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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SABEDORIA SECRETA DAS PLANTAS


Foto: Fred Matos




Existe um imenso oceano de sabedoria dos povos antigos sobre as planta medicinais e caminhos para uma vida saudável que foram praticamente esquecidos. O distanciamento da natureza como origem levou o ser a acreditar que tudo nasce pronto e com isto começou a fase do esquecimento sobre os caminhos da construção.
A vida não é pronta, ela é construída. A saúde, a família, o trabalho e a busca da essência não estão prontos como muitos de nós queremos.
A verdadeira magia se encontra em cada um de nós que somos capazes de construir. Neste caminho os antigos povos de sabedoria buscaram na natureza a sabedoria que ela tem para ensinar.

O antigo povo Tubakwaassu aprendeu sobre a existência através da observação da natureza, desde o invisível para a materialização no visível, seguindo esta sabedoria milenar podemos considerar a existência de dois ciclos da manifestação de vida de um vegetal: o ciclo das freqüências e o ciclo manifestado. O primeiro refere-se ao período no qual a planta ainda é essência em movimento, encontrando-se em um outro espaço e tempo e manifestando uma outra velocidade que não é perceptível para o nível mais denso. Este plano denso é conhecido como plano físico, aonde já ocorre a materialização de uma massa compatível com uma reduzida velocidade e com um espaço estruturado em três dimensões, aonde a massa é aferida através de sua altura, largura e comprimento.

A eletricidade, as ondas cromáticas, sonoras e o magnetismo são observados, dentro deste trabalho, como os níveis mais próximos das freqüências já citadas, sendo eles os níveis intermediários entre o visível e o invisível, entre a essência em movimento e o plano manifestado.
Enquanto o vegetal se expande como freqüências no ciclo da essência em movimento, é imperceptível devido às condições limitadas das percepções sensoriais da visão, do tato, paladar, olfato e audição. Quando o ser, com a percepção apurada, que age em níveis mais sutis, produz a conexão com estas potências, pode captá-las e realizar uma leitura de seu movimento.

O ciclo manifestado se dá quando as freqüências já materializaram, através de seus entrecruzamentos, as formas de vida atuantes no plano visível. No caso do vegetal, por exemplo, trata-se do ciclo de vida material de sua existência, sendo este ciclo um caminho de manifestação da erva, que começa com a semente, após vem a raiz, o broto, folhas, flores, frutos e, retornando, vai novamente manifestar as sementes.

O ciclo de um vegetal ensina que a sua origem é a de ser freqüência, e que se materializou, moldando no plano material um corpo constituído de uma massa capaz de existir neste meio, mas, mesmo assim, continua sendo essência em movimento. Então, de uma maneira mais próxima do entendimento corriqueiro, podemos considerar que é uma essência que vestiu um corpo, porém, este corpo também é extensão desta essência, pois ele só existe por causa dos movimentos tecidos por esta potência em movimento.
Por este motivo, a essência não é do outro lado, no outro plano, em outra dimensão, mas em tudo no todo; o corpo é tão sutil quanto material, e assim é para todas as formas de vida manifestada.

A semente que, nascida de dentro para fora, tornou-se material, é bem menor que o vegetal. Desta maneira, é ele, o vegetal reunido, ou seja, uma semente de sumaúma de cinqüenta metros de altura, traz toda esta gigante árvore dentro de si.

A semente é a reunião de toda a sabedoria da mais antiga árvore daquela espécie, porque mesmo sendo nova, reúne dentro de si toda a manifestação do vegetal, tal e qual o mais antigo que já existiu no planeta Terra. É ela, a semente, a Mãe da raiz, do broto, do caule, das folhas, flores e frutos; todas estas manifestações de um vegetal são suas filhas, que trazem a missão de estender a sabedoria de sua Mãe no ciclo contínuo do existir.

