de algo novo. Cabe a nós apenas apreciarmos esse belo espetáculo que é a vida. Para isso, é necessário discriminação, desapego e aceitação.

Discriminação para saber que todos os objetos que os nossos sentidos possam apreender são perecíveis, porém a nossa essência é eterna. Desapego para que possamos contemplar as mudanças, internas e externas. E aceitação para acolher a si mesmo e ao mundo como eles se apresentam.

Termino reafirmando: liberdade não é fazer o que se quer, é simplesmente contentar-se com o que é.


Tales Nunes pratica e estuda Yoga desde 1997. Atualmente ministra cursos de formação pelo Brasil, em Brasília, Goiânia, Aracaju e Salvador. É autor do livro: "O Yoga e o Ser". Tales é mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina, com dissertação defendida sobre a representação do corpo no Yoga. É editor dos Cadernos de Yoga.
Seu email é tales@cadernosdeyoga.com.br.

www.yoga.pro.br