A gestação é em tudo e se manifesta em cada movimento de vida do vegetal; em cada passagem de uma etapa para outra, a Mãe vai gerando filhas que, por sua vez, vão se tornando Mães que também gerarão filhas e, assim, continuamente.
Também é importante observar que cada período do vegetal ensina sobre uma fase da vida, como segue:
- a semente é o feto dentro do útero Mãe que é a terra. Ela encontra-se tão reunida à sua potência que ainda não expressa, de maneira visível, seu crescimento e seu desenvolvimento: é uma vida aguardando o momento de nascer;
- a fase da brotação é o nascimento, período em que a Mãe terra pariu a sua filha;
- o broto é o período da infância. O vegetal necessita ser bem nutrido para crescer e se desenvolver;
- o tronco, os galhos e as folhas mostram o amadurecimento da planta até chegar em sua fase adulta;
- a primeira floração identifica a passagem da fase de criança para a fase adulta. Neste período o vegetal se encontra pronto para que ocorra o movimento da fecundação;
- o fruto é o período da gravidez.
Neste contínuo caminho a planta vai envelhecendo, tornando-se anciã, e segue para o retorno à sua origem como essência em movimento.
Por Ramy Shanaytá - ramyshanayta@kvt.org.br
Extraído do site: www.somostodosum.com.br
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Sugiro o livro Autobiografia de um Iogue, de autoria de Paramahansa Yogananda (Lotus do saber Editora) para quem se interessar pelo assunto, o capitulo 8 Jagadis Chandra Bose, Grande cientista da Índia, pagina 74.

Dila

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

NOSSA MAIOR EMOÇÃO

~~ae,

recebido por Haribertananda

A GRANDE MÃE BRASILEIRA


Yemanjá magia dos mares
azulejos, espelhos, pérolas e canutilhos de prata sobre mdf 80 x 68 cm
Mosaico de ROSÂNGELA JORDÃO VILLELA
www.mosaicocia.s2w.com.br



A Grande Mãe Brasileira
O Brasil é o país que concentra o maior número de pessoas a cultuarem uma das manifestações da Grande Mãe, como Iemanjá, a deusa ancestral das águas, Senhora do Mar. Só perde para a Índia, onde inúmeras deusas são cultuadas até hoje.

Anualmente, às vésperas do Ano Novo e no dia dois de fevereiro, milhões de pessoas levam suas oferendas e orações para as praias brasileiras, ou saem em procissões marítimas ou fluviais, similares às antigas cerimônias egípcias e romanas – Navigium Isidi – dedicadas a Isis, Deusa Mãe protetora dos viajantes e das embarcações.

Apesar da devoção brasileira a Iemanjá, seu culto não é nativo - ele foi trazido ao Brasil no século XIII pelos escravos da nação ioruba. Yemojá ou YèYé Omo Ejá, a “Mãe cujos filhos são peixes” era o orixá dos Egbá, a nação ioruba estabelecida outrora perto do rio Yemojá, no antigo reino de Benin. Devido a guerras os Egbá migraram, e se instalaram às margens do rio Ogun, de onde o culto a Iemanjá foi trazido pelos escravos para o Brasil, Cuba e Haiti.

Nestes países, Iemanjá passou a ser venerada como a “Rainha do Mar”, orixá das águas salgadas, apesar de sua origem ter sido “o rio que corre para o mar”, sua saudação sendo Odo-Yiá, que significa “Mãe do Rio”.

Analisando os nomes Ya / man / Ya e Ye / Omo / Ejá conforme a “Lei de Pemba” – a grafia sagrada dos orixás -, postulada pela Umbanda Esotérica, encontram-se os mesmos vocábulos sagrados, que significam “Mãe das águas, Mãe dos filhos da água (peixes) e Mãe Natureza”.

Iemanjá é considerada pela Umbanda Esotérica como uma das sete Vibrações Originais, o princípio gerador receptivo, a matriz dos poderes da água, a representação do eterno e Sagrado Feminino. Portanto, Iemanjá personifica os atributos lunares e aquáticos da Grande Mãe, como padroeira da fecundidade e da gestação, inspiradora dos sonhos e das visões, protetora e nutridora, mãe primeva que sustenta, acalenta e mitiga o sofrimento dos seus filhos de fé.

No entanto, por mais que Iemanjá seja reconhecida e venerada no Brasil, ela não representa a Mãe Ancestral nativa, que tenha sido cultuada pelas tribos indígenas antes da colonização e da chegada dos escravos.

Infelizmente, muito pouco se sabe a respeito das divindades e dos mitos tupi-guarani. A cristianização forçada e a proibição pelos jesuítas de qualquer manifestação pagã, destruiu ou deturpou os vestígios de Tuyabaé-cuáa, a antiga tradição indígena, a sabedoria dos velhos payés.

Segundo o escritor umbandista W.W. da Matta e Silva e seus discípulos Rivas Neto e Itaoman, a raça vermelha original tinha alcançado, em uma determinada época distante, um altíssimo patamar evolutivo, expresso em um elaborado sistema religioso e filosófico, preservado na língua-raiz chamada Abanheengá , da qual surgiu Nheengatu, a “lingua boa”, origem dos vocábulos sagrados dos dialetos indígenas,

Com o passar do tempo a raça vermelha entrou em decadência, e após várias cisões, seus remanescentes se dispersaram em diversas direções. Deles se originaram os tupi-nambá e os tupi-guarani, que se estabeleceram em vários locais na América do Sul.

As concepções do tronco tupi eram monoteístas, postulando a existência de uma divindade suprema, um divino poder criador (às vezes chamado de Tupã) que se manifestava através de Guaracy (o Sol) e Yacy (a Lua), que, juntos, geraram Rudá (o amor), e por extensão, a humanidade. O culto a Guaracy era reservado aos homens, que usavam os tembetá, amuletos labiais em forma de T, enquanto as mulheres veneravam Yacy e Muyrakitã, uma deusa das águas, e usavam os amuletos em forma de batráquios e felinos, pendurados no pescoço ou nas orelhas.

Guaracy era a manifestação visível e física do poder criador representado pelo Sol. Apesar deste astro ser considerado o princípio masculino na visão dualista atual, a análise dos vocábulos nheengatu do seu nome revela sentido diferente. Guará significa “vivente”, e cy é “mãe”, o que formaria a “Mãe dos seres viventes”, a força vital que anima todas as criaturas da natureza, a luz que cria a vida animal e vegetal. Também em outras tradições e culturas (japonesa, nórdica, eslava, báltica, australiana e nativa americana), o Sol era considerado uma Deusa, o que nos faz deduzir que para os tupi a vida e a luz solar provinham de uma Mãe (CY) que só mais tarde foi transformada em Pai.

Yacy era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ya (senhora) e Cy (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza , das mulheres e das fêmeas.

Cy ou Ci representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe), não há nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.

Na língua tupi existem vários nomes que especificam as qualidades maternas – Yacy = a Mãe Lua, Amanacy = a Mãe da chuva, Aracy = a Mãe do dia, a origem dos pássaros, Iracy = a Mãe do mel, Yara = a Mãe da água, Yacyara = a Mãe do luar, Yaucacy = a Mãe do céu, Acima Ci = a Mãe dos peixes, Ceiuci = a Mãe das estrelas, Amanayara = a senhora da chuva, Itaycy = Mãe do rio da pedra, e tantas outras Mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.

As tribos indígenas conheciam e honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam seus filhos sozinhas, sem a necessidade do elemento masculino, atribuindo-lhes a virgindade, o que também em outras culturas simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em alguns mitos e lendas as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaros, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.

A explicação da omissão, na mitologia indígena, do elemento masculino na criação, era o desconhecimento do papel do homem na geração da criança, além do profundo respeito e reverência pelo sangue menstrual, que, ao cessar “milagrosamente” se transformava em um filho. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta que, na criação do homem, o Pai assumiu um papel preponderante, o Filho tornou-se o segundo na hierarquia, salvador da humanidade, como Jurupary, e à Mãe coube apenas a condição de virgem (como Chiucy).

Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas das suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança e encantaria que estão ressurgindo, cada vez mais atuantes, saindo do seu ostracismo secular.

Um outro arquétipo da Mãe Ancestral é descrito no mito amazônico da Boiúna, a Cobra Grande, dona das águas dos rios e dos mistérios da noite. Apresentada como um monstro terrível que vive escondido nas águas escuras do fundo do rio e ataca as embarcações e pescadores, a Boiúna ou Cobra Maria é, na verdade, a Face Escura da Deusa, a Mãe Terrível, a Ceifadora, que tanto gera a vida no lodo como traz a morte, no eterno ciclo da criação, destruição, decomposição e transformação.

Outro aspecto da Mãe Escura é Caamanha, a “Mãe do Mato”, que protege as florestas e os animais silvestres, e pune, portanto, os desmatamentos, as queimadas, e as violências contra a Natureza. Pouco conhecida ela foi transformada em dois personagens lendários: Curupira e Caapora. Descritos como seres fantasmagóricos, peludos, com os pés voltados para trás, às vezes com um aspecto feminino, são os guardiões das florestas, que levavam os caçadores e invasores do seu habitat a se perderem nas matas, punindo-os com chicotadas, pesadelos ou até mesmo a morte.

Nas lendas guarani relata-se a aparição da “Mãe do Ouro”, que surge como uma bola de fogo ou manifesta-se nos trovões, raios e ventos, mostrando a direção da mudança do tempo. Na sua representação antropomórfica ela torna-se uma linda mulher que reside em uma gruta no rio, rodeada pelos peixes e de onde se estende nos ares como raios luminosos, ou então surge na forma de uma serpente de fogo, punindo os destruidores das pradarias. Na sua versão original ela era considerada a guardiã das minas de ouro, que seduzia os homens com seu brilho luminoso, afastando-os das jazidas. Seu mito confunde-se com o do Boitatá, uma serpente de contornos fluídicos, plasmada em luz com dois imensos olhos, guardando tesouros escondidos, reminiscência dos aspectos punitivos da Mãe Natureza, defendendo e protegendo suas riquezas. A deturpação cristã do mito punitivo pode ser vista na figura da “Mula sem Cabeça”, metamorfose da concubina de padre, que assombra os viajantes nas noites de sexta-feira (dia dedicado, nas culturas pagãs, às deusas do amor, como Astarte, Afrodite, Vênus, Freyia) e do Teiniágua, lagarto encantado que se transforma em uma linda moça para seduzir os homens, desviando-os dos seus objetivos.

Quanto ao significado esotérico de Muyrakitã, devemos decompor seu nome em vocábulos, para compreender sua simbologia feminina: Mura = mar, água, Yara – senhora, deusa, Kitã = flor. Podemos então interpretá-lo como “A deusa que floriu das águas” ou “A Senhora que nasceu do mar”. Esta divindade aquática, considerada a filha de Yacy era reverenciada pelas mulheres que usavam uns amuletos mágicos chamados ita-obymbaé, confeccionados com argila verde, colhida nas noites de Lua Cheia no fundo do lago sagrado Yacy-Uaruá (“Espelho da Lua”), morada de Muyrakitã. Estes preciosos amuletos só podiam ser preparados pelas ikanyabas ou cunhãtay, moças virgens escolhidas desde a infância como sacerdotisas do culto de Muyrakitã, vetado, portanto, aos homens. Nas noites de Lua Cheia as cunhãtay devidamente preparadas esperavam que Yacy espalhasse sua luz sobre a superfície do lago e então mergulhavam à procura da argila verde. A preparação das virgens incluía jejum, cânticos e sons especiais (para invocar os poderes magnéticos da Lua), além da mastigação de folhas de jurema, uma árvore sagrada que contém um tipo de narcótico que facilitava as visões. Enquanto as cunhãs mergulhavam, as outras mulheres ficavam nas margens do lago entoando cânticos rítmicos ao som dos maracás (chocalhos). Depois de “recebida” a argila das mãos da própria Muyrakitã, ela era modelada em discos com formato de animais, deixando um pequeno orifício no centro. Então todas as mulheres realizavam encantamentos mágicos, invocando as bênçãos de Muyrakitã e Yacy sobre os amuletos, até que Guaracy, o Sol, nascia, solidificando a argila com seus raios.

Estes amuletos, que ficaram conhecidos com o nome de muiraquitã, tinham cor verde, azul, ou cor de azeitona, e eram usados como pendentes no pescoço ou na orelha esquerda das mulheres. Acreditava-se que eles conferiam proteção material e espiritual, e que podiam ser utilizados para prever o futuro, em certas noites de Lua Cheia, depois de submersos na água do mesmo lago e colocados na testa das cunhãs, invocando-se as bênçãos de Yacy e Muyrakitã.

No nível exotérico, profano, o muiraquitã é conhecido como um talismã zoomorfo, geralmente em forma de sapo, peixe, serpente, tartaruga ou felinos, talhado em pedra (nefrita, esteatita, jadeíta ou quartzito), bem polido, ao qual se atribuíam poderes mágicos e curativos. Foram encontrados vários deles na área do baixo Amazonas, entre as bacias dos rios Trombetas e Tapajós, e foram chamados de “pedras verdes das Amazonas”. Poderia ser uma confirmação do mito das Amazonas ou Ycamiabas, as “mulheres sem homens”, como foram chamadas pelo padre Carvajal, da expedição de Francisco de Orellana, em 1542. Os relatos míticos as descrevem como mulheres altas, belas, fortes e destemidas, longos cabelos negros, trançados, tez clara, que andavam despidas e utilizavam com maestria o arco e flecha para guerrear e caçar. Diz a lenda que elas escolhiam anualmente homens para serem futuros pais de seus filhos, e os presenteavam com muiraquitãs. Outras fontes afirmam que elas usavam ornamentos de pedras verdes esculpidos em forma de animais que serviam como objetos de troca com os visitantes e as tribos vizinhas.

Os missionários atribuíam aos índios tapajós a origem dos muiraquitãs, mas eles eram apenas seus portadores, e não os fabricantes, exibindo-os como símbolos de poder ou riqueza, ou ainda usados como compensação na realização de ritos fúnebres, nas cerimônias de casamento ou para selar alianças e acordos de paz entre as tribos.

Ocultos em mitos, lendas e crenças, existem ainda muitos resquícios das antigas tradições e cultos indígenas. Descartando as sobreposições e distorções cristãs e literárias, poderemos resgatar a riqueza original das diversas e variadas apresentações da Criadora ancestral brasileira, Mãe da Natureza e de tudo o que existe, que existiu e existirá. Cabe aos estudiosos e pesquisadores atuais desvendar os tesouros históricos do passado indígena brasileiro, com isenção de ânimo e sem distorções, em uma sincera dedicação e lealdade à verdade original, para oferecer às nossas mentes as provas daquilo que os nossos corações femininos sempre souberam:

“que a Terra é a nossa Mãe, que nos tempos antigos os seres humanos veneravam e oravam para uma Criadora, que abria os portais da vida e da morte, cujos templos eram a própria Natureza, que somos todos irmãos por sermos seus filhos, interligados por fazermos parte da teia cósmica e telúrica da Sua Criação”.


Mirella Faur, escritora e pesquisadora, dirigente de grupos de mulheres dedicados ao estudo e práticas do Sagrado Feminino, iniciada por W.W.da Matta e Silva na Umbanda Esotérica com o nome de Cynayá.

Extraído do www.xamanismo.com